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Tô com fome!

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Chega a ser engraçada a visão que muita gente adotou da alimentação. Além do ‘pode quase nada’, as reações quando os viciados em vida fitness vêem alguém comendo algo condenado chega a ser cômico. Mas acima disso tudo está a preocupação com a fome.

COMABEM

Parece que desde que surgiu a idéia de que temos que comer de 3 em 3 horas, sentir fome é o fim dos tempos. As pessoas chegam ao meu consultório falando “eu sinto fome!!!!” ou “agora que vou mudar minha alimentação, eu vou sentir fome?”. Parece que sentir fome se transformou em um péssimo sinal que nos aproxima da comida (e claro, vocês sabem, estamos fadados a odiar comida).

Afinal, todo mundo só pode achar gostoso se for sem glúten, sem sal, sem lactose, sem gordura. Nem pensar em dizer que adora comer e muito menos que sente fome.

Mas não é assim.

Sentir fome é natural e super saudável.

Nosso corpo precisa de uma quantidade mínima de energia para suas funções vitais, ou seja, para nos manter vivos. Nossos sentidos da fome são orquestrados por vários aspectos. O nosso comportamento alimentar é um fenômeno complexo, que ocorre de acordo com impulsos psicológicos e fisiológicos. A fome é um sinal de que algo está faltando, e que precisamos nos alimentar.

No nível psicológico, apetite e consumo estão aquém do controle fisiológico, e sãoditados por sentimentos, expectativas, situações sociais, hábitos, cultura, religião, costumes e outros…

No nível fisiológico, somos orquestrados por diversos hormônios e estímulos. A ciência hoje em dia já sabe que alguns desses hormônios (leptina, grelina, peptídio Y, GLP-1, polipeptídeo pancreático, insulina, glucagon, etc) e determinadas regiões cerebrais (como o hipotálamo) fazem parte desse ajuste finíssimo, que nos leva sentir ou não fome.

Nosso corpo pede comida quando ele percebe que está faltando energia, além de seguir um ritmo muitas vezes proposto por nós: por isso a importância de criar um padrão para nossa alimentação, principalmente no que diz respeito a horários. Psicologicamente, o copor pede o que nos deixa feliz, o que nos consola, o que nos conforta. E vamos combinar, passar fome é a pior coisa pro humor!

desculpe

Sentir fome nos horários adequados e fazer escolhas corretas no momento da fome é super normal e legal! Muitas vezes o problema não está na fome em si, mas no ‘nível’ de fome que sentimos, além da escolha alimentar que fazemos quando estamos com fome.

Algumas pessoas fogem tanto da fome, que quando ela aparece não sabem lidar. Outras desconsideram aquele primeiro sinal de fome, e quando vão ver, já estão comendo até o pé da mesa. Passar por cima da fome não é solução.

Além disso, existe a diferença de ‘deixei de ter fome’ (o famoso ‘fiquei satisfeito’) e ‘estou sem fome mas continuo comendo’. É a fome fisiológica x fome psicológica. Você sabe reconhecer até onde vai uma e começa a outra? Quem pode te ajudar a avaliar isso é um nutricionista! E claro, você, de acordo com os sinais que recebe no seu dia a dia.

Mas se você é aquela pessoa que come de maneira totalmente desequilibrada, em excesso, e procurou um nutricionista, minha palavra é: vai sem medo! Se você come muito (comer muito é realmente comer em excesso ok?) e quer perder peso, provavelmente vai precisar reduzir o consumo – isso não quer dizer restringir, mas sim equilibrar. Não quer dizer comer pouco, mas sim comer de maneira correta. E ao final, issso também quer dizer que você não precisa passar fome para emagrecer!

O ‘tripé da fome’ é uma boa forma de avaliar como lidamos com isso. Veja como funciona:

O que me sacia?

Cada pessoa tem uma tolerância! Tem gente que come um pedaço de bife com salada e já está saciado por 5 horas… outras já sentem fome 3 horas após. AVALIE OS SINAIS! Tecnicamente, sabemos que fibras e alimentos com maior taxa proteica/gordurosa dão a sensação de saciedade aumentada… mas e no dia a dia?

Quando sinto fome?

Algumas pessoas acordam sem fome nenhuma, mas na hora do almoço estão urrandooooo desesperadas querendo comida. Nesse caso, comer sem fome talvez seja interessante, para evitar o excesso na próxima refeição. Outras pessoas tem uma fome letal a noite – e acabam atacando toda a geladeira. Neste caso, talvez o consumo esteja desequilibrado durante o dia. É importante ter essa percepção clara: será que não é melhor deixar o consumo de alimentos que saciam mais rápido para os momentos de maior fome? A fome está associada a outro fator (ansiedade, cansaço, etc)?

 

Fome ou vontade de comer?

Quando você está ansioso você come mais ou menos? Se você come um pedacinho de chocolate após o almoço, isso diminui sua ansiedade por doces no restante do dia? Quando você sente fome, procura comer o que? E quando está com vontade de comer? Essas perguntas são algumas que podemos responder para aprendermos o que é fome e o que é vontade de comer. Geralmente pergunto: “se você pensa que está com fome, imagine que vá comer uma dessas opções: maçã/ prato de arroz com feijão / uma torrada com queijo. Isso vai ‘matar’ sua fome? Ótimo, era fome. Se ela não é suficiente e você pensou em uma barra de chocolate, 4 fatias de pizza ou 1 pote de sorvete, provavelmente isso não é fome, mas vontade de comer. E tudo bem sentir vontade de comer, somos seres humanos e as vezes não merecemos resistir a aquele delicioso pedaço de bolo cheiroso… O problema é quando a regra vira exceção, e fome/vontade de comer se misturam sem chances de discernimento.

PENSENAFOMEO resumo final é: sintam fome e não tenham medo dela! Aprendam a conviver com fome e gula! Não é passando fome que você vai emagrecer, mas sim dando as quantidades necessárias ao seu corpo!

Se escute, se alimente…

Espero que tenham gostado!

Beijos!