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Vou contar sobre os remédios para emagrecer

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Semana passada foi o assunto foi capa da IstoÉ.

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Em 2011 a Anvisa proibiu a fabricação e venda dos derivados de anfetamina (femproporex, anfepramona, etc) e regulou a prescrição da sibutramina.

A sibutramina é uma medicação que atua inibindo a recaptação de noradrenalina, serotonina e dopamina – neurotransimissores que estão relacionados ao apetite. Explicando de maneira bem superficial: quando impedimos a recaptação deles, moderamos o apetite, e assim pode ocorrer o emagrecimento.

Os anfetamínicos atuam no Sistema Nervoso Central e tem uma função anorexígena.

Ambos medicamentos tem efeitos colaterais. Algumas pessoas relatam irritabilidade, hiperatividade, tensão, insônia, ansiedade, palpitação, stress. Outras pessoas não reclamam de efeitos colaterais.

E como toda história, existem dois lados. De um lado, a opinião daqueles profissionais que continuam concordando com a proibição da ANVISA, uma vez que esses medicamentos podem não só causar dependência, como podem trazer uma perda de peso pouco significativa. Além disso, após a suspensão do remédio algumas pessoas podem recuperar o peso.

Outros profissionais combatem a importância desses medicamentos, tendo em vista que eles modulam processos do sistema nervoso que levam a hiperfagia, aumento de apetite, entre outros.

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A minha opinião

Logo que saí da faculdade de nutrição eu tinha extremo preconceito com qualquer tipo de medicação (não só para emagrecer!). Mas depois que comecei a trabalhar – inclusive com um médico que me ensinou muito e que em alguns casos receitava medicações – mudei o meu modo de ver. A minha opinião é que o remédio não salva ninguém, porque muitas vezes o excesso de peso está relacionado a um desequilíbrio comportamental (ou psicológico, ou emocional), e não adianta nada tomar remédio e continuar encarando a alimentação da mesma forma. Quando feitos em conjunto aí sim, pode ter aplicabilidade.
Por isso digo que não sou contra os remédios, mas sim contra a generalização de diagnósticos.

O que isso quer dizer?

Sou contra prescrever uma medicação somente para suprir o desejo de um paciente – ou seja, somente porque alguém chegou ao consultório querendo tomar um remédio porque a amiga da vizinha da prima tomou. Cada caso é um caso e é necessária muita conversa e entendimento sobre o quadro do paciente. Algumas pessoas podem ter indicação, mas provavelmente a maioria consegue reduzir o peso com uma intervenção comportamental – ou seja, reeducação nutricional.

Também sou contra prescrever qualquer medicamento (ou passar qualquer tratamento, seja ele qual for) sem explicar tim tim por tim tim para o paciente. Desde as reais expectativas, os riscos, os possíveis efeitos colaterais.

Acredito também que de nada adianta proibir a prescrição desses medicamentos mas encontrá-los de maneira ilegal.

E para finalizar, sou contra indicar uma medicação de maneira pontual: é necessário um controle alimentar. Ou então, na suspensão desse medicamento, pode ocorrer o ganho de peso – e ficar nesse efeito sanfona só prejudica!

Resumindo: sou a favor de reeducação alimentar, mas entendo que, caso seja necessário, remédios podem complementar o tratamento da OBESIDADE, desde que esse acompanhamento seja feito por médicos, de maneira individualizada, em decorrência de um problema orgânico. E sobretudo, que o paciente esteja ciente de que não existe milagre.

Além disso, sou a favor de uma vista grossa do CRM sobre os profissionais da saúde (sobretudo médicos) que fazem a prescrição de medicamentos de maneira equivocada e muitas vezes de maneira desnecessária.

O interessante da revista IstoÉ foi mostrar o interesse da indústria farmacêutica em forçar a aprovação desse decreto legislativo. Segundo a revista, ‘alguns congressistas contam que foram procurados por emissários de empresas farmacêuticas condicionando doações para a campanha eleitoral desse ano’.

Além da sibutramina e dos anfetamínicos, existem ainda outros medicamentos utilizados para emagrecimento – mas que a priori são prescritos para outras doenças: diabetes, alzheimer, parkinson e depressão. E a minha linha de raciocínio segue a mesma: realmente é necessário? Qual a real eficácia desse tratamento? As benesses ultrapassam os efeitos colaterais?

Por essas e outras, se você está pensando em se medicar, lembre-se que uma reeducação alimentar deve ser levada em consideração durante ou até antes de iniciar o tratamento. Porque uma vez interrompido o tratamento com os remédios (ou outras alternativas, como as dietas restritivas) você pode retomar seu peso, e sofrer com os efeitos colaterais dos remédios.

Esses continuam sendo os melhores remédios para a saúde…

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Espero que tenham gostado!

Beijos,

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