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19 de agosto de 2013

Informação emagrece?

19 de agosto de 2013

O light pode atrapalhar sua dieta

19 de agosto de 2013
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Os produtos lights e diet já invadiram os supermercados há muito tempo. Hoje em dia é até difícil achar algum alimento que não tenha sua versão light, zero ou diet. Mas qual a vantagem destes produtos?

Diet e Light: qual a diferença?

 

Diet: são aqueles produzidos de forma que algum de seus nutrientes não esteja presente na composição. Na sua grande maioria, os alimentos diet não tem açúcar. Mas existem produtos diet que são isentos de sódio, ou gordura, entre outros. Alimento diet não é significado de alimento com menos calorias! Por exemplo: Alguns chocolates diet não tem açúcar, mas tem mais gorduras, tornando a versão diet mais calórica do que a versão ‘normal’.
Light: atualmente* são aqueles que tem redução (no mínimo 25%) de determinado nutriente ou do valor calórico total. A grande maioria dos produtos light tem menos calorias que os produtos “normais”, mas existem casos que o valor calórico é o mesmo. Por exemplo, alguns molhos shoyu light tem redução de sódio, mas o mesmo valor calórico.
A maioria dos produtos light e diet utiliza os adoçantes como artifício para substituir a ausência do açúcar. Os adoçantes tem o poder de adoçar os alimentos sem aumentar o valor calórico.
O que pouca gente sabe é que uma alimentação rica em produtos light e diet nem sempre é a solução para a perda de peso, ou até a manutenção dela. Assim como adoçar tudo com adoçantes artificiais pode não ser uma boa saída.

Na verdade, os estudos com adoçantes ainda são muito recentes. Não sabemos, de fato, o verdadeiro impacto deles na nossa saúde. Devido a alta comercialização dos adoçantes artificiais, pesquisas começaram a ser feitas para relacionar o consumo de produtos diet e light e a obesidade, por exemplo. Os últimos estudos trazem a tona a pergunta básica: vale a pena substituir o bom açúcar pelo adoçante?

 A discussão…

Pense no corpo como uma máquina: ele está programado para responder a estímulos. Durante vários momentos (quando chega a hora da refeição, passamos na frente de um restaurante com uma comida bem cheirosa, ou vemos a foto de um prato bonito) nosso corpo se prepara para comer. Salivamos, nosso estômago ronca … isso é apenas o que nós podemos ver e sentir. Internamente nosso corpo está se preparando para receber alimentos, liberando ou inibindo a produção de hormônios, secreções gástricas e etc.Então comemos o que estamos com vontade – ou o que temos disponível – e o corpo utiliza o alimento como fonte de energia. Para cada tipo de alimento (gordura, proteína, açúcar) o corpo tem uma reação.

Os estudos sobre a utilização dos adoçantes discutem essas reações corporais. Quando comemos o adoçante, o corpo se prepara para receber açúcar, mas isso não é enviado. Ou seja, ele dispara uma quantidade de hormônios, secreções e etc, mas não existe alimento para se aproveitar dessas reações. Isso causaria uma ‘confusão’ nos processos de regulação de fome/saciedade: Falando de maneira bem leiga, seria algo do tipo “oi, eu sou o corpo. Achei que viria açúcar por aí, mas não veio. Agora fiquei com vontade de comer açúcar!!! Vai lá, e pega açúcar pra mim? Mas ao invés de você comer um pedaço pequeno de chocolate, você comerá uma barra inteira!”. Ele se preparou para tal, a comida não chegou. É como se a vontade depois dobrasse.

Outro fator estudado é a compensação de demanda energética. Como assim? Fácil: Para nos mantermos vivos precisamos de energia. Pra qualquer tipo de atividade. Quando ficamos um tempo maior em jejum, por exemplo, o corpo não “ah, que pena, não tem energia agora, mas já já vão me alimentar”. Como escutei uma professora falando (achei super legal o exemplo), o corpo pensa “putz… acabou a comida do mundo! Nunca mais vou comer!”. E então, na próxima refeição, ele aproveita todo o alimento e guarda como estoque, com medo de acontecer de novo.

