Bons e velhos hábitos

- De volta ao blog, aos posts e a relação entre corrida e hábitos alimentares! -

Ano passado, quando terminei a Pampulha estava super feliz de ter conseguido esse feito. Uma pessoa que em janeiro de 2015 não dava uma volta no Ibirapuera correndo havia conseguido terminar 18km numa boa, correndo sem parar, e completando o circuito sem danos maiores que o cansaço esperado após uma prova.

E assim que acabou eu resolvi tirar umas 'férias'. Entre a Pampulha e a primeira semana de janeiro, peguei leve na corrida. Não fui em todos os treinos porque aproveitei para dormir mais tarde nas terças e quintas (são os dias que antecedem meus treinos), sair com minhas amigas durante a semana... desconectar um pouco da função, sabem? Perder um pouco da disciplina. Não deixei de lado, mas dei uma reduzida boa.

Depois de janeiro já veio o Carnaval, e vocês já sabem: o ano só começa mesmo depois da festança. Me prometi que depois eu ia voltar com gás total e cumprir os dois objetivos do ano: duas meias maratonas (uma de montanha, e uma de asfalto).

E quando finalmente eu estava pronta para recomeçar, apareceram dois obstáculos no meio do caminho: me despedi de uma pessoa ultra querida e peguei uma gripe/bronquite daquelas, que derruba qualquer pessoa. Ou seja: mais umas 3 semanas sem treinar. No final foram praticamente 3 meses de pura enrolação, mas chegou a hora de voltar.

Talvez você que vive fazendo as promessas de 'segunda feira eu começo a dieta' já tenha se visto na situação 'eu preciso voltar'. Mas se você 'precisa' retomar seu ritmo é porque você não incorporou novos hábitos, apenas se sente na obrigação. E aí, más notícias: a chance de você deixar tudo de lado novamente é grande.

Mas se você quer voltar porque sente falta, sente saudades daquele tempo, sente VONTADE daquilo, é porque já incorporou os novos hábitos - e talvez só tenha se perdido no meio do caminho por alguma razão.

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Essa frase se aplica muito para quem faz dieta.

[Chamo de dieta tudo aquilo que está relacionado a privações extremas que causam muito mais sacrifício do que esforço, não despertam nenhuma consciência alimentar e só tem de prazeroso o saldo final e temporário da balança].

Quem não gosta de recomeçar é quem passou por algum processo que foi mais árduo do que o normal. Reeducação alimentar não é a oitava maravilha do mundo, muito menos sair do sedentarismo... Mas se feitas respeitando seus objetivos, medos e anseios, e quando de fatos geram mudanças que vão além da estética, o processo é lembrado muito mais de maneira prazerosa do que dolorosa.

E o que faz a gente começar ou recomeçar?

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Quando comecei a correr eu detestava atividades físicas. Morria de preguiça! Não entendia como as pessoas eram capazes de deixar a preguiça de lado - sobretudo aos finais de semana. Mas vi que meu corpo estava pedindo um movimento, me sentia um estranho no ninho quando estava no meio de tanta gente fisicamente ativa e não via nenhuma coerência em incentivar as pessoas a se exercitarem quando eu mesma não entendi as reais dificuldades desse processo - esse foi o gatilho. Mas a cada treino - rotina/ação - que eu terminava com aquela sensação de 'dever cumprido', a cada avanço na corrida, a cada melhora no meu corpo - recompensa - eu queria mais - novo gatilho, novo hábito. 

Gatilho da formação do novo hábito - insatisfação: mudança no meu estilo de vida, saúde, forma física + recompensa: bem-estar pós treino e no dia a dia

Foi como eu incorporei a corrida na minha vida: criando um hábito, observando a recompensa e me esforçando na ação

Apesar de ser uma pessoa super intensa, o extremo não me deixa confortável. Em certa época do ano passado, minha vida se baseou em acordar, fazer um esporte, trabalhar e dormir. Até nos finais de semana preferi ficar mais recolhida, sem muita bagunça. Queria estar sempre disposta e pronta pra correr. Foi uma época que eu precisava viver aquilo, mas de fato essa função da vida em torno do esporte começou a me atrapalhar. Aquela pessoa que se afastava de um prazer em prol de outro não era a Marina. Eu não quero ser atleta e muito menos ter o esporte como plano central da minha vid.  Isso requer uma dedicação e disciplina que eu admiro muito, mas que não me pertencem.

