Não seja um bolo de padaria

31 de julho de 2015

Óleo ou Gordura?

31 de julho de 2015

Projeto Pampulha – K21 series

31 de julho de 2015
bolodepadaria
Qual gordura
k21

Já me perdi nas semanas do Projeto Pampulha. Mas ele continua acontecendo!

Estou sem regularidade nos posts do projeto porque as semanas vem acontecendo naturalmente: treinos de corrida e fortalecimento.Mas nesse intervalo rolou a K21 Maresias e vou contar certinho como foi!

Dia 18 de julho fiz minha primeira prova de montanha. A k21 series! Já havia comentado aqui sobre, e estava super ansiosa para chegar! E chegou (e já passou, buáááá!). Gente, foi MUITO, MUITO, MUITO legal. Uma verdadeira aventura em todos os sentidos.

Como já havia contado, comecei numa assessoria que é forte nas provas de montanha. Quando fui apresentada a essa modalidade (antes mesmo de começar a correr) eu imaginava: “corrida de aventura? No meio do mato? Não dá pra correr o tempo todo? hmmm… sei não hein, vou ficar no asfalto”

Que bom que a gente muda nossa cabeça, e como diria Raul Seixas, eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo!

E para quem  duvidou de si mesma quando começou a correr, não é tão estranha essa mudança de perspectiva sobre o assunto.

Pois bem… após ser gentilmente pressionada  influenciada a fazer a prova de Maresias pela minha treinadora (Ma<3), comecei a procurar sobre essas provas – e fazer os treinamentos aos sábados, alguns em montanha. A minha treinadora falava “você vai entrar pro mundo das montanhas e não vai sair”, e eu pensava “hahahaha ah vá! Essas provas loucas em montanha, não sei quantos km, atravessando rio, asfalto, barro, terra, mato, subida e descida?”.

Spoiler: continuo achando meio louco, mas realmente comecei a querer fazer parte dessa maluquice toda

E então chegou o dia, que estava LINDO, o céu azul, tudo perfeito. Até a hora da largada… E então eu comecei a ficar daquele jeito: MUITO nervosa.

prova e treino

Minutos antes meu batimento cardíaco estava explodindo e mil coisas passaram na minha cabeça: todos os motivos que me levaram a correr, nos treinos, em como eu queria estar ali e tudo era uma grande novidade, em coisas pessoais, em como queria terminar aquela prova, nas lições da treinadora, nas pessoas que queriam me ver cruzando a linha, nos meus aprendizados, enfim… foram aqueles minutos de tensão eternos provocados pelo nervosismo pré corrida e pensamentos aleatórios. E esse momento se estendeu até os 30 primeiros minutos de prova.

Tenso!

Tudo isso somado medo de não conseguir, da vontade querer de terminar a prova dentro do combinado com a treinadora (2 horas de prova!)… olha, foi uma novela na minha cabeça, pelo menos nos 20 primeiros minutos. Era a briga do medo contra a vontade única e exclusiva de voltar inteira e feliz. Mas hora NENHUMA pensei em desistir.

Até que fui ficando calma. O relevo logo de cara era bem irregular, muitas subidas, muita gente, muita caminhada… quando comecei a conseguir correr com ritmo fiquei calma. Coloquei a cabeça no lugar, atravessei riachos (muita aventura pra mim, hahaha) e fui focando na prova. Até que chegou uma subida que juro, eu só pensava “%$#%@!#$%, ferrou! Mas vamos lá!”. Nessa altura do campeonato eu já via muita gente voltando, passando por mim e eu pensava “ok, vou ser uma das últimas, mas tudo bem, tenho que completar”.

Mas como diria Atticus Finch no livro ‘O sol é para todos': coragem é entrar numa batalha mesmo sabendo que você pode perder.

Eu subi gente… eu subi sem olhar pra trás. Me senti corajosa e subi, subi, subi, na maior animação… E olha… era subida viu? Hehehehe. Até que cheguei ao topo e hora de dar a volta para retomar o caminho até a linha de chegada. Então quando comecei a descer e ver MUITA gente ainda subindo. Nossa… vocês tinham que ver a minha cara de alegria! Eu só pensava “eu não vou ser a última!” e quando olhei no relógio vi que ia dar tempo de chegar no tempo que combinei. Eu desci tipo sem medo!