Um dos maiores estoques de energia do corpo é o tecido adiposo (gordura!!!)

Entenderam a relação? Se você tem uma alimentação baseada em alimentos produzidos com adoçantes artificiais e mesmo assim tem dificuldade em perder ou manter o peso, é um sinal.

Lembrando que nas questões corporais, nunca existirá um único fator que te fará emagrecer. São conjuntos de fatores. Tem gente que come só coisa light e emagrece? Tem! Tem gente que come regularmente, até escapa um pouco e acaba comendo um pedacinho de chocolate quando dá vontade (eu!) e se mantém no peso por anos a fio? Tem! Tem gente que é “magro de ruim”? Também.

Não estou querendo dizer aqui que o adoçante ou os produtos diet/light são responsáveis pela obesidade. Uma vez um paciente falou “adoçante é coisa de gordo. Só vejo gordo usando adoçante”. Eu ri do que ele falou, e no final, faz um pouco de sentido. Talvez porque a pessoa consome e depois compensa de outras formas – ou o próprio corpo vai guardando a energia que deveria ter mas não conseguiu.

E qual a solução?

Produtos sem açúcar são, principalmente, destinados ao público diabético (hoje em dia sabe-se que o diabético bem orientado por um bom nutricionista pode até comer açúcar!). Nem sempre produtos dietéticos são uma boa solução para a redução da ingestão calórica. Então, se você quer emagrecer, não vá com muita sede ao pote nos produtos dietéticos.

Já os produtos light podem causar essa “compensação’ citada acima. A boa notícia é que nem sempre os produtos light tem adoçante: alguns iogurtes são light pela redução da quantidade de gorduras, sem adição de adoçantes artificiais.

 

Por isso eu sempre digo: não adianta só ler o rótulo, tem que ler os ingredientes!!! 

Se eu for utilizar o adoçante, qual escolher?

Isso é um assunto pra lá de controverso. Como eu disse, vários estudos já foram feitos querendo relacionar o consumo de adoçante com mil coisas (desde câncer até alzheimer). Não existem dados conclusivos. Se você não toma adoçante, eu sugiro não começar. Procure apenas regular o consumo de açúcar. Se precisar tomar, sugiro sempre os adoçantes a base de Steviosídeo.

Tendo em vista que adoçantes, na sua grande maioria, são artificiais, acredito que se puder evitar algo não natural, melhor.

Não existe nada comprovado. Alguns profissionais adotam como protocolo o rodízio de adoçantes. Eu sugiro não exagerar na dose. Se você já tem o hábito de usar adoçante, já pensou em não colocar em tudo que vê?

É importante lembrar que o exagero é prejudicial em qualquer caso. O consumo excessivo de açúcar também tem vários problemas. A qualidade do açúcar que você consome também. Se você come uma fruta, que claro, tem frutose – que é um açúcar – ainda assim será mais vantajoso que comer um chocolate com a mesma quantidade de sacarose. Isso porque a fruta é rica em vitaminas, fibras e minerais. O chocolate, em açúcar e gordura hidrogenada, e nada de vitaminas e minerais, por exemplo.

Quantidade de açúcar nos alimentos
Espero que tenham gostado!
Até a próxima,
Beijos
Marina

* A anvisa, em 2012, publicou uma Resolução (RDC) 54/2012 que alterou a forma no uso de termos como light. Essa nomeclatura só será permitida se houver redução de algum nutriente em comparação com o alimento de referência. Hoje em dia, pelo simples fato de um produto ter redução ou baixo teor de algum nutriente, já pode-se classificá-lo como light. Além desse fato, outros foram modificados. Pra saber, leia aqui