Contando histórias: emagreci comendo!

Eu sempre digo que equilíbrio é a solução de um emagrecimento efetivo, prazeroso e saudável. Porém, algumas pessoas tendem a interpretar essa informação de maneira equivocada. É como se eu afirmar isso excluísse o fato de que algumas pessoas conseguem lidar com privações. Algumas lidam muito bem, e inclusive precisam dessa privação para dar um 'start'. E então, que bom né? Se funcionar estamos em vantagem! Então, para demonstrar auto conhecimento é tudo (afinal, alguns se privam um pouco, outros nada), resolvi contar a história de uma pessoa que já passou - e passa! - por isso.

Convidei o Vitor Hugo, do site Prato Fundo (só comida boooooooa) para contar a história dele. Resumidamente, o Vitor Hugo emagreceu quase 30kg. Ele é um farmacêutico-bioquímico e gastrônomo, com uma paixão inveterada pela confeitaria, que conseguiu eliminar todo esse peso.

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O Vitor nunca foi magro. "Fui uma criança gorda que comia de tudo, desde junkfood quanto comida normal.Uma filosofia que meus pais sempre tiveram (e que eu agradeço hoje em dia): não existia comida proibida. É de comer? Vamos experimentar. Não gosta? Vai experimentar do mesmo jeito. Claro, tudo com moderação. Refrigerante e salgadinhos só no fim de semana". Mas uma hora ele percebeu que estava saindo do controle e cansou. Comprava uma lata de doce de leite que ia embora em poucos dias. Viu que aquilo estava totalmente fora da linha e falou "agora chega".

 

"Assumi a responsabilidade sobre o meu emagrecimento, pois o processo aconteceu durante a graduação de Farmácia-Bioquímica. Ou seja, eu possuía o conhecimento sobre fisiologia e bioquímica alimentar. Então, ter a base em ciência e saúde humana ajudou bastante.". Mas nem por isso Vitor despreza ajuda profissional :"PROCURE AJUDA PROFISSIONAL antes de tomar medidas drásticas". E ainda complementa: "Não fiz dieta/regime. O dicionário discorda da minha concepção de dieta que é: aquilo que você consome regularmente. Ela pode ser uma dieta boa ou ruim. É algo constante. E nem fiz regime que para mim tem outra explicação: tem começo, meio e fim".

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O Vitor sempre gostou bastante de açúcar. Então deixou de consumir chocolates, refrigerantes e sorvetes por um tempo. "Oh, boy. Ficar sem doce foi horrível. No começo da reeducação me forcei a não consumi-los, ao menos, por um período. Não é o ideal, mas foi necessário para aprender a comer menos.".

Para dar um gás e continuar nessa nova maneira de viver, Vitor se apoiou nos resultados. "Toda aquela mudança de hábito e estilo alimentar estava valendo a pena. A sensação: 'eu posso fazer isso' é muito gratificante. E depende só da gente.".

O que eu achei mais interessante foi a perseverança do Vitor. Vejo isso diariamente no consultório: pessoas que perdem 1 ou 2kg por mês e acham pouco, ou seja, não conseguem ver que o acumulado de kg por mês dará um belo resultado em um médio/longo prazo. O Vitor manteve uma constante, "não foi de uma vez, mas um processo gradativo. E mantive a reeducação, ela virou a minha "nova dieta". Claro, ela mudou e se adaptou a minha realidade. Como disse antes, não era um regime. Mudou, mas não parei. Por mais que a gente não queira, aquela passada na farmácia para pesar acontecia. Mas era mais por curiosidade do que ficar na neurose. Houve altos e baixos, mas no final o resultado era positivo.".

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Maaaaas aí bateu a curiosidade: O Vitor tem o site que só tem coisas gostosas, ou 'gordices' como vocês gostam de falar. Como será que ele conseguiu coniciliar isso? "Como o PratoFundo não estava vivo ainda, foi mais fácil. Porém, é a filosofia que sigo hoje em dia: escolha e auto-controle. Quero comer um bolo? Sem problemas, mas não precisa comer ele inteiro. Quer comer um bombom: apenas um. Não a caixa toda. Ou essa semana já experimentei vários doces, melhor deixar os outros para semana que vem. E com os cursos de gastronomia, eu aprendi a degustar. Não, eu não preciso comer uma pratada de todas receitas. Pode parecer frescura, mas é uma mudança de mentalidade. Óbvio que às vezes a gente chuta o balde e come com gosto. Sou teamNigella: comer nunca deve ser uma culpa. É um prazer.".

O Vitor conta que o que atrapalhava mais na alimentação antiga era a falta equilíbrio "Comia sem critério de tudo: tanto comida normal e junkfood. E em quantidade. Eu realmente comida demais.".

No site do Vitor ele conta tudinho sobre esse processo. E lá, selecionei três pensamentos interessantíssimos que fazem total sentido!

Sério, eu não passei fome. Sentia vontade de comer tal coisa, mas não era fome.

Não me apego tanto às calorias na escolha de um alimento, se fosse assim passaria longe de abacate, por exemplo. Aquela máxima, um copo de coca-cola tem menos calorias que um suco de laranja. Verdade. Mas existe uma diferença gritante entre os dois, calorias vazias. O refrigerante fornece basicamente açúcar simples (sacarose), sódio e água. Já a dona laranja tem vitaminas, sais minerais e fibras, é mais completa.

O receio de voltar a engordar existe, não vou negar. Sim, meu Inner-Gordoainda existe. Está aqui, quieto, na espreita. Esperando qualquer oportunidade para sair. Por isso o sob controle. Neste ponto entra o autocontrole mais uma vez.

Eu achei o relato do Vitor muito real, e semelhante a vários outros. Por isso achei interessante publicar: para mostrar que o equilíbrio é a chave. Você pode se restringir? Pode. Você pode fazer o que quiser. Algumas pessoas simplesmente não tem aquele amor profundo pela comida, e por isso fica mais fácil abrir mão de várias delícias. Outras precisam se sentir punidas para mudar. Mas a grande maioria só sustenta a perda de peso com bastante equilíbrio!

Ainda tem esse link aqui do site do Vitor, que conta direitinho sobre o processo e ainda ele dá '16 pitacos' sobre perda de peso. Vale muito a pena dar uma lida - e também no blog todo, que só tem textos, vídeos e receitas legais :)

Beijos,