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Vamos fazer uma dieta ‘intox’?

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Vamos fazer intox?

Dieta é moda?

Alimentação é moda?

Alimentação é moda?

Ontem vi uma receita de pesto detox. Não é brincadeira, eu vi mesmo. Eu tive uma leve vontade de chorar junto com uma vontade de rir.  Nomear uma receita básica da gastronomia de detox é pra fazer o Alex Atala querer largar o avental!

Na segunda feira li um texto enumerando os mil e um benefícios da dieta ‘paleo’. A dieta paleo consiste, basicamente, em se alimentar apenas de carnes, frutas, sementes e vegatias. Nada de lácteos ou industrializados. Quem teve essa idéia imaginou como os homens das cavernas viviam e considerou o que eles comiam, uma vez que nosso genoma foi selecionado naquela época, há mais de 10 mil anos atrás. Ou seja: nosso genoma está pronto para se alimentar baseado no estilo de vida dos ‘uga uga’. Pensando em evolucionismo, faz sentido. Mas o homem das cavernas também vivia em constante luta e fuga (ou seja, se exercitava muito mais), não tinha que ‘trabalhar’ ou ficar confinado em escritórios escuros sem a facilidade de ter acesso a alimentos naturais.

Há alguns anos eu tive o meu primeiro contato com ‘dieta’. Foi bem antes da faculdade. Lembro de ler sobre a dieta Atkins e ver celebridades exaltando a prática desse tratamento. Na faculdade uma amiga brincava dizendo que, quando queria emagrecer, fazia a dieta ‘só posso comer coisas da terra’ – ou seja, só alimentos que são plantados (vegetais e frutas). Imagino que se ela tivesse lançado essa dieta na época, ela talvez estaria com a conta bancária cheia.

E depois de várias análises, cheguei a conclusão que o legal é dar nome aos bois, ou melhor, aos tratamentos. Já foi dieta Atkins, dieta Dunkan, dieta do Abacaxi, da Luan, Dietas e alimentos detox, dieta paleo… todas com uma mesma ideologia: sintetizar um tratamento que (de maneira geral) é e deve ser lento em apenas uma palavra. É fazer o que todo mundo quer: tornar algo ‘difícil’ em mágico.

Gente, por favor: parem!

Comam comida, não comam palavras!

#eatgirl

#eatgirl

O pesto é pesto desde que foi inventado (há muito tempo atrás!) e não tem nada de detox no pesto! É super gostoso, e se você souber comer com consciência ele vai fazer O MESMO EFEITO DO PESTO DETOX! Chamá-lo de pesto detox não vai torná-lo mais especial, mais interessante, mais importante e mais saudável. Encare a comida como comida.

Alimentação é algo básico, o ser humano não fica sem comer. Vejo que as pessoas só encaram os alimentos se eles têm alguma conotação mágica. A receita de suco de couve com laranja existe desde o dia que a minha avó menstruou pela primeira vez, e a bisavó dela sabia que ela deveria tomar para não ficar anêmica. Agora é suco detox? Quer dizer, e se não tivesse a palavra detox? Tem gente que ama aveia… mas agora só se fala em chia. Quer dizer, a aveia foi rebaixada a ponto de desmerecimento, deixou de ser saudável para dar lugar a chia: mas o objetivo das duas é basicamente o mesmo!

Parem de tratar a alimentação como moda, como se toda comida tivesse que ter uma marca além do próprio nome. Comida não é a bolsinha grifada que aparece em todos os looks do dia das it girls nas semanas de moda ou nas festinhas badaladas.

‘Ah Marina, mas então porque existem essas dietas?’ – Simples: porque vende!

Fazer um tipo de dieta é como comprar a roupa da estação. Há dois anos atrás todo mundo usava Sneakers (lembram dos tênis com salto interno embutido? que eu, inclusive, comprei um) e tomava chá verde. TODO MUNDO TOMAVA CHÁ VERDE E USAVA SNEAKERS.

Era moda em 2012...

Era moda em 2012…

Esse ano todo mundo faz detox e usa pied de poule.

É moda em 2014!

É moda em 2014!

Mas se atentem para uma coisa: o máximo que pode acontecer com quem segue a moda a risca é ficar igual uma it girl (ou cair no cheque especial depois de gastar fortunas para ficar igual a uma). Com quem segue dietas ‘da moda’ podem acontecer várias coisas: transtornos alimentares, frustrações sérias e problemas de saúde (além, claro, de poder fazer um rombo na sua conta bancária para acompanhar tanto produto milagroso e suplemento caro!).

Você pode emagrecer comendo apenas alimentos com nome próprio, sem marca: arroz e feijão, leite, queijo…

Então gente, mais ‘intox’ por favor!

Ao final de todas essas dietas com nome e sobrenome, o que eu vejo são pessoas sentadas no meu consultório, cheias de dúvidas que nem sabem que existem. Vejo pessoas que dizem entender de tudo de dieta, mas que ao final não entendem nada. E o pior: vejo gente que tem medo da comida, e isso é muito triste!

Entre no processo ‘intox': não compre um alimento como se fosse uma bolsa da estação. Procure um profissional e se alimente sem medo: se você não morder a comida, ela acabará te mordendo!

Beijos e até a próxima!

Marina

Ps: um beijo para a minha pequena grande melhor amiga, Migs Tê, que me ensinou o termo ‘intox’ e eu já adotei pra vida! :)