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23 de junho de 2016

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Dia 14 de junho a Anvisa informou que vai  publicar um documento específico para orientar a prescrição de fitoterápicos no Brasil. Esse documento vai trazer as informações que os profissionais precisam para avaliar a necessidade de prescrição para o paciente, além de ter informações detalhadas sobre a família, nomenclatura popular e a parte utilizada da planta, assim como contraindicações, precauções de uso, efeitos adversos, interações medicamentosas, vias de administração e posologia.

Acredito que esse documento dá mais ma força para auxiliar quem usa os fitoterápicos, seja através do consumo e da prescrição. Além disso, reduz o uso desnecessário. Mas atenção: o documento faz referência aos fitoterápicos, e não aos homeopáticos. E não, eles não são a mesma coisa. Veja a diferença no quadro abaixo:

homeopáticoefitoterápico

A Anvisa também anunciou que vai regular o mercado de produtos integrais. Espera-se que o texto proposto traga não só os critérios mínimos para que produtos possam ser declarados integrais, como também regras específicas para as embalagens desses produtos.

Sabemos da importância do consumo de alimentos integrais: eles melhoram o funcionamento intestinal, ajudam a reduzir os níveis de colesterol e glicose sanguínea, dão mais saciedade, são ricos em micronutrientes (vitaminas e minerais) e são aliados no combate de determinados tipos de câncer. A indústria alimentícia também sabe disso e as prateleiras estão cheias de produtos com o nome integral escrito em letras garrafais. Mas nem todo produto é de fato integral…

Ainda não sabemos como serão os novos critérios para produtos integrais, mas acredito que assim como eu todos os profissionais de saúde estão esperando algo realmente efetivo. Enquanto isso não acontece, você sabe identificar um produto integral? Veja o quadro abaixo:

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 E tem mais: três grandes indústrias de bebidas (PepsiCo, Coca Cola e Ambev) anunciaram uma mudança no portfólio das bebidas vendidas nas escolas para crianças até 12 anos de idade (ou com a maioria de crianças até essa idade). Além disso a Coca-Cola anunciou que a venda da sua bebida será feita somente nas mini latas, não só para as crianças até 12 anos, mas também para os adolescentes:  a mini lata tem 250mL, 100mL a menos que a embalagem convencional.

A iniciativa surge num cenário preocupante: segundo o IBGE, 14,9% das crianças entre 5 e 9 anos estão obesas. E quem nunca ouviu aquela frase: “criança obesa, adulto obeso”?  Essa decisão foi muito comemorada pela grande maioria dos nutricionistas, médicos e educadores.

Eu achei a notícia muito boa, mas ela obviamente traz algumas discussões a tona. Uma delas é sobre o poder de decisão das crianças e o senso de responsabilidade dos pais e educadores. Em nota as empresas afirmam que ‘crianças abaixo de 12 anos ainda não têm maturidade suficiente para tomar decisões de consumo’ e declaram ainda declaram que “devem auxiliar os pais ou responsáveis a moldar um ambiente em escolas que facilite escolhas mais adequadas para crianças em idade escolar”.

Também acredito que a decisão alimentar de uma criança (e nem sempre somente dela) depende muito do ambiente que ela está inserida, e é feita a partir da presença ou ausência de determinados alimentos. Sendo assim, se você não expõe a criança a tantas bebidas adoçadas e outros alimentos -que gosto de classificar como ‘recreativos’- as chances de consumo diminuem. Em contrapartida essa decisão pode fazer com que ocorra uma transferência de responsabilidade para o ambiente. Ou seja: já que meu filho não tem mais acesso livre a essas bebidas na escola, não preciso me preocupar em conversar sobre a questão ou posso continuar estimulando o consumo em casa.
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Eu vejo essa mudança como uma grande chance de inserir mais campanhas educativas, não só para as crianças mas também para os pais e educadores. Pensamos muito em obesidade e sobrepeso, mas decisões como esta podem dar espaço a outros assuntos de extrema importância, como o consumo consciente, sustentabilidade e até noções básicas de economia. Como já disse, não expor as crianças a tantos estímulos ajuda muito na redução de consumo, mas isso não as tornam tão conscientes para negar o excesso fora do ambiente controlado. Além disso existe um perigo da demonização severa do produto, que por muitas vezes pode torná-lo muito mais tentador do que devastador.

Por isso eu gosto de chamar essas bebidas e outros alimentos de ‘recreativos': eles devem estar presentes em momentos muito específicos, e sempre inseridos num contexto saudável. Comer uma pizza e tomar um copo de refrigerante no final de semana, por exemplo, não vai e nem pode fazer mal a ninguém. Aprender que o refrigerante faz mal se tomado em excesso, que bebidas naturais e água são opções melhores é muito mais coerente: se a criança cresce num ambiente que ela entende porque escolher isso e não aquilo, ela faz escolhas mais conscientes e equilibradas.

Ainda há um longo caminho a trilhar em váááááários temas relacionados a saúde e obesidade. Porém já temos 3 motivos para comemorar!

Até a próxima!

Beijos!