Ao vencedor, as batatas!

22 de setembro de 2015

22 de setembro de 2015

Desafio Pampulha – Guimarães Rosa e Corrida Vênus

22 de setembro de 2015
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Menos de 3 meses para os 18km da Pampulha!

Os treinos continuam indo bem, consigo ver o quanto evoluí desde o começo. Hoje a corrida está totalmente inserida na minha vida (não só ela, mas a prática de exercícios físicos em geral). Passei por aquele momento de querer convencer todo mundo a correr, como se esse esporte fosse o único legal da vida, hehehehe. Mas passou essa fase de ‘evangelização’. Mas continuo cada dia mais certa de que a vida sem um exercício física não é tão legal. E acreditem em mim: se eu estou falando isso, qualquer um é capaz de se apaixonar pelos esportes.

Eu já falei aqui no blog no mínimo umas 29483202 vezes que eu sempre fui muito preguiçosa e que a corrida me fez quebrar essa barreira. Colocar um objetivo ‘final’ (que foi a Pampulha) foi uma excelente estratégia. Por isso se você não pratica atividades físicas e quer levar a sério, construa um objetivo.

Nesse domingo corri 15km na prova Vênus, aqui em São Paulo. Com a pampulha chegando, achei interessante fazer uma de asfalto, já que havia feito apenas uma bem no começo e duas de montanha no meio do caminho. Confesso que me inscrevi sem pensar muito, nos 15 km. Fiquei meio tensa, afinal, é uma experiência incial… Mas na semana que antecedeu a prova adotei a técnica de não pensar muito naquilo, deixar para o dia, pra não sofrer por antecipação. Foi a hora de esfriar, sossegar e afrouxar.

Mas no sábado, antes de dormir, estava bem ansiosa. Eu não pensei em fazer tempo, mas não queria andar nem por 1 minuto durante a prova. Queria completar tudo correndo o tempo todo! Minha treinadora, com uma simples mensagem me colocou no meu lugar: “Sem chance nenhuma de você andar. Agora você é outra mulher, você é uma corredora… Confia e vai!“. 

primeiros15k

Pode parecer besteira para algumas pessoas, mas para mim não é: a cabeça comanda muito, principalmente na hora do esporte. E isso tudo que ela me disse (e diz sempre) foi MUITO importante.

Talvez para quem já corra há um tempo não faça tanto sentido, ou vai ter gente achando que é filosofia barata. Mas realmente eu sou assim. Me questiono, discuto comigo mesma. Filosofo até não poder mais – devo ter herdado isso do meu pai (ou dizem que é do signo, vai saber!).

E fui fazer a prova!

Uma coisa que havia me incomodado nas provas anteriores foi o meu nervosismo, minha cabeça trabalhando muito, a dificuldade de concentrar – principalmente no início. Já havia passado por isso na primeira prova de montanha – que contei aqui nesse post. Inclusive fiz um paralelo entre a prova e a minha maneira de ser, e me propus a transferir o aprendizado da corrida para coisas do dia a dia. Então essa prova se tornou um desafio não só físico – completar os 15km sem andar – como também um desafio mental – tentar me desconectar ao máximo, e ao mesmo tempo manter a concentração.

Não fiquei nervosa e consegui começar num ritmo bom, tranquilo, sem desespero de fazer tempo. Corri sem música – o que eu achei muito bom, pois fez eu me concentrar mais! Em alguns momentos eu estava com mais pique e então apertava um pouco o ritmo, aumentava a passada. Quando ficava mais cansada, diminuía o ritmo… Mas não parei. Confesso que em algum momento eu pensei ‘o que eu estou fazendo aqui nesse calor?’. Mas ao mesmo tempo estava feliz de realizar algo que nunca tinha feito. Eu sabia que uma hora a prova ia acabar, e ao invés de querer acompanhar a velocidade de quem passava por mim, respeitei a minha maneira de correr, prestando atenção na passada, no braço, na postura, na respiração. Eu curti! E então me veio na cabeça aquele verso lindo do Guimarães Rosa.

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Em outros posts eu já havia feito o paralelo da corrida e da vida, e dessa vez, tudo continuou fazendo muito sentido. Hoje eu procuro me desconectar mais das coisas que não posso resolver, tento não viver momentos que não me pertencem. É um exercício diário, assim como os treinos físicos. Aproveito mais a jornada do que me preocupo em cruzar a linha de chegada com pressa, afoita, cansada, em um ritmo que não me pertence. Seja na vida ou na corrida, agora sei que tudo passa, que é só ter um pouquinho de paciência e perseverança e que a mesma dor que te incomoda é aquela que te realiza.

E assim como na corrida, tenho procurado evitar a pressa para realizar minhas vontades, mas sem perder o ritmo, sem acomodar. Estou respeitando mais a minha velocidade, a minha passada, prestando mais atenção nos movimentos.

As vezes a gente cansa e pensa em parar, é inevitável. Desistir nem sempre é uma fraqueza, muitas vezes é uma necessidade. Mas isso sem antes tentar da melhor maneira possível. Se eu tivesse que parar na prova porque não estava aguentando mais, não seria um problema. Mas acreditei na minha capacidade, adotei as melhores estratégias que pude e no final cruzei a linha muito feliz!

Entendo quem corre por tempo, entendo quem corre pra vida. Acho válido, desde que todo mundo curta a jornada, seja ela qual for. As vezes ficamos tão preocupados com um ponto, que esquecemos que o caminho até chegar lá é a melhor parte! Sabe aquela frase: o melhor da festa é esperar por ela? Então…

Não sei se é a vida que está me ensinando a correr, ou se a corrida está me ensinando a viver. Mas fiquei feliz porque consegui curtir essa prova mais do que as outras. Com mais calma, menos ansiedade, pensando nas partes chatas com calma (dores, calor, sede) e como disse minha treinadora ‘com o peito aberto e com a alma gigenta’. Ainda falta MUITO para eu melhorar em vários quesitos durante as provas (e durante a vida). Citando Guimarães, Eu quase que nada sei, mas desconfio de muita coisa’. Inclusive sobre o poder da coragem de seguir, de correr. E ainda sobre o mesmo autor, ele tem razão também quando diz que “O real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia.”

Até a próxima prova, até o próximo post :)

Obrigada por todo mundo que tem torcido, vocês são demais! <3