Receita rápida!

14 de agosto de 2013

Merenda Escolar

14 de agosto de 2013

Pequeno fofinho, adulto gordinho

14 de agosto de 2013
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O post ficou gigante, mas vale a pena ler! Para as mamães ou ( futuras)de plantão, principalmente! Mas todo mundo deve ler :)
Ontem uma paciente, que trabalha em uma escola infantil, me contou um caso sobre as opiniões das mães em relação as merendeiras… Hoje estava vendo um programa de TV no canal GNT sobre a alimentação infantil, e então resolvi  escrever sobre isso.
Atendo muito mais adultos do que crianças. E este é um motivo a mais para me preocupar: os adultos ‘gordinhos’ (na grande maioria) ou foram crianças gordinhas, ou sempre lutaram contra a balança ou tiveram pais gordinhos. E esses mesmos adultos acima do peso são ou serão pais – de crianças, claro.
Enfim… muito se fala sobre a alimentação infantil. É bom salientar que o metabolismo de uma criança é diferente do metabolismo de um adulto. O corpo está em formação. Por isso, se a criança é muito gordinha na infância, ela formará mais células de gordura, o que dificultará o processo de emagrecimento na fase adulta. Além disso, os hábitos são formados nessa época. São poucos os pais que não se rendem a birra de uma criança se matando porque foi proibida de comer um doce ou pacote de salgadinho tipo chips – “já temos tanto stress durante o dia! Chegar em casa e escutar criança chorando não dá” ou “Já passo pouco tempo com meu filho. Quando chego, quero vê-lo feliz. Se ele me pede algo, não posso negar”- é o que eu escuto constantemente.
O que poucos ainda não perceberam – ou fingiram não ver – é que a alimentação faz parte da educação infantil. Do mesmo jeito que ele deve saber a hora de dormir, de estudar e de brincar, ele  deve saber a hora certa de comer – e a hora de parar!
Estima-se que de cada 100 crianças (meninos e meninas) que apresentam quadro de obesidade aos 2 anos de idade, 15% conviverão com o excesso de peso ao longo da vida. Ao mesmo tempo, das crianças que chegam aos 10 anos obesas, 80% terão dificuldades sérias para emagrecer durante a vida. E isso não é nos EUA – famoso pela obesidade infantil: é no Brasil!
E como fazer pra educar as crianças? Tarefa difícil, mas nunca impossível. Algumas dicas – e suas explicações, abaixo:

– Não compense sua ausência com comida

Hoje em dia sabemos que a maioria dos pais trabalha full time, enquanto gerações passadas tinham somente o pai trabalhando, por exemplo. A vida era menos corrida. Criar e manter um filho não é barato e trabalha-se para isto. Mas os pais querem compensar a ausência. Então chegam em casa super cansados, e ao invés de sentar e fazer uma refeição saudável com o filho, levam-no as redes de fast food, ou vão para casa cheio de guloseimas. Qual a criança que não gosta? Nenhuma. Mas não faça isso. A educação alimentar começa por aí. Se toda vez que você for compensar algo com comida, a criança será educada a fazer dessa forma. Então será uma adulto que, se ansioso: come. Se triste: come. Se feliz: come. Sentar a mesa não é apenas um momento de alimentação saudável, mas é essencial para os elos entre pais e filhos. Ali você saberá como foi o dia do seu filho, as queixas, as dúvidas, as alegrias, os aprendizados.

– Dê o exemplo

A história de “faça o que eu digo mas não faça o que eu faço” não funciona. A criança tem que ver o pai e a mãe comendo, desde novinhos. Não dá pra querer que seu filho seja o supra sumo da alimentação se você se alimenta errado. O primeiro convívio social dos pequenos é a família. Tende-se a ‘imitar’ os pais. Não é diferente na hora de comer. Mas também é importante lembrar que a criança come uma quantidade diferente que você! Tem muito pai que coloca a mesma quantidade que o filho no prato! Nãoooooo!!! A criança é menor, come menos, necessita de menos substrato! A regra vale para a qualidade, e não para a quantidade.

– Não xingue, não grite, não dê piti (isso é papel da criança).

Se você colocou no prato e a criança não quis, paciência. Ela não vai morrer de fome. Ela vai chorar, berrar, urrar, dar um piti daqueles … mas não podemos fazer nada quanto a isso. A minha dica é: guarde o prato da criança (no caso de refeições) e deixe ela sair da mesa. Quando queixar fome, esquente o prato e ofereça novamente. Ela vai dar outro berro, mas é assim que você vai doutriná-la. Trocar o prato de comida por 2 iogurtes não está certo. Hora de comida é hora de comida, hora de iogurte é hora de iogurte, e assim por diante. Ah, e um danoninho não vale um bifinho!

– Doutrine o paladar da criança

Ou seja, não desista na primeira garfada ou colherada. Por várias vezes a criança vai cuspir, babar, jogar no chão, fazer um carnaval! Não desista. Para as crianças um pouco maiores, vale a pena colocar no prato, mesmo sabendo que elas vão recusar e deixar lá no cantinho. Não fique insistindo. Converse, pergunte porque não vai comer e pronto. Escute o que a criança tem a dizer. Mas deixe lá, sempre. As vezes a criança precisa provar diversas vezes o alimento – ou ter contato com ele – até gostar. É como vencer pelo cansaço. Claro que algumas coisas a criança não vai gostar mesmo, e vai passar a vida sem gostar. Eu tenho uma amiga que detesta feijão, por exemplo. Outra que odeia ovo. Eu nunca gostei de beterraba (e olha que coincidência, meu pai não gosta, nunca foi um legume frequente no cardápio da minha casa). Mas existe uma sutil diferença entre detestar uma coisa e detestar dez coisas diferentes. Outra observação: não tem jeito de dizer que não gosta sem provar!

