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Bela Gil, Placenta e Maternidade

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Eu até tento entender o ‘esforço’ que a Bela Gil faz para falar sobre saúde e alimentação. E eu a admiro muito por dar risada de si mesma – principalmente quando se fala no meme ‘você pode substituir tal coisa por linhaça, por exemplo’.

Pra não ficar tentando me enfiar embaixo da cama enquanto assisto as coisas que ela insiste em falar no programa (pH sanguíneo e doenças é a pior!), eu simplesmente parei de assistir. Acho que ela tem receitas super legais – receitas sempre são válidas – mas o que não dá pra digerir são as informações.

Mas vira e mexe a gente recebe alguma coisa, lê um negócio ali e outro aqui e lá vai ela contaminando toda sua timeline com uma notícia extraordinária. A última dela foi sobre uma refeição pós parto: a deliciosa placenta (com banana batida, hmmmm delícia, #sqn).

“Lá vamos nós”, pensei. Mas Nossa Senhora do Bom Senso (ou da minha distração, vai saber) não me permitiu enxergar nada nem ninguém se inspirando nessa notícia. Aleluia!

Com aquela inquietação que só a Bela Gil pode provocar na gente – eu tendo a ignorar essas reportagens que mais parecem saídas do sensacionalista – fui buscar sobre o ato de comer placenta. Essa técnica, chamada placentofagia, é comum entre os mamíferos em geral. Os animais comem a placenta para eliminar os rastros do parto (que podem atrair roedores) e talvez por motivos biológicos: a placenta contém níveis de hormônios e derivados de hormônios (prostaglandina e ocitocina) que atuam na involução do útero, no stress pós parto e na ejeção do leite pelas mamas.

dolarlinhaçaAté onde eu sei, as pessoas que comem a placenta fazem isso porque os ‘nutrientes’ lá encontrados podem auxiliar nesses fatores que citei acima. Mas comer placenta não é a única maneira de tentar evitar problemas como depressão, alívio da dor e etc. A amamentação, por exemplo, é relacionada a esses benefícios – porque amamentar não é só bom para o bebê, para a mãe também é! O parto normal também está relacionado com vários benefícios e até o planejamento familiar pode ter influência no bem estar da mamãe após o nascimento.

E o que mostram os periódicos científicos de confiança, é que essa prática tem base totalmente empírica. Estudos realizados em animais não foram aplicados em seres humanos, e ainda assim são incloncusivos.

Óbvio que a Bela Gil é apenas uma pessoa no meio de uma turma que come placenta, e não quero pegar essa figura tão simbólica e colocá-la como Cristo. Ela teve as razões dela – que infelizmente não tem fundamento científico – e acredito até que exista algo de metafísico e energético no ato (conexões que eu super respeito e acredito). Mas acho que ela poderia usar toda a sua visibilidade para contar o quanto é importante amamentar, por exemplo. Contar que a amamentação está ligada a redução dos riscos de sangramento e depressão pós parto, que aumenta o vínculo mãe e bebê, que auxilia no desenvolvimento bucomaxilo da criança, que pode auxiliar a retomada de peso pós parto (que não deve ser uma prioridade, mas sei que é uma preocupação), entre outras.

Além disso, acredito que ela poderia também produzir receitas para novas mamães, explicar que canjica e cerveja preta não produzem leite (apenas te hidratam e te dão mais energia, mas não são milagrosas), contar que algumas crianças tem cólicas provocadas pela alimentação da mãe – e outras não – e mostrar que a maternidade tem coisas que vão muito, mas MUITO mais além desse romantismo todo que é pregado ao tempo todo.

Como eu disse acima, acredito que a Bela Gil tem um discurso muito interessante quando ela mostra a importância de cozinhar e preferir os alimentos locais e naturais. E ela tem toooooodo o direito de comer a placenta – afinal é dela e do bebê dela. Mas me incomoda a divulgação desse fato como algo leviano: é mais um mito ou fato infundado pra aumentar a preocupação das mulheres e o imaginário dos leigos.

E se você tem alguma dúvida sobre o que comer depois do parto: consulte seu médico, e não a Bela Gil. Ok?

Até a próxima!