9 de dezembro de 2015

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9 de dezembro de 2015

Desafio Pampulha

9 de dezembro de 2015
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desafio

Nem sei por onde começar a escrever!

Domingo fiz a prova do ano, que eu venho falado aqui desde o começo de 2015: a Volta Internacional da Pampulha. Foi o meu #desafiopampulha.

Como todo mundo sabe, comecei a correr esse ano. Em janeiro entrei na assessoria de corrida e na época eu não conseguia dar uma volta de 1 km sem querer colocar o coração e os pulmões pra fora do corpo.

Sempre fui muito preguiçosa pra atividades físicas, mas esse ano fiz 30 anos e pensei que era hora de fazer alguma coisa!

Enfim…

Apesar de saber todos os benefícios da atividade física, fiquei com medo de deixar a animação de lado e logo depois da primeira prova de corrida que fiz (8 km) fiz a inscrição na Volta internacional da Pampulha. Ela acontece em BH, minha cidade Natal, todo ano no mês de  dezembro. São 18 km que conheço desde pequena e uma distância que jamais imaginei percorrer. Fazendo a inscrição e lançando o desafio no blog, teria a obrigação de treinar até o fim do ano e não deixar de lado com desculpas esfarrapadas, como a gente sempre faz. Tinha que ter muita disciplina pra chegar nos 18km.

Foi desafiador, mas deu super certo! Inclusive recomendo a todos que querem ‘fincar o pé’ na corrida: façam provas! É MUITO bom.

evolucao

E então chegou a prova, e estou aqui pra contar como foi (o que passou vocês já viram nos outros posts!).

Antes da prova

Uns dois meses antes me apareceu uma tendinite no tornozelo que me deixou duas semanas sem treinar. Fiquei apavorada, com medo de perder todo o esforço. Mas a minha treinadora (maravilhosa!) me tranquilizou. Voltei aos treinos ainda com um pouco de dor, mas continuei firme e forte.

Nessa época eu tinha deixado uma fase introspectiva de lado, e tive que equilibrar a vida social com os treinos. Não foi fácil… Ao mesmo tempo que queria aproveitar, sair, tomar minha cervejinha e me divertir, também queria também correr com afinco. Mas consegui achar um balanço legal entre essas duas coisas. Eu sou super a favor da atividade física, mas não acredito na exclusividade dela na minha vida. Correr é uma delícia, mas ter minha vida social ativa faz parte da minha idéia de felicidade… não dá pra ficar sem os dois, então tive que aprender a conciliar.

Logo na semana da prova, eu estava bem pilhada, ansiosa, meio nervosa. Primeiro foi medo de não conseguir fazer algo que me preparei tanto. Mas me tranquilizei porque vi que não havia motivos para isso: eu estava fisicamente preparada – o que é o mais difícil. Seguir a recomendação das treinadoras e conversar com elas foi super importante. Elas dizem que é só mérito meu, mas não é! É mérito delas também! – Beijos especiais pra Cris e Alic <3. Tive que ser CORAJOSA.

bebrave

Fui para BH na véspera, sexta feira. E comprei o livro do Dráuzio Varella sobre corrida para ir me inspirando. Sugiro que todo mundo que adora correr leia. Você termina o livro certo de que um dia fará uma maratona.

obs: eu sempre achei maratona uma coisa exagerada, mas depois que li o livro pensei que um dia quero também fazer uma maratona. Não sei quando será e nem como, e muito menos onde… Mas é inevitável querer fazer uma prova dessas depois de ler os relatos dele! Além disso, me tranquilizou muito, pois pensei: ‘Se do Dráuzio começou a correr com 50 anos e fez várias maratonas, porque eu não faria 18km depois de quase um ano de treino?’.

Outra coisa que ajudou foi a torcida! Comecei a receber apoio de MUITAS pessoas queridas. Pessoas que acompanham há muito ou pouco tempo. Amigos, amigas, primos, primas, leitores do blog, pacientes, etc. Isso ajudou muito! Agradeço a cada pessoa que acompanhou todo o processo, que torceu por mim, com palavras ou apenas com pensamentos positivos.

