Arroz de Couve Flor

Acho que a maioria lembra daquele conselho da Bela Gil, de substituir quase tudo por linhaça. Isso na época deu o que falar e rendeu muitos memes engraçadíssimos. Que bom que pelo menos rendeu alguma coisa boa. 

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Passado o tempo da Bela Gil, surgiu o arroz de Couve Flor. Não sei quem começou com essa moda, mas essa substituição acabou de desestruturar o bom senso, já abalado pelo brigadeiro de whey e pela coxinha de jaca.

Tanta tolice na nossa mesa tem que ter uma explicação. Talvez seja responsabilidade  tal da dieta low carb (que alguns insistem em chamar de 'estilo de vida'), porque acho difícil que essas idéias sejam criadas a partir da vontade de melhorar a alimentação das pessoas.

A maneira como se prepara e apresentar os alimentos é bem importante: pupunha e abobrinha desfiadas tem seu valor, tornando-se lindas e gostosas quando fazem as vezes de um macarrão. Mas aquilo ali nunca será um. E o mais importante: nunca terão a função dele.

E porque chamo essas substituições de tolices? Justamente pela sua funcionalidade, que falei aí em cima. O arroz é uma fonte de carboidratos e proteínas (sim, tem aminoácido no arroz, tá?) e sua função biológica é gerar energia para nosso corpo (a famosa calorias). Ele também é protagonista da alimentação de várias culturas, e segundo o wikipedia, responsável por alimentar mais da metade do mundo.

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A Couve Flor é uma hortaliça pobre nos macronutrientes mais presentes no arroz, e apesar de ser um alimento excelente, não se assemelha nenhum pouco ao arroz. Então por qual razão as pessoas acreditam que faz sentido substituir uma coisa pela outra? 

Meu palpite? As calorias. A necessidade de reduzir o consumo calórico é o grande motivador dessas invenções. Mas você sabe o que começa a acontecer quando tentamos reduzir esse consumo calórico a todo custo? Nosso metabolismo entra em estado de atenção e faz de tudo e mais um pouco para não gastar energia, podendo até gerar mecanismos para que a gente forneça energia a ele... sabe aquele papo de 'restrição gera compulsão'? Pois é. 

O mesmo acontece com o macarrão de abobrinha e pupunha: fontes energéticas substituídas por legumes. Deliciosos? Sim. Mas você acha mesmo que quando tudo que você mais deseja é um prato de macarrão, seu corpo vai aceitar 1 dúzia de fios de abobrinha? Claro que não!

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Como eu disse lá no começo do texto, eu acho essas soluções muito legais porque variam a apresentação do alimento, e muitas vezes isso é necessário pra gente começar a consumí-los. Sou a última a negar a criatividade na cozinha, mas a primeira a defender a função de cada um. 

Cuidado se você está procurando substituir suas receitas preferidas porque acredita que elas são prejudiciais. Vamos parar de achar que o gostamos nos engorda ou nos faz mal, vamos apagar as listas de 'pode' e 'não pode' e acabar com essa idéia de carboidrato vilão. 

E não digo para abandonar a abobrinha, o pupunha, e a couve flor (o brigadeiro de whey é pra abandonar sim, por favor): é para comer porque você gosta desse jeito, e não para substituir outro alimento. Também não estou falando para comer um pacote de macarrão diariamente, porque isso não é saudável: é para comer macarrão quando der vontade, respeitando seus sinais de fome e saciedade, sendo feliz, sem classificá-lo como bom, ruim ou péssimo. 

Aguardo ansiosamente o dia que substituiremos os alimentos da moda por mais bom senso!

Até a próxima,

Marina