Quer emagrecer? Tudo bem!

22 de janeiro de 2015

Fome da Alma

22 de janeiro de 2015

Raio Fitnessador

22 de janeiro de 2015
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Mês passado li uma reportagem no Estadão sobre o raio gourmetizador (quem quiser, tem ela aqui. Essa matéria fala sobre o fenômeno de ‘gourmetizar’ os alimentos, ou seja: comidas simples e triviais contraem (ou não) características ditas gourmet e viram verdadeiras especiarias da gastronomia.

O fenômeno foi tão comentado (é engraçadíssimo!) que virou página no facebook e um post no Buzzfeed – ambos muito divertidos (que você pode ver aqui e aqui).

No meio disso tudo, comecei a perceber que as pessoas estão valorizando as receitas, tudo pelo apelo ‘saudável’.

Kibe Saudável (ao invés do trigo, quinoa. Ao invés da carne, Quinoa). Brigadeiro Funcional. Suco Amarelo Detox. Omelete Fit. Arroz de Couve Flor. Todas – e várias outras – preparações tem como consumidor final aquela pessoa que ainda não aprendeu que não é o alimento e nem a denominação fit/funcional/diet/light que vai te fazer mais saudável ou mais magro, mas sim um consumo consciente.

E todas essas receitas foram atingidas pelo RAIO FITNESSADOR.

raiofitnessador

Nada contra quem gosta de tomar suco verde detox, omelete fit ou algo parecido. Acho que esses alimentos podem sim ser incorporados as dietas. Mas pra quê o disfarce? Dá nos nervos!

O ‘brigadeiro funcional’ por exemplo. Esse me faz contorcer de antipatia. Afinal, vocês conhecem brigadeiro sem função? Escrevi isso no facebook do blog e várias pessoas comentaram. Dentre elas, alguém falou “a função do brigadeiro é engordar”. Claro, se todo dia você comer uma grande quantidade de brigadeiro, provavelmente irá ganhar peso. Mas se todo dia quiser comer um brigadeiro, é totalmente possível – e até emagrecer fazendo isso. É uma questão de balanço energético, ou seja, gastar mais que consumir.

A função do brigadeiro é adoçar nossa vida numa festinha, matar a vontade, curar a saudade, celebrar a alegria ou espantar – nem que seja por um segundo – a tristeza. Porque comida alimenta não só o estômago e nossas células, mas também alimenta a alma. Aquele brigadeiro maravilhoso, com leite condensado, manteiga e chocolate… hmmm…. Quentinho na panela ou enrolado no granulado cura uma dor de cotovelo como nem sua melhor amiga consegue! #quemnunca

brigadeiro

E aí outro dia uma leitora me perguntou sobre o arroz de couve flor. Dizia que já viram servindo em SPA e queriam saber se era positivo, pois já não comia arroz há muito tempo.

Fiquei me perguntando: será que ela não come arroz porque não gosta ou porque ~engorda~? Se for porque não gosta, ok. Mas se for porque engorda… tsc, tsc, tsc.

Arroz é arroz, couve flor é couve flor. Arroz de couve flor não passa de uma couve flor bem pequenininha e cortadinha, depois cozida e temperada. Fica com cara de arroz? Pode até ficar. Tem gosto de arroz? Não. Tem menos calorias que o arroz? Sim. Mas alimenta como o arroz? Não. E de nada adianta transformar o arroz em couve flor pelo raio fitnessador se no final do dia seu consumo energético for maior que o necessário (ou se seu gasto for menor).

O arroz engorda se consumido num contexto onde ocorre um balanço energético positivo, ou seja: consumo > gasto. Caso o contrário ele não engorda, e pode até ajudar a emagrecer. O arroz (tanto o branco quanto o integral) é uma fonte de carboidratos, ou seja, de energia. Se você evita as fontes energéticas no almoço, por exemplo, pode ser que logo mais busque por outra opção, provavelmente mais calórica. Resultado: tirou aquele arroz delicioso do prato a toa!

Além disso, não faz sentido dar o nome a algo que verdadeiramente não é. Comer arroz de couve flor não é como comer arroz para o corpo, e não é mudando o nome de ‘couve flor picada e cozida’ para ‘arroz cozido’ que vai tornar aquele alimento mais saudável.

Ah, e tem também o kibe de peixe – para deixar o kibe mais saudável! Tiram o trigo e colocam a quinoa, e trocam a carne pelo peixe). Quem disse que o trigo e a carne não são saudáveis? Se você tem alguma restrição (doença celíaca, vegetarianismo) ou simplesmente não gosta dos ingredientes, ok trocar. Afinal, a quinoa é um alimento bacana? É. Mas o trigo também! Então, troquem os ingredientes, mas KEEP THE NAME OF KIBE ALONE!

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Pessoas que amam comer sempre são as melhores pessoas!

Isso não quer dizer que não existam ‘adaptações’ que nos ajudam muito. Eu, por exemplo, tenho minhas noites de glória com minha pizza de pão sírio. Não é pizza, mas tem gosto de pizza, e me faz evitar o excesso que seria pedir uma pizza em plena segunda feira. Porque claro, temos que abrir mão várias vezes na nossa vida – o que está LONGE de ser uma restrição. Afinal, não temos que sair comendo feito loucos desvairados, mas sim encontrar o equilíbrio. E não é mascarando uma receita (seja pelo nome ou pelos ingredientes) que vamos obtê-lo.

Por isso, muito, muito, muito cuidado ao se deparar com receitas ditas ‘saudáveis’. Talvez você esteja mascarando a vontade de comer algo, se iludindo, e indo atrás de algo ‘paralelo’, sem a mínima necessidade.

Não adianta trocar o brigadeiro pelo funcional se você não sabe estabelecer quantidades. Equilíbrio minha gente, equilíbrio!

Vamos respeitar os omeletes, sucos, brigadeiros, bolos, cupcakes, kibes, pães de queijo (arrrrggggghhhhhhh, ODEIO QUEM CHAMA OUTRA COISA QUE NÃO SEJA POLVILHO, QUEIJO, LEITE E ÓLEO DE PÃO DE QUEIJO)!

Todo alimento tem seu papel, sua hora e seu lugar!

Mil beijos,