No dia anterior eu estava surpreendentemente calma e querendo que chegasse logo! Eu sou bem ansiosa e quando antecede algo de grande importância eu fico agitada, overthinking, não durmo tão bem, etc. Mas eu estava tãoooo tranquila! Fui buscar meu kit, preparei as coisas da prova, conversei com meus pais, visitei uma amiga a noite e dormi como um anjo, a noite inteira. Estava feliz, plena e agradecida por aquele momento.

Durante a prova

Na hora da prova eu estava EM PAZ. Era aquele meu lugar, eu estava realizada, a vontade, confortável. Fui com mais dois amigos e demos muita risada. Fred e Goiano, vocês foram companhias nota mil, fizeram toda diferença!

Como todo começo de prova, eu sinto uma raiva de mim…  fico pensando ‘meu Deussss, o que eu tô fazendo aqui, ainda tem 17, 16, 15 km pela frente… que idéia errada! Nunca mais eu corro’ e blábláblá. Muito drama. Mas depois que o corpo aquece e acostuma com aquela situação, eu relaxo e curto.

Minha técnica foi dividir a prova mentalmente em 3 partes e não se preocupar muito com o tempo de prova.

Os 6 primeiros km foram os mais chatos.  Sabia que ia sentir dor por causa da tendinite, mas como sei que não ia sentir logo, a tendência era correr mais rápido… Mas depois ficaria mais cansada e seria mais difícil. Então tive que controlar o ritmo, pra dar conta de terminar a prova bem – esse era o objetivo. Além disso tem o quesito ‘o que eu tô fazendo aqui??’ que deixa minha cabeça a mil. Mas sabia que no final dos 6km eu estaria tranquilona.

Os 6 km do meio passaram voando! Foi a hora que mais curti super a prova! Fui observando a paisagem e tive lembranças gostosas: as manhãs de domingo na AABB com meu primo e minha madrinha, das festinhas da Pampulha que ia na adolescência com minha prima Tatá, do passeio de bike que fiz esse ano com a minha amiga Lígia, dos jogos do Mineirão que sempre ia ver meu Cruzeiro (que saudades!), dos showsvda Xuxa que fui quando criança no Mineirinho com meu amigo Hugo e meus pais … das fotos da minha mãe grávida de mim na igrejinha da Pampulha. Foi uma delícia, e quando dei por mim já estava no km 12!

Os 6 últimos km foram de emoção! Como havia feito o último treino de 13, pensei ‘já fiz um treino de 13 e uma prova de 15. Só posso ficar cansada depois disso!’. Mas já estava tão a vontade com meu ritmo e minha respiração que não precisei me preocupar com físico. Aproveitei para agradecer muito por estar ali, por ter começado a correr, pra mandar o máximo de vibrações que podia para minha treinadora Cris, para pensar em como a vida surpreende a gente e um ano que começou conturbado e difícil terminou leve e feliz, cheio de coisas boas!

Na reta final ver as batendo palma, aquela energia deliciosa… me fez pensar ‘agora não tem jeito, de fato eu sou uma corredora!’. Lembrei novamente da Cris falando que agora eu era uma nova mulher, uma corredora, e que a vida é isso aí: uma troca de energias. Pensei que no final tudo sempre dá certo, é só a gente se dedicar, perder o medo e saber lidar com as adversidades do caminho.

Depois da prova

eusou

Fisicamente falando, fiquei muito satisfeita. Terminei a prova com um cansaço normal, nada que me inabilitasse. Tive a comprovação que fisicamente me preparei super bem.

Emocionalmente falando, fiquei mais satisfeita ainda.

