Postagens em Comportamento Alimentar
Idade de Dieta

Na minha ‘pesquisa’ realizada semana passada, perguntei com quantos anos as pessoas haviam feito a primeira dieta - ou visitado, pela primeira vez, algum profissional que a recomendasse. Os resultados foram esses.

No consultório percebemos que a história é realmente essa: crianças, cada vez mais novas, são submetidas a restrições alimentares. O peso de ‘ter que emagrecer’ - ou melhor, ‘ter que ficar magra(o)’ - começa muito cedo.

Entendemos que a obesidade infantil é um problema, e uma boa educação alimentar infantil é a base sólida para bons comportamentos tardios. Porém, creio que ainda há muito o que se trabalhar quando pensamos na forma de comunicar sobre o assunto.

Leia Mais
De onde vem essa balança?

Há alguns dias fiz uma enquete nos stories do instagram com 3 perguntas. Elas eram:

Com qual idade você fez a primeira dieta ou visitou o nutricionista/endocrino? -

Quem foi a pessoa determinante para que você fizesse uma dieta (ex: “pai”, “mãe”, “eu mesma” etc)? -

Hoje, olhando para a época que você começou a tentar emagrecer, você acha que precisava (em relação ao peso, corpo, etc)? -

Pensei em fazer essa enquete porque escuto as histórias se repetindo no consultório: “A primeira vez que me falaram pra fazer dieta eu tinha uns 12 ou 13 anos”, “minha mãe/avó/pai que me levou até o médico/nutricionista, dizia que eu precisava emagrecer”, “eu pedi para ir porque via minha mãe indo” e “hoje, olhando para trás, vi que não precisava fazer dieta ou podia se abordado de outra maneira”.

Leia Mais
Quando não vou mais pensar em comida?

“Quando vai chegar o dia que eu nunca mais vou precisar pensar em comida?”

Nunca. Eu espero que esse dia demore a chegar, pois quando ele chegar, você não estará mais viva.

Essa idéia de que estabelecer uma boa relação com a alimentação significa não pensar a respeito dela é uma expectativa muito comum de quem não quer mais fazer restrições. Como se a boa relação com o alimento fosse um ponto final, e não um caminho.

E é justamente esse o detalhe: depois de tanto tempo de dieta, fica difícil tornar as escolhas tão intuitivas e automáticas. Se desesperar porque está pensando muito em comida é comum, mas costumo dizer para os pacientes que pra pensar pouco em comida, você precisa pensar muito nela antes!

Quando se está de dieta, o pensamento também existe e é constante. Ficar analisando se isso ou aquilo engorda/emagrece é algo que acontece o tempo todo. Não é apenas no momento da refeição, mas antes e depois, e de uma maneira muito desgastante.

Mas aí você decide que não quer mais viver numa prisão e procura ajuda. A nutricionista que te ajuda vai te usar várias estratégias ao longo do tempo: entender como funciona sua alimentação, estruturar sua alimentação, te questionar sobre seus sinais físicos de fome e saciedade, observar suas crenças e respeitar suas vontades e fragilidades. Te guiando, você segue o caminho.

Leia Mais
Gravidez, alimentação e expectativas

“Tudo bem se você virar uma comedora de Club Social”, foi o que a médica me falou na minha primeira consulta pré natal. Com 4 semanas de gravidez e ainda sem nenhum sintoma, saí do consultório pra casa tranquila e pensando sobre minha organização alimentar nos próximos meses.

Então começaram as minhas reflexões sobre esse período que gera tanta fantasia no imaginário das mulheres. Passada a fase difícil, decidi escrever sobre isso, considerando minha experiência no consultório com outras gestantes, a observação do meu próprio corpo e minhas percepções sobre as informações divulgadas acerca desse assunto.

Leia Mais
Respeitável Fome

Dos princípios básicos do comer intuitivo está ‘respeitar a sua fome', ou ‘honrar a sua fome’. Isso significa não negligenciá-la, perceber como ela surge, como ela se manifesta, e como ela vai embora, através de sinais e sintomas físicos e comportamentais.

2. Honre sua fome: mantenha seu corpo alimentado com energia e carboidratos suficientes. Caso contrário, você poderá começar a comer em excesso. Uma vez que você atinge o ponto máximo da fome, todas as tentativas de moderar e comer conscientemente se tornam passageiras e ineficazes - retirado do texto ‘Comer Intuitivo - Intuitive Eating - GENTA'.

