Páscoa Saudável

6 de abril de 2015

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6 de abril de 2015

Os 12 pinos e as responsabilidades da internet

6 de abril de 2015
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Já tem um tempo que algumas polêmicas tomam conta da internet. Dentre elas estão a ‘campanha’ #EuTenhoCref e “Mayra Cardi Seca você”. Existem milhões de outras coisas sem noção por aí, mas essas duas foram as grandes ‘polêmicas’ dos últimos tempos.

Ontem vi uma reportagem compartilhada por várias pessoas da área de nutrição, sobre uma menina que teve uma fratura na coluna (e teve que colocar 12 pinos!) após tentar imitar um exercício visto na internet. Semana passada tive contato com uma pessoa que está fazendo tratamento para bulimia e anorexia e afirma que a internet e a ‘fitness mania’ fez parte na evolução do seu problema.

PERSONALDOINSTA

Até aí, muita gente que trabalha na área de saúde já viu muita coisa errada acontecendo. E acho que nem é meu mérito discutir sobre isso. De fato, algumas pessoas colhem informações de maneira autodidata e sim, converso de igual para igual com muitos pacientes que procuram saber sobre nutrição. A questão é que a minoria realmente se informa de maneira intensa, a maioria se mantém no nível superficial da informação, com interesses unica e exclusivamente financeiro.

Atenção! Todo mundo quer ganhar seu dinheirinho!!! Inclusive quem se forma para tal! Mas ética é bom, e todo mundo gosta!

Porém, o que me deixa mais impressionada são os comentários do tipo: “A culpa maior é de quem? Do irresponsável que ‘orienta’ ou do idiota que segue qualquer um?”. “Segue quem quer! Isso tudo é recalque porque o cara está ganhando dinheiro e o profissional não!”. “Acho que só quem é muito fraco psicologicamente, ou muito burro pra sair fazendo o que todos eles fazem à (sic) anos”.

Primeiro que classificar alguém como ‘idiota ou burro’ é simplista demais para explicar o porque isso tudo está acontecendo. E querer ver quem é mais culpado… perda de tempo né? Afinal, a culpa não está somente no sujeito somente, mas também na maneira que situação é colocada. E não é apontando o dedo que as coisas vão se resolver…

maoblog

O cara que quer vender a idéia de lifestyle saudável para ganhar dinheiro sem ser profissional da saúde está legalmente equivocado, sem dúvidas. A pessoa que quer seguir esse ideal está colaborando para que a situação ganhe mais e mais força, e prejudique mais pessoas e talvez as coisas só vão mudar quando algo sério ocorrer, ou alguém for punido. Fato.

Porém, a pessoa que segue e compra essa idéia vê aquele ali, que está vendendo o projeto seca barriga ou o exercício diferentíssimo como uma maneira de chegar onde quem vende está. Quem busca ser ‘igual alguém’ ou ‘ter aquela barriga’ se coloca em segundo plano, deixa de ser prioridade, deixa de ser o objeto central da sua felicidade, e transfere para o outro. Fazemos isso? O tempo todo. Só somos felizes se comprarmos aquilo, se tivermos aquela barriga, se namorarmos aquela pessoa, se calçarmos aquele sapato. E porque fazemos isso? Recomendo muitas horas de análise e de observação pessoal. E é aí que está o problema.

A responsabilidade de quem passa a informação errada não pode ser eximida. Mas entender o porque existe tanta platéia é essencial. Será que sua colega que passa o dia com o foco central em comer frango com batata doce porque ter a barriga da pessoa ‘x’ ou ‘y’ não seria muito mais auxiliada se, ao invés de você taxá-la de burra ou idiota, mostrasse a real situação da vida, de tudo?

Não sou a favor de pessoas inabilitadas (ou até habilitadas, que tem muitas) divulgarem informações equivocadas sem pensar na responsabilidade que elas carregam. Acho que punição (jurídica ou legal) deve existir… porque se depender do bom senso de quem faz isso, vamos ficar sentadinhos esperando!

Mas junto com a punição pela irresponsabilidade praticada por essas pessoas, sou a favor da reflexão sobre o julgamento do outro e a busca por algo que inexiste. Quem sabe assim, entendendo que aquele mundo cor de rosa do instagram fitness passa por momentos roxos, marrons e acizentados, o ibope dessas pessoas irresponsáveis não diminui?

Porque não paramos de julgar quem caiu no conto da carochinha, e ao invés de procurar um profissional sério, buscou alternativas rápidas? Porque ao invés de acusar e punir essas pessoas – além de chamá-las de burras, estúpidas e idiotas – não tentamos, de alguma maneira, entender o que se passa, e focar também na solução disso tudo?

Porque não começamos a entender que, se sua vontade é ter um corpo sarado é uma prioridade, está ok, desde que não ultrapasse os limites da sua saúde e amor próprio? (Já escrevi inclusive nesse post aqui sobre isso). E também, porque não começamos a avaliar se realmente a gente quer ter um corpo legal pela gente, e não porque a menina do instagram que tem aquele corpão tem uma vida que parece ser super legal? Será mesmo que é tão legal assim? E será que o legal dela é o mesmo legal que o seu?

internet

Acho que toda essa discussão deve ir além dos riscos e perigos REAIS E EXISTENTES dos perfis e ideais fitness. Essas pessoas só continuarão tendo abertura enquanto houver platéia, e essa platéia não vai mudar de idéia de uma hora pra outra, e muito menos sob os julgamentos de ‘burros’ ou ‘idiotas’. Que bom se você consegue enxergar que talvez a atitude de querer copiar o que o outro é ou faz é uma busca rasa e superficial. Mas já parou também para pensar que nem todo mundo é assim como você, e que apontar o dedo para essas pessoas não tem funcionado? Que tal se a gente procurar novas alternativas para mudar esse cenário?

E claro, vale lembrar que muitas vezes, infelizmente, os próprios profissionais da saúde se mostram irresponsáveis na hora de divulgar informações e que sim, esses também devem ser colocados sob a punição legal e a vista grossa de quem gosta de saúde de verdade.

Espero que tenham gostado, e que reflitam :)

Beijos