Não conto (mais) calorias

Recebi esse texto da linda Fernanda (linda mesmo gente, olha que boneca!). A Fernanda é uma mulher cheia de vaidades, mas que sofreu com transtornos alimentares. Ela entrou em contato comigo e pediu para que eu publicasse esse texto. A intenção dela é contar sobre o transtorno alimentar e ajudar as pessoas que vivem assim, a mudar de atitude e, sobretudo, procurar bons profissionais!

Vejam o que ela escreveu...

"A anorexia faz com que a vida vire um pesadelo. Diariamente me deparo com vários casos que chocam pela gravidade da doença. Muitos jovens não resistem... Outros conseguem batalhar para enfrentar o problema. E eu sou uma das sobreviventes do transtorno alimentar!

 

O começo

"Desde criança sempre estive acima do peso. Ouvia meus médicos dizerem que era preciso fazer uma dieta, que precisava praticar mais atividades físicas, etc. Mas eu era feliz comigo mesma. Porém, certo dia, quando eu experimentava uma roupa, meu pai me disse: “filha, você está parecendo um balão”. Meu mundo desmoronou. Comecei a emagrecer cada vez mais e aquela imagem que via no espelho já não era mais a mesma. Passei a pensar que eu “precisava ser magra para ser aceita”. E é exatamente isso (infelizmente) que a sociedade prega.

Enfrentei a anorexia e a bulimia e tenho propriedade para afirmar que magreza em excesso não é sinônimo de saúde, muito menos de felicidade. O transtorno alimentar distorce a imagem que a pessoa tem dela mesma. Quando todos me diziam que eu estava horrível e acabando com a minha vida, me olhava no espelho e ficava satisfeita com os ossos à mostra, mas ainda não era suficiente. Queria emagrecer cada vez mais.

Minha maior necessidade era ser definida pela aparência, e acabava anulando outros fatores como a própria personalidade. Eu tinha um medo enorme de morrer, mas o maior dos medos era de engordar.

Tenho 1,73m de altura e cheguei a pesar 48 kg. Meus cabelos caíam, minhas unhas não cresciam mais, sentia muito frio e meu coração batia mais devagar. Já não saia mais de casa, não sorria como antes e não tinha sonhos. Meu mundo ficou sem cor. Sinto que minha vida ficou em preto e branco todo aquele tempo.

 

A maior dor não era a do estômago vazio. Era a do sofrimento que eu via os meus pais passarem. Minha mãe não via lógica na minha obcecada vontade de perder peso. Por isso, não compreendia e passamos a discutir muito. Hoje eu sei que tudo era por amor. Meu pai, que sempre foi meu melhor amigo, tinha medo de me abraçar porque achava que poderia me machucar, e também não entendia como a menina alegre de quem ele sempre se orgulhou, tinha mudado tanto."

No mundo da moda

"O pior foi ter entrado no mundo da moda. Os estilistas nos chamavam de cabides humanos. O que isso tem de humano, afinal? Os lanches que eles ofereciam em desfiles e editoriais de fotos eram os mais escassos possíveis. Além disso, só conseguia um trabalho quem tinha a famosa “barriga negativa”. Aquilo acabou comigo e fez com que eu ficasse ainda mais cega diante do espelho."

A relação com o espelho e com a família

"Estava magra, raquítica, com várias internações por desnutrição na ficha... Mas para mim ainda não era o suficiente. Graças ao tratamento com uma equipe multidisciplinar, passei a olhar a realidade em meu reflexo. Precisava ficar saudável. Precisava comer melhor.

A família toda fica doente, não só o anoréxico ou bulímico. Todos precisam fazer tratamento. Fui acompanhada por psicólogo, psiquiatra e nutricionista. A terapeuta me orientou a escrever um diário com as angústias e os sofrimentos de todas as experiências ao longo do transtorno. Resolvi, então, expor os relatos pelo blog, e assim levar esperança para quem passa pela mesma situação. A causa da anorexia, o dever da família, como agir…"

Como parei de contar calorias

"Lembro que tinha um caderninho onde escrevia tudo o que comia e suas calorias. Quando me libertei destas anotações, me senti melhor. Muito melhor!

Melhorei quando percebi que as coisas mais importantes são ter uma carreira, um corpo saudável e muito amor pela família e amigos. É preciso ter fé e coragem. E é exatamente isso que quero transmitir em meus textos.

O espelho cego tem solução, basta querer. Depois de muitos diálogos e persistência, eu meu curei e me despedi de Ana (anorexia) e Mia (bulimia). Elas não me pertencem mais!"

A influência da mídia

"Sinto uma enorme repugnância em algumas matérias de revistas ou posts de redes sociais que pregam tanto a magreza. Eles falam de uma forma como se uma pessoa que veste 42 não fosse feliz. SOMOS FELIZES SIM! E não precisamos de “dietas milagrosas”, de “shakes substituindo o almoço” ou de “sucos detox”. Acredito que as pessoas devem ser felizes como elas não, e que a beleza que vale é aquela que vem de dentro.

Sempre falo para minhas leitoras (a Fê tem um blog também!) que não é proibido querer emagrecer. Mas se quer fazer isso, que seja com saúde. Portanto, o ideal é procurar especialistas, como nutricionista, para conseguir chegar ao corpo tão almejado, sem sofrimentos e sem restrições."

 

Gostaram? Isso tudo é para mostrar que o transtorno alimentar é uma doença e tem tratamento. Mas atenção: o diagnóstico deve ser feito somente por profissionais. E não gente, não é fraqueza ou frescura, é um problema sério e tem que ser tratado com muito cuidado!

Para quem quiser saber mais, visitem o site da Fê! http://despedidadeanaemia.wordpress.com/

E quem quiser contar alguma história (pode ser sobre emagrecimento, ganho de peso, etc), é só mandar pro email naocontocalorias@gmail.com. A gente não conta calorias mas conta histórias!!!!!!!!!

Um beijo,