Querido diário alimentar

Existe uma ferramenta usada pelos nutricionistas chamada “Diário Alimentar” no dia a dia do consultório. Esse recurso é aprendido ainda na faculdade, e pode funcionar tanto como uma forma de auto monitoramento quanto como uma maneira de levar informações mais completas ao nutricionista.

imagem retirada do pinterest

imagem retirada do pinterest

Eu sou muito a favor do diário, desde que ele seja bem sugerido e bem utilizado, tanto por pacientes quanto pelos profissionais.

Na faculdade aprendemos a sugerir o diário para que o paciente anotasse o que, o quanto e quando ele havia comido. E a impressão que me dava é que o objetivo era, na verdade, apontar erros e acertos da alimentação.

Hoje o diário alimentar, tem, para mim (e para outros nutricionistas), uma função diferente. E é bom que você saiba como ele funciona, para poder utilizar essa ferramenta tão essencial.

PORQUÊ FAZER?

A idéia do diário não é virar um confessionário, onde você escreve o que comeu com medo do nutricionista te dar uma bronca. Muito menos uma forma de se impor um controle muito rígido para fazer tudo ‘certinho’, e assim, anotar tudo ‘certinho’. Até porque o conceito de ‘certo’ e ‘errado’ na alimentação é subjetivo, certo?

Diário fotografado de paciente

Diário fotografado de paciente

Ele pode sim servir para se auto monitorar, mas através da observação e não da obrigação de ‘fazer perfeitamente'. Eu entendo o diário como uma estratégia para ver mais de perto suas escolhas alimentares, entender a razão de fazê-las, saber o que você sente e julga a respeito do alimento, e até entender se as quantidades que você come estão além ou aquém do que imagina.

Para dar certo, o diário pode e deve ter outras informações além do que e quanto você come: sentimentos relacionados as suas escolhas, escala de fome e saciedade e outros dados entram além de quantidades e horários.

O MEDO

Muita gente tem medo do diário alimentar. E há vários motivos que explicam esse pavor. O primeiro deles é medo de tomar bronca de nutricionista.

O segundo medo é o de ver, realmente, o que está comendo. Quando anotamos, estamos atestando nossas escolhas, que, muitas vezes, estão cercadas de julgamentos. E essa parte é complicada mesmo, afinal, a maioria das pessoas passou a vida toda aprendendo a listar alimentos em pode/não pode e, quando anotam no diário e percebem que o controle para escolher o que não pode é mínimo, entram em parafuso. Porém, é dessa maneira, escrevendo, reconhecendo e analisando, que essa dicotomia alimentar vai desaparecendo - ou pelo menos, amenizando.

E não se aflija se você não conseguir fazê-lo assim que ele for proposto: nem todo mundo consegue de cara. Na verdade, a maioria demora pra ‘engatar’ no diário. Alguns vem ao consultório com o diário incompleto, outros não anotam todos os dados que tem acesso e, alguns, fazem de maneira mais aleatória. Sempre falo com os pacientes: se sua alimentação não é perfeita, porque o diário teria que ser? Até isso faz parte do processo.

ESCREVENDO O DIÁRIO

desenho feito por uma paciente

desenho feito por uma paciente

Na hora de escrever o diário, você pode optar por várias modalidades. Há que faça tipo ‘meu querido diário', há que monte planilhas de excel, use fotos, aplicativos de celular e até desenhos. Alguns, eu brinco, gostam de fazer verdadeiras redações do Enem! Não importa a maneira: quem manda é você - e tudo vai depender de como você se sente mais confortável para colocar o máximo de informações possíveis.

Só gosto de fazer uma observação: um diário sem acompanhamento pode ser uma arma perigosa. Ao anotar e entrar em contato com sentimentos e pensamentos até então inexplorados, a angústia pode aumentar. Além disso, o diário pode se tornar uma forma de controle rígido demais, e a idéia dele é mostrar que flexibilidade na alimentação é essencial.

Além disso, o diário pode ser um recurso que também auxiliar no processo terapêutico. Afinal, ali não se encontram apenas dados sobre a comida em si, mas sobre esses pensamentos e sentimentos que citei acima.

Converse com seu nutricionista sobre o diário alimentar! E siga um bom caminho.

Até a próxima,

Marina