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Opinião: Revista Veja e a estética do risco

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A Veja dessa semana teve como matéria de capa a discussão das instafits – ou seja, mulheres que transformaram o prazer pelo fitness, saúde e magreza em moda nas redes sociais.
Apesar da maior parte do conteúdo da Veja ser um tanto questionável – e nem vou entrar nesse mérito aqui – achei a reportagem interessante.
Acho que a Veja falhou em um ponto: ela esqueceu de mencionar o incentivo que essas mulheres dão a outras, para que procurem a atividade física e a alimentação saudável. Isso é incrível, as instafits contribuem para que várias seguidoras procurem as academias, troquem o salgadinho pelo pão integral e bebam muita água.E daremos a César o que é de César: mesmo que algumas informações passadas por elas sejam questionáveis e sensacionalistas, não vamos negar que elas são fonte de inspiração inigualável para várias meninas.

Como são mulheres ‘reais’ – ou seja, não são modelos escondidas atrás de muito photoshop, maquiagem cirurgia plástica e produção – elas conseguem tornar tudo muito natural e possível. Porque sim, com dedicação, organização e força de vontade é totalmente viável. Ou vocês acham mesmo que elas chegaram lá sem muito trabalho?

Em outro ponto, acho que a Veja foi muito certa: o lado B da moeda, o fanatismo pelo corpo perfeito e uma quantidade mínima (e muito prejudicial) de gordura corporal. O risco da magreza como doença também foi bem colocado: as instafits talvez não tenham tanto conhecimento sobre a anorexia e outros transtornos alimentares. Eles são seríssimos e muito complicados de se tratar. Esse é um problema real e constante. Não estou dizendo que elas são responsáveis por tornar alguém anoréxica, mas acredito que a linguagem utilizada, em determinados casos, deveria ser revista.

Sinto que as vezes elas são assessoradas de maneira leviana pelos seus profissionais parceiros, transmitindo informações sensacionalistas e sem embasamento algum: o que tem de produto que acelera o metabolismo, melhora a função intestinal e ajuda na perda de gordura, já dá pra encher um supermercado. E sabemos que não é assim: milagre não existe. Além disso, acredito que exista uma imagem deturpada de saúde: se você se alimenta tão bem, de maneira tão natural e saudável, para que  tantos suplementos vitamínicos, minerais e proteicos? Porque se privar tanto de alguns momentos? Uma coisa é não gostar mesmo de um bolo de chocolate ou uma bola de sorvete. Outra é entrar na neurose total, achando que seu corpo vai interpretar uma fatia de pizza no domingo como uma afronta a sua saúde. Não é porque sua inspiração não faz que se você fizer será o fim do mundo.
Essas informações chegam ao público como uma bomba, e aí a idéia do instafit fica controversa: a idéia não estimular as pessoas a comer bem e ter dedicação – porque milagre não existe? Então porque responsabilizar determinados produtos como imperdíveis, sensacionais, incríveis? Porque trocar o queijo e o leite por 1 scoop de proteína? Porque colocar restrições intensas como equilíbrio? Ou vocês acham mesmo que tomar um chopp com pizza no fim de semana é a prova absurda de perda de auto controle? Acredito que é muito mais ‘comum’ você se alimentar bem numa totalidade e poder se permitir nos seus prazeres.

Vejo que muitas pessoas estão enxergando a alimentação como um crime – e muito disso vai pela dedicação e estilo de vida dessas mulheres. Talvez as pessoas estejam interpretando errado, talvez a linguagem utilizada por elas esteja errada. Não sei identificar, e nem pretendo. Mas eu sinto que está rolando um exagero: não se pode mais comer o alfajor que sua tia trouxe da viagem a Buenos Aires ou o brigadeiro da festinha do seu irmão: tudo isso vai parar nos quadris, e isso seria o fim (!!!).Por isso as leitoras devem ter filtro na hora de analisar qualquer informação: não só nos instafits da vida, em qualquer outro tipo de comunicação. Se você não gosta, não concorda ou acha um absurdo: não precisa atacar. Acho válido fazer uma crítica construtiva, ou mostrar seu ponto de vista. Mas daí a jogar pedra na pessoa já é demais. Do outro lado, quem trabalha com o público deve aprender a trabalhar os ouvidos. Existem pessoas que não concordam com algum detalhe – e isso não significa que ela não tem o direito de observar seu estilo de vida ou pontuar sua opinião. Nem tudo que as pessoas dizem é recalque e inveja.

Acredito que deveria existir uma melhora dos dois lados: as instafits vão continuar levando a vida assim: lindas, saudáveis e felizes (porque atividade física e alimentação deixa a vida mais feliz!) tendo mais cuidado, critério e precaução na hora de escrever uma informação, dica ou conselho – mesmo quando passado por profissionais. Acho até que algumas deveriam aproveitar todo esse pique e procurar uma faculdade de Nutrição, Medicina ou Educação física – seriam ótimas profissionais e melhorariam ainda mais o trabalho que fazem!

E as leitoras devem ter mais cuidado na hora de processar uma informação. Não é válido querer viver a vida do outro, ser o outro, ter o corpo do outro. Procure inserir no seu dia a dia o que você viu de mais legal, sem paranóias. Inspire-se no ânimo, no foco, na força de vontade e na vitalidade que elas transmitem. E sempre procurem um profissional sério para ‘lapidar’ toda a informação que vocês recebem!

E acima de tudo, encontrem o equilíbrio e tenham muito amor próprio!

Beijos,

Marina