Bronca da Nutri

Bronca da Nutri

Nos meus primeiros anos de consultório, quando eu já não concordava com essa história de dieta restritiva e tinha meus questionamentos sobre a pressão da perda de peso, era comum algum paciente chegar no consultório dizendo que ‘estava com medo de tomar bronca'. Eu, que nunca fui muito boa em dar ordens e delegar funções, me perguntava o porque do medo, sem entender.

Com o tempo observei que esse medo tinha, de maneira geral, um histórico. As pessoas que tinham mais medo de nutricionista eram aquelas que já haviam passado com alguma e levaram broncas homéricas.

Há um mês atrás fiz uma enquete lá no meu instagram: “Quem aqui já foi num nutricionista e tomou uma bronca?”. Então reuni aqui algumas respostas que recebi com alguns perigos sobre esse tipo de abordagem:

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A doce infância de São Cosme e Damião

Dia 26 de setembro (para os católicos) é dia de São Cosme e Damião. No dia 27, comemoram os Candomblecistas ou Umbandistas. Eles são protetores dos gêmeos e das crianças e muitas histórias justificam o ato tradicional de distribuir doces para as crianças nesses dias. Saquinhos recheados de balas, doces e pirulitos são distribuídos por quem é religioso ou devoto dessas duas imagens.

Não é no Brasil inteiro que essa prática é comum. Quando eu era criança, em Barbacena, no interior de MG, lembro de ter ganhado algumas balas em dia de São Cosme e Damião. No Rio de Janeiro também sei que existe esse costume.

Semana passada eu recebi uma mensagem que mostrava como montar um “saquinho saudável de São Cosme e Damião”. Era uma sugestão para trocar todas as balas e quitutes típicos da época por: biscoito de arroz, pipoca de canjica, chocolate 70%, castanhas, barra de cereal, balas de algas marinhas, pipoca e frutas secas.

O saquinho de cosme e damião faz parte de uma simbologia, é cultura. Não é um saco cheio de balas ricas em açúcar e corantes, que podem fortalecer a obesidade infantil - afinal, um saquinho de balas não tem o poder disso. Aquele objeto, entregue as crianças brasileiras - assim como as americanas recebem doces no Halloween - conta uma história, tem um significado para quem dá e para quem recebe.

Os saquinhos de Cosme e Damião ou os brigadeiros do aniversário não são a grande causa da obesidade infantil, mas o terrorismo em cima de alimentos tão simbólicos são a causa para a péssima relação com a comida que crianças e adultos estão desenvolvendo.

Entender que comida vai muito além de nutrientes é essencial para uma boa saúde. Não comemos O QUE, mas também COMO, ONDE, QUANDO, COM QUEM e PORQUE. Não faz sentido querer que seu filho coma maçã no aniversário: é ali que ele tem que entender que coxinha e brigadeiro são verdadeiras delícias, mas que, de maneira geral, tem hora e lugar.

 Fonte:  pinterest

Fonte: pinterest

Quando limitamos e aterrorizamos qualquer criança (ou adulto) com saquinhos sem graça de Cosme e Damião, estamos ensinando a classificar os alimentos em bons ou maus, dando abertura para que fantasiem o proibido, que, vocês sabem, é sempre muito mais gostoso - sobretudo se feito escondido. Isso sem dizer que muitos desses alimentos são pouco nutritivos e ricos no temido açúcar evitado pelo ‘saquinho saudável'.

Enquanto insistirmos em oferecer biscoito de arroz e bala de alga marinha no lugar de caramelo ou pirulito que bate bate, fortaleceremos o terrorismo nutricional que faz com que uma criança devore uma caixa de bombons ou uma mesa de brigadeiro em poucos minutos.

Atitude saudável é ensinar que todo alimento é saudável dentro de um contexto específico. O saquinho de Cosme e Damião é só uma embalagem com algumas delícias contadoras de histórias.

Tá pago! (no crédito)

Tá pago! (no crédito)

"Festinha hoje a noite, vou tomar uns drinks, comer umas coisas diferentes... bora malhar pra acumular uns créditos, né?". "Treininho de hoje tá Pago". 

Parece que falar esse mecanismo é quase obrigatório de quem quer se manter sarado ou se mostrar preocupado com a 'saúde'. A idéia de que se você malhar bastante vai acumular créditos para poder comer depois ou subir correndo na esteira para poder 'pagar a dívida' de ontem é muito disseminada, mas uma inverdade. Nosso corpo não é um banco: não existe essa de crédito, débito, dívida, cheque especial ou empréstimo. 

Essa compensação não é apenas errada no ponto de vista biológico, como prejudicial no ponto de vista psicológico.

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Emagrecer e ficar magro

Emagrecer e ficar magro

 O IMC é o índice de Massa Corporal que pode determinar o estado de saúde através do peso. O cálculo do IMC é feito através do peso dividido pela altura ao quadrado, e o resultado indica alguns estados como magreza, eutrofia, sobrepeso e obesidade.

Esse índice é muito utilizado em estudos populacionais e em consultórios médicos e nutricionais. Mas muitas vezes seu manejo não é muito bom e pode se tornar o início de uma vida de prisões alimentares e luta contra a balança. Quem nunca ouviu um médico/nutricionista "você TEM que emagrecer!" e ficou apavorado querendo perder peso a todo custo, ou conhece alguém que depois dessa ordem ficou achando que estar magro era essencial pra uma boa saúde? Mas nem sempre magreza é garantia de saúde!

Como assim?

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Diálogo

Diálogo

Christine experimenta vestidos para sua festa de formatura enquanto sua mãe aguarda do lado de fora do trocador: "Está muito apertado, droga!". A mãe, do outro lado, diz: "Bem, eu disse para você não comer aquele segundo prato de macarrão". Contrariada, Christine bufa e a mãe completa: "Querida, você parece estar brava com isso, mas eu só estou tentando ajudar"

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