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Dieta do Jejum?

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Semana passada a revista Vogue publicou sobre um método de dieta  ‘feito por atrizes como Gwyneth Paltrow e Salma Hayek': o método consiste em jejuar.

Isso mesmo, deixar o corpo passar por privações durante determinado tempo (pode ser de 1 a vários dias). Mas será que jejuar faz tão bem como insistem em dizer? A reportagem pontua que ‘os defensores garantem que essa privação desintoxica o organismo e facilita a perda de peso, além de ajudar a baixar os níveis de colesterol e de açúcar no sangue, aumentar a energia e melhorar as funções cognitivas do cérebro’.

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Na minha opinião, se começou a relacionar técnica de alimentação com celebridade, já começou errado. Não que uma estrela não possa seguir uma regra alimentar saudável e interessante… mas a maioria das técnicas que fazem esse paralelo sempre estão recheadas de ilusões.

A primeira coisa que tem que ficar clara, mais uma vez, é: o déficit energético é o que emagrece (biologicamente falando). Não adianta querer ficar em jejum um dia e nos outros consumir mais do que se gasta. Falando de calorias: se comemos mais e gastamos menos, engordamos. Você tem três opções para não engordar ou emagrecer: gastar mais, consumir menos ou fazer os dois juntos. Vários estudos já demonstraram que o déficit energético causado pela atividade física mostra ser mais eficiente (por interferir de uma maneira positiva na regulação hormonal da saciedade e do apetite). Porém, consumir menos também não quer dizer fazer dieta restrita, mas sim reorganizar a sua alimentação para tal.

O jejum não reduz os níveis de colesterol e açúcar. No caso do colesterol, a perda de peso pode colaborar, mas não pelo jejum – e sim através de equilíbrio. Quanto ao nível de açúcar no sangue, esse é regulado também através do peso, do funcionamento do pâncreas e da sua alimentação. Jejuar e depois compensar comendo um grande volume de carboidratos, por exemplo, não ajuda em nada no controle da glicemia.

Relacionar jejum com energia e funções cognitivas do cérebro? Piorou. Quando entramos num estado de jejum, nosso corpo não consegue mais obter energia através de carboidratos, e então parte para as proteínas e gorduras. Tudo isso para fornecer energia para o corpo, principalmente para o cérebro. Quando o jejum entra num nível onde a gordura é oxidada (ou seja, quebrada) para fornecer energia, esse processo gera substâncias chamadas corpos cetônicos, fazendo o corpo entrar num estado de cetose. A cetose é um processo ‘cansativo’ para o corpo, por isso sentimos dores de cabeça, cansaço, mau hálito, dentre outros… Ou seja: Jejum (jejum mesmo tá gente, não é 3 horinhas sem comer não!) pode fazer muita coisa, menos dar energia para o corpo e melhorar as funções cerebrais.

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Depois, a mesma reportagem cita que o ‘guru de várias celebridades de Hollywood apoia o intermittent fasting ou IF, jejum em dias alternados realizado uma ou duas vezes por semana – não é necessário ficar um dia inteiro sem se alimentar: pode-se tomar café da manhã, almoçar e voltar a comer somente no almoço do dia seguinte. Ou seja, você passa 24 horas em jejum, reduz a quantidade de calorias ingerida na semana,mas não deixa de se alimentar nenhum dia. O IF tem como base a história evolutiva da nossa espécie – em 250 milhões de anos, o homem passou por longos períodos de escassez de alimentos e conseguiu sobreviver e sair fortalecido deles.Essa premissa,inclusive, é um dos pilares da dieta paleolítica.’

Pois bem… ele diz que não há necessidade de ficar sem se alimentar totalmente, mas que você pode tomar café da manhã, almoçar e comer somente no jantar. E pode mesmo. E isso não configura jejum, desde que você coma as quantidades necessárias para manter suas funções vitais sem causar danos ao corpo. Já escrevi aqui nesse post sobre comer de 3 em 3 horas. De fato, algumas pessoas preferem comer um volume maior nas refeições e não sentem necessidade de comer nos intervalos: problema nenhum nisso! Claro, se a quantidade ingerida ao final do dia for recomendada para você! Quanto a história evolutiva do homem e a dieta paleolítica, eu acredito que várias coisas podem ser benéficas para a alimentação, como recuar no consumo de industrializados e preferir alimentos in natura, além de não temer tanto a gordura animal. Porém, não dá para se levar tanto ao pé da letra, uma vez que somos diferentes em hábitos, costumes, culturas e rotinas se nos comparamos ao homem paleolítico.

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Resumidamente, fazer jejum não é uma boa idéia. Além de você reduzir seu gasto energético em repouso (através da perda de massa magra) e gerar mais compulsão após um período restrito (o que é verificado não só através do comportamento alimentar, mas também por um aumento dos níveis de hormônios relacionados a fome), ele pode causar efeitos colaterais péssimos.

Como sempre, a solução, é manter o equilíbrio. Descobrir se você se adapta mais fazendo poucas refeições com maiores volumes ou várias refeições em pequenos volumes; falando para a nutricionista o que você gosta ou não gosta, o que você precisa reduzir ou aumentar, contar sua rotina… tudo isso é necessário para uma perda de peso eficaz! Mas o profissional é o grande responsável por te indicar o caminho, e não o guru das celebridades!

Espero que tenham gostado!

Beijos,

 Sobre a reportagem da Vogue, link aqui: http://vogue.globo.com/mundo-vogue/noticia/2013/05/comer-pra-que-fazer-jejum-esta-na-moda-saiba-mais-sobre-dieta-da-vez.html