Postagens em Reflexões
Quando não vou mais pensar em comida?

“Quando vai chegar o dia que eu nunca mais vou precisar pensar em comida?”

Nunca. Eu espero que esse dia demore a chegar, pois quando ele chegar, você não estará mais viva.

Essa idéia de que estabelecer uma boa relação com a alimentação significa não pensar a respeito dela é uma expectativa muito comum de quem não quer mais fazer restrições. Como se a boa relação com o alimento fosse um ponto final, e não um caminho.

E é justamente esse o detalhe: depois de tanto tempo de dieta, fica difícil tornar as escolhas tão intuitivas e automáticas. Se desesperar porque está pensando muito em comida é comum, mas costumo dizer para os pacientes que pra pensar pouco em comida, você precisa pensar muito nela antes!

Quando se está de dieta, o pensamento também existe e é constante. Ficar analisando se isso ou aquilo engorda/emagrece é algo que acontece o tempo todo. Não é apenas no momento da refeição, mas antes e depois, e de uma maneira muito desgastante.

Mas aí você decide que não quer mais viver numa prisão e procura ajuda. A nutricionista que te ajuda vai te usar várias estratégias ao longo do tempo: entender como funciona sua alimentação, estruturar sua alimentação, te questionar sobre seus sinais físicos de fome e saciedade, observar suas crenças e respeitar suas vontades e fragilidades. Te guiando, você segue o caminho.

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Antes e Depois

“Art. 58 É vedado ao nutricionista, mesmo com autorização concedida por escrito, divulgar imagem corporal de si ou de terceiros, atribuindo resultados a produtos, equipamentos, técnicas, protocolos, pois podem não apresentar o mesmo resultado para todos e oferecer risco à saúde.”

Esse é o artigo do Código de Ética do Conselho Federal de Nutrição (2018), que diz respeito ao famoso formato de foto “antes e depois”, amplamente divulgado nas redes sociais. O código de ética é direto: mesmo com autorização, você não pode fazer uma montagem do seu paciente tirando uma foto na frente do espelho comparando antes e depois - e nem usar a sua imagem para tal.

DIa 4 de julho a nutricionista Camilla Estima fez, no seu instagram, uma postagem sobre isso. E eu fui lá acompanhar os comentários. Só faltou a pipoca e o guaraná para ler o que li por ali.

Algumas pessoas sugeriram que isso não devia ser problema porque essas imagens forneciam motivação para quem precisa. Outras questionaram que já tem tanta gente de fora do mundo da nutrição fazendo isso, então qual o problema de nós nutricionistas seguirmos nesse caminho? E teve gente que falou que o mundo evoluiu, e que esse tipo de serviço é essencial para a divulgação do trabalho.

Mas será que essas justificativas são razoáveis? Coloco aqui minha análise sobre o assunto.

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No Netflix: Homecoming

Homecoming é o filme/documentário sobre o show de Beyonce no Coachella de 2018. Após um tempo fora de turnê, Beyoncé retornou como atração principal no palco do festival californiano. Como a primeira mulher negra a ocupar essa posição, Beyoncé preparou um verdadeiro show, que fez Khaled apelidar o evento de Beychella, tamanho o espetáculo.

O show não marca somente a volta da diva pop, mas também é uma grande oportunidade de reflexão sobre os negros. Beyoncé convidou estudantes negros de universidades historicamente negras para compor a grande banda universitária, que compartilhou o protagonismo com a cantora.

As mulheres também são lembradas nas letras apresentadas, como Me, myself and I, Run the World, Flawless, entre outras. É um show de cor, música, dança, e até quem não é fã da Beyoncé fica de boca aberta.

Mas em uma das cenas, Beyoncé entra num tema polêmico: dieta.

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Balança é equilíbrio?

Fiz uma enquete outro dia. Perguntei quem tinha balança em casa, desde quando se pesavam com frequência e com quem haviam aprendido. 60% respondeu que tem balança em casa. Desses 60%, 27% disseram que se pesam desde a infância, e 54% das pessoas que se pesam desde a infância disseram que aprenderam o hábito vendo os pais se pesando.

