Minha Avó Fazia: Massa de tomate caseira

  Minha avó Íris, arrumando o cabelo, sempre vaidosa. Viveu 94 anos.

Minha avó Íris, arrumando o cabelo, sempre vaidosa. Viveu 94 anos.

Eu não tenho lembranças da minha avó Íris cozinhando. Na casa dela sempre tinha alguém ajudando, e acredito eu que ela devia coordenar um pouco. E na verdade eu nunca gostei muito da comida da casa dela, achava a comida difícil. Talvez eu que fosse difícil para comer, e aqueles pratos cheios de ingredientes e temperos me deixavam mais confusa. Em compensação eu amava a comida da minha avó Luiza. Eu poderia passar dias me alimentando apenas do seu arroz com feijão, aquela combinação simples que não me demandava grandes entendimentos

  Minha avó Luiza tomando banho de sol num dos poucos momentos que permitiu ser fotografada.  Viveu 96 anos.

Minha avó Luiza tomando banho de sol num dos poucos momentos que permitiu ser fotografada.  Viveu 96 anos.

Minha avó Íris tinha um 'rouge' da Payot que o cheiro me recordo até hoje e gostava de usar um esmalte rosa cintilante nas mãos. Usava perfume, secava o cabelo, era toda vaidosa. E gostava de uma conversa, de um 'causo', de um problema, de uma história de doença. Ela era como a comida dela: colorida, mas com drama.

Minha avó Luiza era bem prática. Não queria ajuda de ninguém, parecia se vestir só pra dar conta do frio de Barbacena, nunca a vi com adereços além da medalha de Nossa Senhora e pouco reclamava. Se alguém ali perto morresse só saberíamos na missa de sétimo dia. Ela era arroz e feijão, mas com sabor.

O livro de receitas que tenho hoje é da minha avó Íris e tem pratos que se parecem com ela: ricos em detalhes. São empadinhas, broinhas, pães, escondidinhos, suflês... Nada que dê para fazer com poucos e habituais ingredientes. Mas lá no meio desse mar de receitas da Íris encontrei uma simples que nem a Luiza: Massa de tomate caseira. Eu adaptei a receita, então na foto vocês podem ver a original, e aqui a minha adaptação

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MASSA DE TOMATE CASEIRA

10 unidades de tomates (bem maduros, de preferência orgânicos. Usei os italianos)

4 colheres (sopa) de vinagre (usei de vinho branco)

2 colheres (sopa) de açúcar (usei 1/2 branco, 1/2 mascavo)

Cravos (usei uns 6)

Coloquei os tomates bem lavados em uma panela com água e deixei cozinhar por uns 20 minutos Depois, escorri a água e bati os tomates com um mixer. Peneirei e coloquei numa panela com o vinagre e o açúcar. Quando deu uma engrossada e reduzida, coloquei 2 colheres (café) bem cheias de sal e o cravo. Misturei, tirei os cravos e armazenei num pote.

Quando estava lendo a receita tive a sensação que ela viraria um ketchup caseiro. Ficou no meio do caminho entre massa de tomate e ketchup, e acho que vai dar pra usar nas duas funções. Mas ficou bem gostoso. 

Pretendo me empenhar mais e tentar fazer sem o mixer, amassando no garfo e mexendo sem parar na panela. Do jeito que minha vó fazia essa receita simples com procedimentos detalhados. A mistura perfeita das minhas duas avós. 

Até a próxima,

Marina