Aquela prova teve um significado muito maior do que romper uma barreira física. A prova materializou o encerramento de mais um ciclo da minha vida. Desde que me mudei para São Paulo em 2012, com 27 anos, passei por grandes transformações.  A palavra ‘mudança’ não se refere somente a cidade, mas também a mim mesma.  E depois de tantas mudanças que a vida me apresentou nesses últimos 3 anos, senti que um ciclo se encerrava. Essas mudanças aconteceram, me colocaram numa montanha de sentimentos intensos e verdadeiros… me ensinaram! E agora é hora de começar um novo ciclo, levando toda a bagagem e coragem que conquistei nesses últimos tempos para novas mudanças que certamente virão. Um ciclo se fecha, outro se abre.

E a Pampulha foi a maneira de celebrar. Como se cada quilômetro fosse uma etapa que vivi e a linha de chegada fosse o ‘pronto, agora vamos começar outra fase!’.

Agora estou planejando minha meia maratona e não pretendo parar de correr tão cedo. A prova me trouxe a certeza de que a corrida está inserida na minha vida de vez, não tem como a gente se separar mais.

O que a corrida me ensinou

Fui premiada com professores e companheiros de corrida MUITO legais. Mas principalmente com uma treinadora que é um verdadeiro exemplo de vida, e que me ensinou muito não só com as palavras dela, mas também com a maneira que ela lida com os obstáculos que a vida insiste em nos apresentar. A Cris não é só uma pessoa de uma energia que transcende, como tem uma das características que mais admiro nas pessoas: sabe rir de si mesma, tem humor e uma vontade de viver que dá inveja em qualquer um.

Correr tem me ensinado a lidar com a paciência, que sempre me faltou. Hoje entendo mais que pra se chegar no quilômetro 18 preciso passar pelo 10, 15, 17 e que eventualmente falhas irão ocorrer – mas elas não podem ser suficientes para me fazer desistir.

paciencianao

Correr tem me tornado uma pessoa menos medrosa, característica que sempre carreguei comigo e nunca tinha feito muito pra mudar. Agora eu penso ‘se eu sou capaz de correr 18 km, porque eu não conseguiria tantas outras coisas que não dependem nem de esforço físico?’.

Correr tem me transformado numa pessoa mais competitiva e menos preguiçosa. Eu quero melhorar meu tempo, meu ritmo, minha passada, meu foco. Nada melhor do que apostar consigo mesma de que é capaz de mudar algo.

Correr também tem sido uma ótima forma de meditação. Eu penso muito e tenho um déficit de atenção que nem eu acredito as vezes! Ainda tenho MUITO o que aprender, mas tem me ajudado muito.

Não vou ser hipócrita e falar que é fácil. Não é todo dia que é maravilhoso, não é todo dia que ensina. Tem dias que acordo com ódio do parque, do tênis, do despertador, das pessoas… Só quero dormir e ser feliz assim. As vezes cedo a tentação e fico dormindo, mas na maior parte do tempo eu vou. Muitas vezes me surpreendo e agradeço por não ter deixado de ir, mas as vezes volto mais puta ainda, hahahaha! Bem cansada mas com aquele mantra ‘pelo menos eu já fiz minha parte agora’.

Se você pretende começar a correr, lembre-se que não vai ser esse conto de fadas que as pessoas contam no instagram. Não é. A gente sente dor, preguiça, frio, vontade de desistir e questionar a própria sanidade mental… Mas também ficamos animados, felizes, damos risada, agradecemos ao olhar no espelho, presenteamos nosso corpo com uma boa dose de saúde  e dormimos bem. Além disso fazer provas é delicioso: uma energia legal de todo mundo reunido com o único atravessar a linha de chegada feliz!

obrigada

Obrigada a todo mundo que acompanhou meu #desafiopampulha. Obrigada a todo mundo que esteve ao meu lado esse ano. Aproveito para pedir desculpas pelo sumiço do blog, e faz parte do novo ciclo retomar os posts com a frequência habitual!

Mil beijos da (oficialmente) Nutricionista e Corredora

Marina