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Kibe Vegetariano e Nutricionismo

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Eu já li umas 3x o livro ’em defesa da comida’ do Michael Pollan. E uma das partes que mais gosto é quando ele explica, lá no início do livro, sobre o Nutricionismo.

 “O primeiro ponto a entender sobre nutricionismo é que este não é um sinônimo de nutrição. Como o “ismo” sugerem não se trata de um assunto científico, mas sim de uma ideologia. Ideologias são formadas de organizar grandes faixas de vida e experiências sob um conjunto de suposições compartilhadas mas não examinadas” (…) No caso do nutricionismo, a suposição amplamente compartilhada, mas não examinada, é que a chave para se entender o alimento é de fato o nutriente. Em outros termos: os alimentos são, em essência, a soma dos seus nutrientes. Dessa premissa básica decorrem várias outras.”

– mas será que é assim? – 

“Partindo do princípio de que o alimento serve principalmente para promover a saúde física, os nutrientes dos alimentos deveriam ser divididos em saudáveis e insalubres – bons e maus nutrientes. Essa tem sido uma marca do pensamento nutricionista desde os dias de Liebig, para quem não bastava identificar os nutrientes; era preciso também escolher favoritos, e os nutricionistas andam fazendo isso desde então. Liebig afirmava que a proteína era “o principal nutriente” na nutrição animal, porque lhe parecia estimular o crescimento (…) A promoção que Liebig fez da proteína dominou o pensamento nutricionista por décadas”

– e ainda não domina muita gente? –

Parece ser uma regra do nutricionismo que para cada bom nutriente deve haver um mau, para servir de contraste, este é um foco para nossos medos e o primeiro para nossos entusiasmos (…) Desde então, a história do nutricionismo moderno tem sido a história dos macronutrientes em guerra: proteínas contra carboidratos; carboidratos contra proteínas; e depois gorduras, gorduras contra carboidratos.

– Quem já fez dieta restritiva sabe: sempre um macronutriente vira foco. Ou você corta o carboidrato, ou aumenta o consumo de gorduras, e por aí vai…-

nutricionismo

Como tantas ideologias, o nutricionismo no fundo depende de uma forma de dualismo, de modo que sempre precisa haver um nutriente mau para os partidários condenarem e um salvador para beatificarem.

Michael ainda cita Gygorgy Scrinis, professor de política alimentar e escritor no livro ‘Nutritionism: The science and Politics of Dietary Advice’. Segundo Gygorgy, “quando a ênfase está na quantificação dos nutrientes contidos nos alimentos (ou, para ser preciso, dos nutrientes reconhecidos nos alimentos), qualquer distinção qualitativa entre alimentos naturais e processados tende a desaparecer.”E completa “Se os alimentos forem entendidos somente em termosdas várias quantidades de nutrientes que contem, mesmo os alimentos processados poderão ser considerados ‘mais saudáveis’para você do que aos alimentos naturais se contiverem as quantidades apropriadas de alguns nutrientes”

O nutricionismo e a idéia de que existe comida do mal e comida do bem, ficamos com medo do alimento – e começamos a nos preocupar com calorias e nutrientes específicos, esquecendo de outros contextos que o alimento está inserido: cultura, prazer, e a presença até de outros quesitos nutritivos ignorados.

Por isso resolvi colocar uma receita de um quibe vegetariano que preparei esses dias. Geralmente, quando pegamos um quibe de carne, pensamos que ele é fonte de proteína – e ignoramos que ele contém trigo, uma excelente fonte de fibras e carboidratos. Se fazemos um quibe vegetariano, pensamos apenas que o quibe é cheio de carboidratos (e geralmente corremos ao contrário desse macronutriente maligno e engordativo).

Mas o quibe vegetariano não é só fonte de carboidrato: ele também tem proteína e pode ser considerado rico em fibras. Mas além disso tudo ele envolve o ato de cozinhar e o contato com alimentos in natura. Além de fácil e leve, é delicioso e uma excelente idéia para quem quer levar comida para o trabalho!

QUIBEVEGETARIANO

QUIBE VEGETARIANO

1 Berinjela

1/2 xícara de trigo para quibe

1 xícara de abóbora japonesa em cubos

1 colher (chá) de manteiga

2 colheres (sopa) de azeite

3 dentes de alho

–  Ligue o forno convencional na temperatura média ou um forno elétrico na temperatura máxima. Deixe pré aquecendo.

– Lave e corte uma berinjela ao meio, no sentido horizontal. Salpique sal em cada superfície e deixe descansar por 15 minutos. Depois lave com água. Faça pequenos cortes com a faca na superfície de cada berinjela cortada e adicione 1 colher (sopa) de azeite em cada. Coloque em uma assadeira com os dentes de alho com casca, e depois leve ao forno. A berinjela deve assar até que seu ‘recheio’ fique bem assado e você consiga raspar com uma colher.

Enquanto isso, em uma panela com 2 xícaras de água, no fogo baixo, cozinhe a abóbora até ela ficar bem macia. Assim que estiver cozida, retire a abóbora e use a água quente para hidratar o trigo: ou seja, adicione a água ao trigo até que ele ‘inche’.

Quando a berinjela estiver pronta, retire do forno – não precisa desligar! Tire o alho das cascas e amasse junto com a abóbora, formando um purê. Reserve.

Raspe o ‘recheio’ da berinjela e misture ao purê de abóbora, com a ajuda de um garfo ou amassador de batatas. Depois, com o garfo, misture ao trigo já hidratado. Tempere com sal e pimenta do reino a gosto.

Unte uma assadeira com a manteiga e coloque novamente no forno. Deixe assar até que fique dourado! Sirva com brócolis cozido e depois refogado rapidamente com alho!

Preparem, experimentem e me contem como ficou! Ah, lembrem-se de usar a hashtag #naocontocalorias

Beijos!!!

Marina

 

ps: Liebig*foi um dos maiores responsáveis pelo progresso da química orgânica no séc XIX