Se pesar pode ser bom ou ruim: há quem se beneficie do ato de subir ba balança de tempos em tempos, porque isso pode auxiliar a se manter num peso que elas julgam interessante, na ausência de restrições e dietas. Sabe aquela pessoa que tem uma boa relação com a comida, não vive de dieta, nunca tem alterações grandes de peso e vive uma relação de neutralidade com o próprio corpo? Se você é essa pessoa - ou seja, não sofre pra se pesar, não se escraviza pelo número e mantém um peso sem grandes oscilações de número e comportamento - siga no seu hábito.

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Gordofobia Médica

Quando me formei, comecei minha vida no consultório de um médico que tinha uma idéia diferente da que eu tinha sobre obesidade. Me formei na faculdade de nutrição junto com centenas de outras nutricionistas que acreditavam (e várias ainda acreditam) que para emagrecer bastava ‘fechar a boca’ e que ‘todo gordo é assim por preguiça/falta de vontade/etc’.

Eu também acreditava que todo gordo mentia no consultório - lembrando que aqui não uso a palavra ‘gordo’ como algo pejorativo, mas como uma característica física. Aquele papo de ‘eu como pouco e mesmo assim não emagreço’ não tinha uma razão para mim.

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A noiva obesa

O que o pós parto da Isis Valverde e o vestido de noiva de Carolina Dieckman tem em comum? Uma justificativa: “é que todo mundo quer sair bem na foto!”.

Entendo. Eu também gosto de tirar fotos bonitas, você também gosta. Mas o instagram, e essa super exposição que estamos observando e participando, está trazendo muita ansiedade e frustração para o click do dia.

A intenção não é crucificar essas pessoas, mas sim usar suas fotos e falas para questionar a idealização em torno de todos esses momentos que uma grande parte das mulheres vive: casamento, gestação e maternidade. Essas mulheres também foram educadas no mesmo molde que nós, e elas vivem num meio onde um dos maiores valores é a aparência física. Não estou defendendo nenhuma delas, até porque, na minha humilde opinião, elas deveriam pensar e refletir no poder que cada comentário dito por elas pode influenciar um zilhão de mulheres que estão presas em padrões e ilusões. Mas aí já não é um problema meu.

Minha função aqui é discutir sobre várias questões que impulsionam imagens do instagram e entrevistas ao Serginho Groisman.

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Metas para 2019

Acho que é comum traçar metas para o novo ano que começa. “Ano que vem eu vou…” é a amplificação de “segunda eu começo”, mas de uma maneira mais agressiva e esperançosa.

Não vejo problema nenhum em fazer metas, eu até encorajo o hábito. Desde que seja algo consciente e realizável, pois de nada adianta encher uma folha de objetivos a cumprir e chegar ao final do ano com a frustração de não ter feito nada.

Dietas, atividade física e emagrecimento sempre estão nas metas mais listadas. E também nas maiores frustrações nos consultórios de nutricionistas e terapeutas. E tudo bem você pegar o ânimo do ano novo para colocar em prática algumas mudanças que quer fazer, mas já pensou em encarar isso de uma maneira diferente?

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O que você quer para o seu verão?

O verão está chegando. Já já os clubes e praias estarão mais cheios que o habitual. Vem o carnaval e todo mundo está semi-nu na rua. Delícia de época, né?

Não pra todo mundo. E nem digo praqueles que não toleram calor. Digo pra quem sofre com a chegada da época, pelo simples fato de ter que encarar uma roupa de banho e curtir essa época. Pra quem pinga de calor pra não colocar um vestido ou uma roupa de alcinha.

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A roupa da alma

Eu passei minha infância e pedaço da adolescência visitando a cidade da minha avó nos feriados, alguns finais de semana e muitas férias. Ibertioga é uma cidade de 5 mil habitantes no interior de Minas, onde meu pai cresceu.

Desde aquela época a vizinhança da minha avó se manteve basicamente a mesma. Numa das casas, mora a Elaine. A Elaine é uma moça super simpática que me conhece desde pequena. Há pouco tempo ficamos amigas no facebook, e desde então virei verdadeira fã das suas frases e reflexões por lá.

Dia desses ela postou essa frase linda, numa reflexão que fez no meio de um jardim de cactos. Aquilo mexeu comigo de uma certa forma, porque frases de efeito, na maioria das vezes, me dão preguiça. Mas essa fez sentido - e me fez pensar.

Na terra da internet, as it-girls viraram blogueiras, que viraram instagramers e agora são influenciadoras. Mas na verdade, a influência delas sempre foi grande sob a maioria, mesmo antes de receberem o adjetivo adequado.