Depois de muitos anos de dietas, restrições e tentativas de emagrecer, esses sinais de fome e saciedade se perdem. Algumas pessoas só percebem que precisam comer quando estão numa escala ‘10’ da fome: sentem dores de cabeça, tremores, irritações intensas e precisam comer o quanto antes.

Leia Mais
PAZ(coa)

Domingo, 21 de abril de 2019, celebra-se o domingo de páscoa. Os ovos de chocolate, símbolo maior dessa data, já estão nos supermercados antes do carnaval. Produtores de ovos caseiros já estão a todo vapor, e a preocupação com o chocolate consumido também.

Algumas pessoas se negam a comer chocolate: “eu prefiro nem comer, porque se eu como, eu não paro mais", é o que a maioria diz. Se a afirmação não é essa, a justificativa é a seguinte: “o meu problema é que eu gosto de chocolate, sabe?”. Eu costumo lembrar que gostar de chocolate, algo tão gostoso, não é um problema, e sim uma questão de paladar - ainda brinco dizendo que problema é quando você gosta de substâncias estranhas, como shampoo, sabonete, pedra…

E acho sempre importante explicar que ficar sem comer chocolate não é a solução para não abrir essa 'porta’ para o excesso. Muito pelo contrário: restringir só aumenta o consumo na hora da permissão.

E com a páscoa chegando daqui 30 dias, muita gente opta por não comer chocolate até lá, já que quando a data chegar, haja chocolate! Outras procuram soluções supostamente mais saudáveis, como ovos sem lactose, sem glúten e sem açúcar.

Leia Mais
Balança é equilíbrio?

Fiz uma enquete outro dia. Perguntei quem tinha balança em casa, desde quando se pesavam com frequência e com quem haviam aprendido. 60% respondeu que tem balança em casa. Desses 60%, 27% disseram que se pesam desde a infância, e 54% das pessoas que se pesam desde a infância disseram que aprenderam o hábito vendo os pais se pesando.

Se pesar pode ser bom ou ruim: há quem se beneficie do ato de subir ba balança de tempos em tempos, porque isso pode auxiliar a se manter num peso que elas julgam interessante, na ausência de restrições e dietas. Sabe aquela pessoa que tem uma boa relação com a comida, não vive de dieta, nunca tem alterações grandes de peso e vive uma relação de neutralidade com o próprio corpo? Se você é essa pessoa - ou seja, não sofre pra se pesar, não se escraviza pelo número e mantém um peso sem grandes oscilações de número e comportamento - siga no seu hábito.

Leia Mais
Gordofobia Médica

Quando me formei, comecei minha vida no consultório de um médico que tinha uma idéia diferente da que eu tinha sobre obesidade. Me formei na faculdade de nutrição junto com centenas de outras nutricionistas que acreditavam (e várias ainda acreditam) que para emagrecer bastava ‘fechar a boca’ e que ‘todo gordo é assim por preguiça/falta de vontade/etc’.

Eu também acreditava que todo gordo mentia no consultório - lembrando que aqui não uso a palavra ‘gordo’ como algo pejorativo, mas como uma característica física. Aquele papo de ‘eu como pouco e mesmo assim não emagreço’ não tinha uma razão para mim.

Leia Mais
Raspando o prato!

Fartura e excesso de comida são comuns na mesa Brasileira. A máxima “melhor sobrar do que faltar” rege nossa vida culinária e alimentar. Mas isso gera um consumo exagerado e um hábito difícil de largar: deixar comida no prato e parar de comer quando estamos satisfeitos e saciados.

A sensação de desperdício, a culpa da frase “tanta gente morrendo de fome, e você deixando comida no prato” e aquela ordem proferida por 9 de 10 mães brasileiras “tem que comer até raspar o prato” tornam a opção de comer além da nossa saciedade numa obrigação.

E geralmente é nesse excesso que moram o problema e a solução. O problema: depois de anos raspando o prato, comemos até nossa barriga ficar cheia, com aquela sensação de que no nosso estômago não cabe nem mais uma azeitona. E confundimos isso com ‘estar saciado’. Ou seja: pensamos que só com a barriga lotada é que nossa fome vai embora. Raspando o prato, vamos ganhando peso e comendo além do suficiente.

Leia Mais
Vou contar sobre a Whole30

Ficar 30 dias sem comer açúcar já é comum no fantástico mundo da internet. Outros alimentos e ingredientes também fazem parte desse tipo de 'desafio’ - que nada mais é que uma restrição disfarçada de de atitude bem intencionada, como escrevi aqui nesse post.

