O nome da Gula

A Gula é descrita como um dos 7 pecados capitais. Ou seja: se você come mais, sem temperança ou moderação, está pecando, fazendo algo errado e talvez mereça até uma punição.

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E é justamente assim que ocorre a alimentação pecaminosa: decidimos comer algo que julgamos errado, comemos e nos sentimos culpados ou julgados. Depois, podemos tomar dois caminhos: podemos continuar nos enchendo dessa comida tão errada (num mecanismo de "dane-se, já que errei, vou continuar errando"),  ou iniciamos um processo de 'auto flagelação emocional', onde entra em jogo aquele pensamento de fracasso que jamais vai passar: "ai como eu sou incapaz!"

Força de vontade, junto com a gula, é outra mentira dos processos de perda de peso ou da boa alimentação. Não é com essa força (foco e fé) que você irá conseguir conter sua 'gula'. Esse controle depende de vários fatores.

Mas ao invés de discutir o que pode gerar esses episódios de 'gula', acho interessante sugerir um exercício: porque não paramos de julgar o ato de comer alimentos gostosos como algo ruim? Porque não paramos de dividir alimentos em categorias (do bem e do mal)? Porque não paramos de nos referir a alimentos como porcaria ou besteira?

Sabemos que excessos não são interessantes. Porém, os EXCESSOS são prejudiciais. A moderação não. Já pensou em fazer o exercício de comer o eventual docinho pós almoço como um processo normal, ao invés de condená-lo como prova da sua fraqueza? E que tal entender a razão dos seus excessos antes de tentar cortar tudo pela raiz ou nomeá-los com adjetivos ruins ?

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Quando passamos a encarar aquele alimento como algo prazeroso e conseguimos aproveitar sem culpa, a gula nos desacompanha. Abre espaço para o prazer. Abençoado seja o famoso pleasure guilty free. 

Guilty Pleasure, gordice, gulodice, porcaria, besteira... são termos que devem ser eliminados do nosso dia a dia, pouco a pouco. Que tal trocar esses termos por outros? Faça uma escolha alimentar consciente, não só pensando na comida propriamente dita, mas também pensando no nome que você dará para ela. Se perguntar "como eu poso comer esse alimento de uma maneira que não me prejudique?" ao invés de pensar "Lá vou eu de novo comer porcaria, não tenho jeito mesmo". 

Da mesma maneira que devemos tratar nosso corpo de maneira compassiva, vamos tratar o alimento dessa forma também: tem certeza que vai querer colocar algo com o nome tão pejorativo para dentro de você?

Até a próxima,

Marina

 

(imagens do pinterest)