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Bronca da Nutri

Nos meus primeiros anos de consultório, quando eu já não concordava com essa história de dieta restritiva e tinha meus questionamentos sobre a pressão da perda de peso, era comum algum paciente chegar no consultório dizendo que ‘estava com medo de tomar bronca'. Eu, que nunca fui muito boa em dar ordens e delegar funções, me perguntava o porque do medo, sem entender.

Com o tempo observei que esse medo tinha, de maneira geral, um histórico. As pessoas que tinham mais medo de nutricionista eram aquelas que já haviam passado com alguma e levaram broncas homéricas.

Há um mês atrás fiz uma enquete lá no meu instagram: “Quem aqui já foi num nutricionista e tomou uma bronca?”. Então reuni aqui algumas respostas que recebi com alguns perigos sobre esse tipo de abordagem:

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Paola, Gaby e o maiô verde

Quando Paola Carosella publicou uma foto de maiô em julho (2018) ela perguntou: “Você tem orgulho de você?” e continuou com um texto lindo dizendo do quão orgulhosa ela era da sua história. Não só do seu corpo, mas de todos os momentos: os piores, inclusive.

Em outubro de 2018 ela voltou a brilhar vestida num maiô verde na capa da Revista Cláudia, com uma chamada: Amar a si mesma. Ela e Gaby Amarantos, cantora, que posou também de maiô verde numa pose de Yoga na capa da Revista Marie Claire, no mesmo mês e ano. A chamada da capa de Gaby é “inspira, transpira e vai”.

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Como pensar na velhice tem me deixado mais feliz

Estou assistindo a série Grace and Frankie no Netflix e invejando aquelas mulheres. Sei que são papéis, interpretações. Mas elas tem vitalidade, conhecimento, e uma beleza que ultrapassa o plano estético. Fico admirada. Com a série ainda não terminada (então por favor, sem spoiler), eu tenho pensado muito sobre essa questão idade.

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Eu queria ter escrito isso: Prazer, essas são as minhas rugas

Eu sigo a Joana já tem um tempo, desde meados de 2012, no Um Ano Sem Zara. Sabe aquelas pessoas que você gostaria de ser amiga? Pois é. Acho a Joana chique, interessante, autêntica e bonita. 

Hoje eu li esse texto e caiu como uma luva. Há tempos venho pensando em escrever algo sobre envelhecimento. Porque eu tenho me incomodado muito com a quantidade de procedimentos estéticos que as mulheres tem feito, e cada vez mais novas. Eu vivo me perguntando se toda essa necessidade de se parecer jovem o tempo todo não é, na verdade, um medo da velhice. Ou seria o medo da morte? Não sei. 

Eu não tenho muitas rugas e cabelos brancos. Mas claro que já notei uma diferença na elasticidade da minha pele e nas dobrinhas ao lado do olho, assim como coisas que poderiam ter ficado como eram. Só que, ao mesmo tempo, não me incomodo ao ponto de mudar. Eu acho tão legal tudo que ganho com o passar do tempo!

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A calça japonesa

Na minha viagem para o Japão, vi muitas mulheres com um tipo de saia linda! Uma saia midi, porém estruturada, que dá um ar elegante e cool ao mesmo tempo. Eu quase não uso salto, e elas usavam essa saia com tênis, lindo! Como as japonesas são bem baixinhas, pensei que para mim esse tipo de saia também poderia ficar legal, afinal, altura também foi algo que sempre me faltou.

Entrei em uma fast fashion japonesa e procurei a saia. Achei. Pensando no tamanho de roupa que eu habitualmente uso, peguei a P. Olhei para ela e achei pequena demais. Peguei a M. Aproveitei para pegar umas calças e fui para o provador. 

As calças não passaram da coxa e a saia mal entrou.

Saí do provador e fui até as araras. Procurei pelo tamanho G e GG (no caso L, e XL) e voltei para experimentar.

As calças não passaram da coxa e a saia mal entrou.

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Arroz de Couve Flor

Acho que a maioria lembra daquele conselho da Bela Gil, de substituir quase tudo por linhaça. Isso na época deu o que falar e rendeu muitos memes engraçadíssimos a respeito disso. 

Passado o tempo da Bela Gil, surgiu o arroz de Couve Flor. Não sei quem começou com essa moda, mas essa substituição acabou de desestruturar o bom senso, já abalado pelo brigadeiro de whey e pela coxinha de jaca.

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