Agora imagine ficar 30 dias sem: açúcar ou adoçante (nenhum tipo), álcool (nem pra preparar um risotto), grãos (como arroz, milho, aveia, etc), oleaginosas (amendoim, pasta de amendoim, castanhas, etc), leite e derivados e nenhum alimento processado ou ultraprocessado. Se você já está craque em decifrar dietas, pode perceber que essa é mais uma que deixa disponível para você come apenas carne, frango, peixe, ovos, legumes, verduras, algumas frutas e água. Ou seja: uma nova dieta da proteína.

WHOLE30

Essa dieta que descrevi acima se chama Whole30 e foi criada por Melissa e Dallas Hartwig, um casal americano que deu vida a essa ‘nova forma de se alimentar’.

Leia Mais
Vou contar sobre os shakes

Shakes dietéticos são velhos conhecidos do mundo do emagrecimento. Me lembro das propagandas de cinturas envolvidas em uma fita métrica e um copo da bebida que se assemelhava a um milkshake de chocolate estampando várias páginas de revistas. Também me lembro dos carros com adesivos Herbalife, e até hoje é só dar uma volta pelas academias que você verá muita gente com sua garrafinha sendo sacudida pra lá e pra cá logo depois de acabar a malhação.

Eu, na minha inocência, acreditava que as pessoas já tinham entendido que trocar refeições por shakes não é uma boa opção. Ledo engano: a pergunta ‘o que você acha de shakes’ ou ‘você recomenda um dia de sucos detox?’ são perguntas frequentes por aqui - e lá no instagram do blog.

O PODER DOS SHAKES

A promessa dos shakes é proporcionar o emagrecimento com saúde ‘pois uma porção equivale a uma refeição e é nutritivamente completo’ ou ‘garante a quantidade necessária de nutrientes de uma refeição'. Em geral recomenda-se substituir 2 ou mais refeições pelo shake.

Leia Mais
A última Ceia

A última Ceia, descrita na Bíblia em vários evangelhos, representa o momento antes da paixão - morte e crucificação de Jesus. Nessa ceia, Ele teria sentado com os apóstolos e dividido a refeição.

Em Santa Maria delle Grazie está o afresco de Leonardo Da Vinci que representa esse momento. A imagem muito conhecida por todos, ateus ou crentes. A pintura - feita na parede de um refeitório - é incrível e emocionante de ver.

A última ceia bíblica ocorre antes de Páscoa para Jesus. Mas para muitas pessoas aqui, do plano terreno, ela acontece quase diariamente. A sensação de “tenho que comer isso porque não sei quando vou comer de novo, já amanhã eu volto/começo a dieta” é recorrente - mas também muito comum em uma época de celebração cristã: o Natal.

Leia Mais
Metas para 2019

Acho que é comum traçar metas para o novo ano que começa. “Ano que vem eu vou…” é a amplificação de “segunda eu começo”, mas de uma maneira mais agressiva e esperançosa.

Não vejo problema nenhum em fazer metas, eu até encorajo o hábito. Desde que seja algo consciente e realizável, pois de nada adianta encher uma folha de objetivos a cumprir e chegar ao final do ano com a frustração de não ter feito nada.

Dietas, atividade física e emagrecimento sempre estão nas metas mais listadas. E também nas maiores frustrações nos consultórios de nutricionistas e terapeutas. E tudo bem você pegar o ânimo do ano novo para colocar em prática algumas mudanças que quer fazer, mas já pensou em encarar isso de uma maneira diferente?

Leia Mais
Eu acho que nunca vou conseguir emagrecer

Muita gente quer estabelecer uma boa relação com a comida. Só que, na maioria das vezes, esse desejo vem com frases do tipo: “Mas tem como fazer isso e emagrecer? Dá pra diminuir minhas compulsões e perder peso? Porque eu preciso muito emagrecer. Questão de estética, mas também de saúde, sabe?”.

Bem, eu não posso afirmar. Porque não sei o dia de amanhã, depende muito do protagonismo e da entrega do paciente no tratamento (nada fácil, mas super possível) e, sobretudo, depende do metabolismo de cada um.

Se eu fosse chutar um número, diria que 95% das pessoas que tem uma queixa similar a essa aí em cima, passaram por várias dietas. Várias. Tomaram remédios e fizeram as restrições mais absurdas, as vezes até as duas coisas juntas. Por isso eu nunca sei dizer se vai rolar um emagrecimento no processo de ‘fazer as pazes com a comida'. Porque o vai e vem do peso causado por restrições e permissões podem causar danos irreparáveis ao metabolismo.

Leia Mais