Aí foi a melhor parte, só alegria, sem nervosismo, muita empolgação! Até ultrapassei algumas pessoas, me senti importante, hahahahaha. E quando vi a linha de chegada lá na frente, ufa, foi libertador! Eu nem pensava em nada, só fiquei muito feliz – meio abestalhada, mas feliz! Se eu tivesse focado um pouco mais na prova e não no meu nervosismo, logo no começo, eu teria ido ainda melhor. Mas isso fica de aprendizado para próximas experiências.

Terminei a prova em 2:05 minutos e não dava para acreditar! Fiquei até meio lesada depois. Sei lá, eu tava meio boba, muita adrenalina, muita informação pra lidar, não caiu a ficha, fiquei meio tantan… Não estava cansada, não senti dor, parecia que meu corpo estava mais leve, porém meio anestesiado. Era uma mistura de sentimentos que olha, nem dá para tentar explicar.

Passada a euforia e a sensação de não entender nada, depois de lidar com todos os fatos, de digerir tudo que estava acontecendo ali, retomei meu estado normal. Mas confesso que só na segunda feira eu realmente tive noção do que tinha acontecido naquele dia. E que em Dezembro sentiria aquilo tudo de novo na minha cidade natal, mas sem a parte do nervosismo descontrolado, só aquela ansiedade gostosa.

Foi  muito intenso e realizador para mim, porque nunca me vi fazendo aquilo tudo, muito menos naquele tempo estimado, sentindo aquilo tudo. A primeira experiência é sempre inesquecível. E foram vários aprendizados!

cruzandoalinhaFisicamente foi muito bom! Como eu disse algumas linhas acima, antes eu achava loucura e pensava ‘jamais conseguirei!’. Agora eu tenho noção total de que tudo é uma questão de disciplina e treinamento.

Mentalmente foi melhor ainda. Eu fiquei muito ansiosa no começo e depois da prova. Depois eu vi o quanto é essencial digerir o nervosismo e que a graça está em relaxar e curtir – ao invés de ficar criando expectativa, tentando adivinhar o que vem depois. Eu tendo a ser assim em coisas da vida, trabalho, etc…

Depois daquele dia, estou usando essa experiência como um aprendizado, uma forma de melhorar em todas as esferas da vida. Não é fácil, mas aproveitar muito mais o agora, pensando no momento, sendo plena, sem preocupar tanto com o amanhã, é bem menos estressante . Obviamente não dá para ser assim o tempo todo, a gente se frustra sempre, mas as frustrações também fazem parte do aprendizado.

Meu pai sempre me diz para fazer a minha parte, confiar em mim e desconfiar do acaso. E é mais ou menos isso que concluí:

” Confie em você, faça sua parte e deixe o acaso colaborar também!”

Profissionalmente, mudei MUITO a minha visão sobre esportes, competições e atletas. Vi que nossa cabeça comanda nosso corpo mais do que a gente imagina, o quão trabalhoso é ser ou estar atleta, que disciplina é essencial e o quanto devemos admirar essas pessoas que se dedicam! Seja a prova de corrida de rua, de montanha, o Iron Man, as Olimpíadas ou outro esporte… não importa!

Quem se coloca sob um treinamento físico merece muita compreensão e respeito. Eu jamais entendia como podia passar na cabeça de um ser humano fazer um Iron Man ou qualquer outra prova maior (maratonas, ultramaratonas, por exemplo). Hoje eu não só compreendo essa motivação, como apóio e coloquei outras provas (que jamais achei que faria) na minha ‘lista de coisas para realizar em vida’. Se elas vão acontecer, eu não sei.. Vou confiando em mim e fazendo minha parte, o acaso se encarrega da parte dele. Quando eu fizer, farei questão de descrever minhas experiências.

E a prova me fez aumentar um dia de treino. Quero melhorar meu ritmo e velocidade: antes fazia quarta/sexta e alguns sábados – todos de manhã – e agora adicionei um treino de tiro na segunda. Além de continuar firme e forte na musculação.

Me sinto bem escrevendo isso tudo. Reforço a idéia de que a atividade física é mais uma oportunidade de auto conhecimento e disciplina, e isso é EXCELENTE. Outro dia uma paciente querida me disse que ficou muito entusiasmada com meus posts sobre o assunto, e que até comentou com o treinador que queria correr mais! Fico muito feliz de incentivar de uma maneira tão positiva. Eu realmente estou adorando a corrida e faço com muito prazer e disciplina, porque o resultado final é impagável!

Espero que tenham gostado!

Mil beijos!