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O dia em que me tornei (apenas) nutricionista

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Eu me tornei nutricionista quando formei no final de 2008, e fui trabalhar numa cozinha de hospital. Fiquei lá por um ano, saí e fui fazer o curso de cozinha Profissional no Senac. Ao mesmo tempo comecei a atender em consultório e trabalhar com home care – e lá fiquei um tempinho. Nesse período, também cobri férias de nutricionista hospitalar, dei aulas para cursos técnicos e montei um curso de cozinha para domésticas e auxiliares do lar.

Me mudei para São Paulo. Trabalhei numa casa de massas e depois numa Start Up de refeições. Voltei a atender em consultório e aqui estou até hoje. 9 anos me distanciam do momento que eu me tornei nutricionista.

Também fiz uma pós graduação em nutrição clínica e em Nutrição e Esporte. Pensei em fazer mestrado na Saúde Pública, no Esporte, na Farmácia e na Psicologia. Pensei também em fazer faculdade de Gastronomia, pós em marketing, um curso de psicanálise. Mas não fiz nenhuma delas.

Até o dia que descobri que todos os cursos – e as experiências – eram uma tentativa de achar um nome para o que eu fazia. Eu era nutricionista o que? Aquelas perguntas que rondam todas as nutricionistas: “você é nutricionista funcional?”. Eu respondia que não, e já vinha alguém falar “ihhh, mas agora é o que o povo tá querendo, viu?”. Ou então perguntavam “você é nutricionista esportiva?” e eu respondia “Faço/fiz pós graduação na área” e tinha que escutar “ah ótimo, porque nutricionista que não passa suplemento, o povo não gosta”.

Só essas respostas já me irritavam profundamente. Eu pensava “mas o povo vai na nutricionista pra ouvir o quer ou para a nutricionista falar o que é indicado?”. E as vezes me questionava se eu era tão trouxa assim para não conseguir ser mais vendida. Será que eu realmente estava certa em tentar fazer as coisas de uma maneira menos vendida? A gente questiona a própria vontade de ser verdadeiro…

Daí surgiu o blog, que veio para mostrar a maneira como trabalho. Mas só isso não era suficiente. E falar “Eu sou Marina, Nutricionista, Tenho um blog chamado Não Conto Calorias” era pouco auto-explicativo (acreditem: ainda é. Muita gente ainda me questiona sobre valor calórico e outros detalhes, hehehe). Então comecei a me nomear ‘nutricionista que trabalha com comportamento alimentar‘ e depois ‘nutricionista comportamental’.

Isso foi um pouco antes do boom da Nutrição Comportamental vir a tona e colaborar com idéias que eu – e um monte de gente – já trabalhava antes. Fiquei muito feliz com todo esse movimento, porque acho essencial mostrar para os antigos e novos nutricionistas essa maneira de trabalhar.

Só que ao mesmo tempo, me vi novamente perdida. Eu trabalho com nutrição comportamental, mas isso não exclui o meu conhecimento técnico sobre várias áreas da profissão. Para várias pessoas (por puro desconhecimento, acredito eu) falaram e falam que nutricionista comportamental é mais ‘permissivo’, mas ‘tranquilo’, ‘não passa dieta’ e vários outros detalhes. E claro, junto com essa nova onda ainda vieram as pessoas que começaram a vender a nutrição comportamental como a resolução de todos os problemas da saúde alimentar, de uma maneira totalmente equivocada e heróica.

nutris

E aí eu decidi ser só nutricionista.

Se a gente vive nesse movimento pra não rotular as pessoas, porque tenho que me rotular, ou rotular minha profissão? Quer dizer que se eu for nutricionista esportiva, eu obrigatoriamente não posso atender uma pessoa sedentária? E se eu sou nutricionista comportamental, eu não posso abrir um pouco meu coração e começar um trabalho através de uma ferramenta que deixe o paciente mais seguro (um plano alimentar, por exemplo)?

Eu sei o que eu não faço: dietas loucas e restritivas, tratamentos baseados em  modismos e crenças que não fazem o mínimo sentido e qualquer coisa que envolva extremismo. 

Da mesma maneira que acredito existir um movimento entre odiar o próprio corpo e se obrigar a amá-lo (o body neutrality), acredito que existe um meio termo entre trabalhar com a idéia antiga da nutrição e o frisson causado pela má interpretação da nutrição comportamental. E é ali que eu quero estar, no meio do caminho, sendo uma nutricionista.

Posso usar algo da nutrição funcional, algo da esportiva, algo da comportamental, algo das minhas experiências em empresas e escolas… O que importa é olhar o meu paciente com cuidado e carinho, sabendo como abordar cada detalhe, e sem vender algo que não existe!

De uma forma ou de outra (intuitiva, principalmente) eu sempre utilizei muitas técnicas ou ferramentas que a nutrição comportamental utiliza. Resolvi estudar mais sobre esse lado sozinha, sem colaboração de algum curso específico – mas com ajuda de livros. Porém, quem tiver curiosidade de se aprofundar mais no assunto com ajuda técnica, eu indico alguns cursos, livros e instituições que podem ajudar:

ferramentas

IGPS, nutrição comportamental, Livro Nutrição Comportamental, Livro Terapia Cognitivo Comportamental, Livo Psicobiologia do comportamento alimentar

Até a próxima,

Marina