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Adoçantes e Diabetes

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Todo dia aqui no consultório tem a ‘hora da merenda’, as 16:00 horas. Eu, as meninas da secretaria e a esteticista nos reunimos para lanchar.

A esteticista daqui é uma peça rara gente, não conseguiria explicar (beijo, Leila). E ela é suuuuper conectada em tudo que envolve dieta, emagrecimento e etc. Não que ela precise, mas vocês sabem muito bem como todo mundo anda de antena ligada a todo momento pra captar a última novidade sobre esse assunto. E na hora da merenda, dá-lhe adoçante no café. E eu sempre falei que aquilo era uma grande bobeira, que era melhor ela aprender a adoçar com pouco açúcar e etc… Ela nunca me deu muita bola.

Mas ontem, na hora que sentei na mesa, a vi colocando AÇÚCAR no café. Não deu para acreditar. Fiquei com uma cara tão espantada que ela falou ‘não vou tomar adoçante, porque adoçante engorda e dá diabetes. Passou no jornal Hoje’.

“Passou no jornal, foi? Vamos ver como explicaram isso!”.

Vim ver o que havia passado no Jornal. E essa é a reportagem (clica pra ver!) :

Captura de Tela 2014-09-18 às 18.17.41

E nada melhor do que tentar explicar o que realmente é esse estudo.

Vamos aos fatos:

Estudiosos do Instituto de Ciências Weizmann, em Israel, revelaram um efeito inesperado dos adoçantes artificiais nas bactérias intestinais (vulgarmente chamada de flora), que pode promover intolerância a glicose (a chamada ‘pré diabetes).

Nesse estudo os pesquisadores utilizaram sacarina, sucralose e aspartame, e eles perceberam que aqueles ratinhos que receberam os adoçantes tiveram modificações na composição da microbiota, além de uma baixa tolerância a glicose e níveis aumentados de glicemia sanguínea e hemoglobina glicada, quando comparados a aqueles que receberam açúcar ou não receberam nada. A sacarina apresentou os piores resultados.

Um estudo similar também encontrou essas modificações em humanos. 381 voluntários não diabéticos que consumiam adoçantes regularmente apresentaram altos níveis de glicemia sanguínea e menor tolerância a glicose paralelamente a mudanças nas bactérias intestinais daqueles que não consumiam adoçantes.

Além disso, 7 voluntários que não consumiam adoçantes foram expostos a ingestão destes por uma semana (consumiam o máximo tolerado pelo FDA!): 4 dos 7 voluntários apresentaram uma resposta glicêmica baixa e, claro, apresentaram modificação na microbiota intestinal.

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“O extenso trabalho feito com a microbiota [no estudo] continua a apontar para a importância potencial dos nossos hábitos alimentares sobre esta variável anteriormente subestimada em nosso metabolismo”, disse Christopher Gardner, estudioso da Universidade de Stanford.

Apesar da quantidade de adoçantes utilizada nos estudos ser dentro dos parâmetros aceitáveis do FDA (a ‘anvisa’ americana), esse estudo já nos dá mais um sinal de alerta sobre o uso indiscriminado dessa alternativa dietética. Mais estudos são necessários, mas tudo indica que o fato de ter um sabor doce sem calorias não é tão vantajoso assim!

Eu já escrevi uma vez sobre adoçante aqui nesse post.

Para vocês entenderem um pouquinho, a glicose é uma fonte energética muito importante. Falando da maneira mais simples possível: quando comemos, a glicose vai para nosso sangue e depois é capturada pela insulina, que leva a glicose para dentro da célula.

Quando fazemos o exame de glicose em jejum, é esperado que a glicemia sanguínea esteja baixa. Quando comemos, logo depois, nossa glicemia está alta. E depois de um tempo, ela está baixa de novo (já que saiu do sangue para ir abastecer nossas células).

A tolerância a glicose ocorre quando, mesmo em jejum (ou um tempo depois da refeição), nossos níveis de glicemia no sangue estão elevados. E glicose elevada no sangue definitivamente não é legal: pode causar problemas como hipertensão, doenças cardíacas, entre outros. Além disso, quando mantemos nossa glicemia elevada, de maneira crônica, a insulina começa a ter falhas graves de produção, evoluindo então para o quadro de Diabetes.

adoçante

E todo mundo sabe que a Diabetes é uma doença que deve ser evitada: pacientes diabéticos tem entre 2 a 4 vezes mais chances de doenças cardíacas e AVC’s que não diabéticos, e cerca de 65% das mortes entre diabéticos são devidos a estes problemas citados.

O fato é que somente o adoçante não é o responsável por desenvolver diabetes – ou problemas relacionados a glicose sanguínea – mas é bom ficar de olhos bem abertos.

As pesquisas existem (em grande número viu?) e não se assuste se daqui um tempo os adoçantes sejam mais ignorados do que consumidos.

Vocês já devem imaginar minha opinião: melhor do que tomar adoçante, é aprender a comer açúcar em pequenas doses e somente quando necessário.

O adoçante pode ser uma alternativa para determinados casos, mas hoje sabemos que com um controle glicêmico bem feito – ou seja, com acompanhamento de alguém bem especializado – até diabéticos podem consumir pequenas porções de doces! Então porque você, saudável, iria consumir o adoçante?

A solução da obesidade não está no adoçante, mas sim num contexto geral da alimentação :)

Espero que tenham gostado!

Beijos e bom final de semana!

 

Referências: http://www.nature.com/nature/journal/vaop/ncurrent/full/nature13793.html?utm_source=dlvr.it&utm_medium=tumblr

National Diabetes Information Clearinghouse (NDIC)