A vida é um doce

29 de julho de 2014

Devagar, devagarinho!

29 de julho de 2014

Michael Pollan na prática

29 de julho de 2014
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Quem me segue no instagram viu que outro dia eu postei uma foto do livro do Michael Pollan: Em defesa da comida – um manifesto.

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Esse é o tipo de livro eterno. Eu li logo que me formei (no final de 2008) e agora estou lendo novamente. E é impressionante como a gente muda até nossa forma de interpretar o mesmo livro :)

Após acabar a faculdade de nutrição, levava tudo o que lia ao pé da letra. Depois a gente acostuma a filtrar algumas informações. Vocês já devem ter notado que eu sou super a favor da ciência, levo muito em consideração os (bons) estudos, ciência para mim justifica muito! Mas a clínica é soberana várias vezes, e nem sempre para colocar em prática o 2+2 é igual a 4.

Michael Pollan é jornalista, professor da Universidade da Califórnia em Berkeley, e totalmente avesso a (pasmem!) ciência da nutrição e claro, a comida processada e industrializada. Grande entusiasta da comida natural e do ato de cozinhar. Por isso digo que quando li logo que me formei li de uma maneira diferente da maneira que li o livro hoje. Na época senti um ódio profundo dele, de mim, da profissão, da ciência, da nutrição e de qualquer outra coisa que envolvesse comida.

Agora em 2014 li com outros olhos. Entendo o que Michael quer passar de mensagem, e sei absorver tudo o que pode ser colocado em prática, além de compartilhar 100% da opinião dele: cozinhar é essencial para uma boa saúde.

Mas não estamos aqui para fazer uma resenha sobre o livro, e sim para colocar em prática a mensagem que Michael Pollan quer nos passar. Nessa obra “Em defesa da comida – um manifesto” ele discute vááááárias questões, mas coloca 12 regras básicas da alimentação. E como eu disse, nem sempre a prática é linda como a teoria. Por isso resolvi organizar todas essas regras de maneiras (pelo menos um pouco) aplicáveis. Vou discutir as 6 primeiras regras nesse post, e as 6 próximas num próximo post (senão vai ficar uma bíblia, e não um artigo de blog!).

1) Não coma nada que sua avó não reconheceria como comida.

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Questão de interpretação: talvez sua avó não conheça a comida japonesa. Mas nem por isso você não precisa comê-la! Talvez sua avó conheça caldo de legumes pronto, mas isso também não quer dizer que você deve consumir.

Quando Michael Pollan diz isso ele quer passar a seguinte mensagem: coma o que seus olhos reconhecem como comida. Um cubo embrulhado num papel, dentro de uma caixa, com gosto de legumes mas sem cara de legumes não é comida. Uma panela cheia de legumes e água parece comida. E os dois são a mesmíssima coisa: caldo de legumes. Sua avó pode não conhecer comida japonesa, mas provavelmente se olhar para um sushi saberá dizer que é peixe e arroz. Provavelmente se ela olhar para um salgadinho tipo chips não saberá definir do que é preparado aquele alimento.

2) Evite comidas contendo ingredientes cujos nomes você não possa pronunciar. 

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É muito difícil na correria do dia a dia a gente optar somente por alimentos naturais. A nutricionista aconselha que você beba iogurte, mas você não tolera o sabor do iogurte natural. E não dá para andar com um liquidificador na bolsa para bater a fruta com o iogurte a qualquer momento. Aí não tem saída, e você acaba optando por um iogurte com sabor, mesmo contendo ingredientes que não reconhece o nome:

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Mas se você encara numa boa o iogurte natural sem sabor, porque não dar uma olhada nos ingredientes? Muitas vezes dois produtos que parecem iguais são muito diferentes:Captura de Tela 2014-07-29 às 11.52.37

Captura de Tela 2014-07-29 às 11.53.043. Não coma nada que não possa um dia apodrecer

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Pensando 100% de maneira teórica, isso seria lindo. Comeríamos apenas frutas, legumes, carnes frescas, massas produzidas por nós mesmos, cereais colhidos na nossa fazenda. Mas a realidade é outra: pela rotina diária, precisamos do arroz (que vem em pacotes), do macarrão industrial, de alguns alimentos processados- que demoram muuuuito para apodrecer. Mas se a gente se propor a comer mais frutas, legumes, vegetais e cereais integrais, com certeza nosso corpo retribuirá!

4. Evite produtos alimentícios que aleguem vantagens para sua saúde

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O que mais retrata essa afirmação: alimentos ‘ricos em vitamina C’. Muita gente acaba comprando por causa dessa informação.Lembre-se que o nutriente é importante, mas não é o papel central. Não existe um nutriente salvador, tudo depende do contexto alimentar. Por isso, fuja dessas alegações: geralmente elas vem para mascarar desvantagens. Ou você acha que algum fabricante vai falar: ‘olhaaaa, nosso produto tem vitamina C, mas atenção, porque ele também é cheio de açúcar e não tem nenhuma fibra!’?

 

5. Dispense os corredores centrais dos supermercados e prefira comprar nas prateleiras periféricas.

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A velha e óbvia ‘correria do dia a dia’ impede que possamos ter uma alimentação 100% natural, por isso dispensar as prateleiras centrais (com pães, massas, entre outros) é um pouco improvável. Então eu tenho outra sugestão: comece sempre pelas prateleiras centrais. Sabe-se que os supermercados colocam as frutas e legumes em primeiro lugar (mais próximos da entrada) porque assim compramos mais alimentos industrializados (que claro, dão mais lucro do que frutas e legumes). Isso tudo porque, quando passamos primeiro pelo setor ‘natureba’ – frutas e verduras – nos sentimos mais saudáveis, e nos permitimos comprar mais ‘porcarias’. E quem diz isso é uma gaaaaama de estudos comportamentais e de marketing – ou você acha que os supermercados colocam as prateleiras da maneira que querem por pura intuição?

6. Melhor ainda: compre comida em outros lugares, como feiras livres ou mercadinhos hortifrutis

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Essa eu concordo em gênero, número e grau. Além de comprarmos mais alimentos frescos, evitamos aqueles produtos que a gente nunca resiste: o macarrão instantâneo, o de legumes industrializado, o tempero pronto… Olhando aquelas verduras e legumes lindos (se for orgânico, melhor ainda) dá até uma inspiração maior para comermos melhor. Procure na sua cidade feiras orgânicas ou de origem controlada! Hoje em dia existem até sites especializados na função de entregar a comida fresca, direto do pequeno produtor, na sua casa.

Para quem tiver curiosidade de ler mais sobre o Michael Pollan, recomendo que acessem o site dele (http://michaelpollan.com/). Na FLIP de 2014 ele lançará a última obra ‘Cozinhar – uma história natural da transformação’. Mas quem gosta de comer, de comida e de cozinhar, sugiro que leia toda a sua obra, principalmente o livro citado a cima e ‘O dilema do onívoro’.

No próximo post, as próximas 6 regras de Michael Pollan!

Beijos e até a próxima!

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