– Ensine que comer não é obrigação, é um prazer

Hoje em dia existe um exagero quanto a alimentação. É taxado de saudável quem só come lights, diets, integrais e não comete nenhum deslize. Comeu um pedaço de bolo? Só correndo 10 km para salvar sua vida! Comer um pedaço de pizza domingo a noite? Esquece, você está fora do grupo dos saudáveis. Mas a vida não é assim. Ok, cada um tem uma opção. Mas uma criança criada neste sistema tem altos (altíssimos) riscos de desenvolver problemas futuros – anorexia, bulimia. Além disso, ela vai associar comida a situações negativas. Essa regra vale também para os adolescentes. A criança tem que entender que chocolate é bom, todo mundo gosta. Mas que chocolate não se come toda hora e todo dia: tem que deixar pro fim de semana, feriado, ou na festinha do amigo. Um clássico é o refrigerante. O que mata a sede é água. Deixe o refri para ocasiões especiais – e SEMRE dê a opção do suco natural! Deixe o fast food pro passeio no shopping aos sábados, e assim por diante. Mas você deve sempre dar mais opções e explicar que aquilo ali não é pra se fazer todos os dias. Crianças tem um potencial de absorção mental altíssimo: não adianta falar porque sim e porque não, tem que explicar o porque.  Fazer o seu filho preparar a refeição com você também é uma excelente idéia!

– Explique que cada pessoa é de um jeito

Seu filho ou filha provavelmente vai questionar porque ele leva maçã para a escola e 80% dos amigos levam Chips. Vai se sentir excluído e ridicularizado. Mas boa notícia: isso passa. Hoje em dia as boas escolas estão (ou devem estar) preparadas para estimular o consumo consciente dos alimentos.

– Não compre ‘besteiras’

Uma mãe uma vez me ensinou como ela fazia com seu filho: montou uma “caixa da besteira”. Ensinou para a criança que aquela caixa existia pra ocasiões especiais, finais de semana ou aniversários. No sábado, após o almoço, ela abria a caixa e a criança pegava um item – e tinha que consumi-lo durante o fim de semana todo. Se comesse tudo de uma vez, acabava, e não tinha direito de repetir (da mesma forma que os pais geralmente fazem com a mesada). E se sobrava, no domingo a noite voltava para a caixa. A criança acostumou com isso e entendeu que não precisa ser o diabo da tasmânia e sair comendo a barra de chocolate inteira em uma hora. Mas a solução geral é não lotar a dispensa de besteirinhas. Deixe as guloseimas para momentos definidos e/ou especiais.
 

– Gerencie a merendeira do seu filho

Enquanto é possível levar o lanche – e fugir das cantinas cheias de besteiras – coloque o máximo de opções saudáveis na merendeira. Frutas, iogurtes (nada de produto light ou diet, a não ser que exista uma restrição), castanhas, queijos frescos (evite os processados), sucos naturais, sanduiches de pãezinhos, e até bolos simples podem entrar na merendeira. Hoje em dia existem modelos térmicos – e até escolas que oferecem formas de armazenamento. Eu sugiro que – claro, procure um profissional primeiro – os pais façam um cardápio. Sente com a criança, algumas canetinhas e papéis: planejem e desenhem a rotina alimentar, tornando algo criativo. Deixe a criança opinar e participar deste momento. Algumas escolas sugerem um ‘dia da porcaria’. Eu mesma quando era criança tinha esse direito. Acho interessante, mas se toda a turma participar. Inclusive algumas mães reclamam que os filhos fazem birra se levam lanches saudáveis, porque os amiguinhos estão levando salgadinhos… falam que causa “problema de socialização”. Me desculpem, mas problema deste tipo deve ser tratado como tal, e não colocar a culpa na comida. Todo mundo já foi criança e sabe que isso passa. É necessário conversar muito com a criança – psicologia infantil pesada. Comida de verdade é comida fresquinha – e não salgadinho, achocolatado na caixinha, etc. Acho que todo mundo sempre ouviu da mãe “e por um acaso você é todo mundo?” quando veio com aquele papo “todo mundo faz isso, ou todo mundo faz aquilo”. Tem que ter pulso firme, não adianta. Inclusive isso ajuda no ato da criança dizer “não! estou bem assim, obrigada”.

– Nunca desista!

Eu sei que tudo isso é super difícil… Mas a educação alimentar deve começar desde cedo – cedo mesmo, desde que a criança começa a comer. Deixar para fazer aos 7, 8 ou 9 anos, será bem mais complicado. Não dá pra ceder a tudo que a criança pede. Se você não cede a uma birra no shopping por causa de um presente fora de época, porque iria ceder para a alimentação, algo tão importante?
O legal mesmo é procurar um profissional sério. A opção de ter um filho vem com várias obrigações, e a mais séria delas é educar. Encare a alimentação do seu filho como uma parte deste processo. E uma parte muito importante!
Espero que tenha ajudado!
Até a próxima,
Beijos
Marina