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15 de agosto de 2013

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Merenda Escolar

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Ontem escrevi sobre obesidade infantil e hoje acordei com a notícia: “O texto referente ao projeto de lei 406/205 de 7/12/2005 que trata da qualidade da merenda escolar nos colégios foi aprovado pelo Senado”. Ainda tem que passar pela Câmara e depois ser sancionado ou vetado por nossa presidenta Dilma – ou algum presidente em atuação na época – porque esse processo pode demoraaaaaaaaaar como tudo no Brasil.
 
Dei uma lida do texto na íntegra (Obrigada HF pelo help!) e resolvi resumir, para que todo mundo entenda que tipo de mudança deverá ser feita caso a lei seja sancionado.
O projeto de lei tem diz, dentre algumas modificações

“Não serão licenciados nem terão seus alvarás renovados ou estabelecimentos situados em escolas de educação básica que venderem bebidas de baixo valor nutricional ou alimentos ricos em açúcar, gordura saturada, gordura trans ou sódio”

“O SUS promoverá programas de prevenção das enfermidades que ordinariamente afetam a população infantil de educação sanitária para pais, educadores e alunos”

O controle da merenda já é realizada em algumas cidades e estados do Brasil. Em Santa Catarina, por exemplo, as cantinas (tanto da rede pública, quanto da rede privada) estão proibidas de venderem guloseimas e refrigerantes, além de serem obrigadas a vender pelo menos 2 frutas da estação.
O estado do Paraná definiu padrões técnicos de qualidade nutricional e regulamentou a comercialização dos produtos das cantinas. Pela lei, além da proibição de vários alimentos (refrigerantes, sucos artiiciais, frituras, etc), as cantinas devem instalar murais que divulguem sobre a qualidade nutricional dos alimentos vendidos, além de orientar a formação de hábitos saudáveis de alimentação.
Os cardápios do programa de alimentação escolar, sob a responsabilidade dos Estados, do DF e dos Municípios, serão elaborados por nutricionistas capacitados, respeitando os hábitos alimentares de cada localidade, sua vocação agrícola e dando preferência para produtos básicos, além de priorizar dentre esses, os produtos in natura. 
Bem, pode ser que o projeto de lei demore a ser aprovado (ou nem seja aprovado). Este projeto existe desde 2005. Pode ser que demore mais 8 anos, mais tempo ou menos. Ficamos na esperança que seja mais rápido.
A minha opinião é que a proposta é super válida, inclusive várias escolas (particulares, principalmente) já adotam esse tipo de conduta. Porém, algumas modificações devem ser feitas. Não basta apenas falar “retire alimentos ricos em gordura e açúcar”. Quer dizer que refrigerante zero, ou light, pode? Ou que alimentos pobres em gordura mas riquíssimos em sódio entram na jogada? O que é um alimento nutricionalmente saudável? Será que apenas cartazes orientando a importância da alimentação são suficientes para prender a atenção de crianças e adolescentes? 
Não entendo bem de lei e projeto de lei, mas acho que alguns comentários específicos deveriam ser colocados, bem técnicos mesmo. Exemplo: máximo de gordura saturada, qual tipo de refrigerante, o que caracteriza uma guloseima, etc.
Claro que esse é um futuro talvez um pouco distante – ou não, vai saber! – mas as cantinas deveriam vender, em sua grande maioria, produtos naturais (sucos, frutas, saladas de frutas), lácteos de boa qualidade, alimentos para intolerantes e alérgicos (celíacos, intolerantes a lactose ou com alergia a proteína do leite, fenilcetonúricos, entre outros). Outra idéia é sanduíches feitos pela própria cantina – pãezinhos com queijos, bolos caseiros simples (sem recheio e cobertura) – e por aí vai…
No caso de escolas públicas, que servem comida (arroz, feijão, canja, etc), as merendeiras – mulheres que preparam a refeição – deveriam ser orientadas quanto ao uso de óleo e sal. Porque se qualquer pessoa fizer uma análise no arroz da escola pública e do arroz feito em casa, vai ver a diferença. É óleo puríssimo! O que é saudável se torna maléfico.
Nós nutricionistas ficamos na torcida pela aprovação do texto! Os pais e as crianças agradecem :)
Até a próxima,
Beijos
Marina
Obs 1: claro que as cantinas – como a grande maioria das instituições – querem lucro. Por isso o interesse em vender tantas guloseimas e etc. O papel dos pais, como disse no último post, é educar para que os filhos saiam de casa já com a consciência do que é bom ou não. Mas se a escola colaborar, melhor ainda! 

Obs 2: vale a pena assistir o documentário do chef-estrela-queridinho Jamie Oliver sobre merenda inglesa. Ele se chama “A Cantina Escolar de Jamie“, e volta e meia passa no GNT. Tentei achar algum link na internet mas não consegui :( Se achar, coloco aqui pra vocês!