E então vi que precisava encontrar meu equilíbrio entre vida social com os esportes. Quando consegui foi uma fase maravilhosa! que em um momento abria mão de uma situação social para treinar  -e treinava feliz! -  e em outra não ia correr no sábado para dormir mais tarde na sexta feira - mas compensava no domingo, por exemplo. Nessa época eu estava me senti plena e capaz, justamente por conseguir fazer tudo que eu gosto. Consegui me organizar, e isso me realizou também!

E foi pensando nessas sensações que vivi, fiquei com uma saudade louca de voltar aquela época.

E assim eu vou 'recomeçar': lembrando da rotina

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Sinto saudades da sensação de plenitude que a corrida me traz. Correr me deixou mais responsável com a alimentação, me deu mais consciência corporal, me deixou menos ansiosa, e me ajudou a canalizar toda a energia que existe dentro de mim. Se antes do esporte eu descontava todo esse pique e vontade de viver na minha vida social - o que me fez sair contrariada, várias vezes, só pra não ficar em casa - depois da corrida eu me sinto mais a vontade para analisar se vale curtir a night ou se dormir bem pra correr no dia seguinte não vai me trazer mais alegria.

Eu senti saudades do poder da escolha. Correr me empoderou. Me ajudou até a estabelecer uma rotina: como não tenho horários certos de trabalho - posso começar as 08:00 ou as 12:00, tudo vai depender da agenda - a corrida me obriga a acordar cedo e iniciar meu dia sem procrastinação.

E é dessa maneira que consigo observar que mesmo ficando na marcha lenta por um tempo, eu incorporei o esporte na minha vida. Eu penso na corrida muito não pela ação propriamente dita, mas sim pelo hábito na sua totalidade: gatilho, ação e recompensa. Se eu fosse lembrar do ato de correr, talvez não sinta taaaaaanta saudade. Afinal, tenho dias ótimos de treino, mas outros dias eu quero ficar dormindo, ou fugir da professora e ir embora.

O mesmo acontece com a reeducação alimentar: se você incorpora uma mudança na sua vida e realmente sente os benefícios dela, provavelmente não vai perder essa lembrança. Em algum momento da vida você pode até perder um pouco do ritmo, mas sempre terá aquela vontade latente de voltar motivada pela lembrança de como sua disposição era outra, como seu intestino funcionava como um relógio e como sua relação com o espelho havia melhorado quando estava se alimentando bem.

Ao contrário de dietas, que você só lembra do sacrifício de não poder comer nada e do mau humor causado pela restrição de nutrientes e calorias. Você lembra que perdeu um monte de peso, mas lembra de ir dormir com a fome do cão só pra não comer mais, dos eventos que negou com medo da comida que teria lá, e da velocidade que seu corpo recuperou o peso assim que você parou dieta.

E além de lembrar do hábito, lembrar do nosso objetivo também é importante para não perder o ritmo. No meu caso com a corrida, por ex: se eu não tivesse enrolado tanto pra voltar, já estaria fazendo uma meia maratona esse mês. O mesmo acontece para a reeducação alimentar atrelada a perda de peso: se você não perder tanto o ritmo, chega no objetivo mais rápido. E se perdeu o ritmo pode ser influenciado a retomar pensando 'se eu não tivesse enrolado tanto, já tinha chegado no ponto tal!'.

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E quando deixamos o hábito de lado?

Por diversas razões, muitas vezes quebramos essa rotina. Costumo dizer que não esquecemos o hábito, nós o colocamos para dormir. A vida nem sempre é justa e perfeita:existem momentos totalmente desanimadores e desafiadores nos quais a gente deixa de lado a tarefa de prestar atenção na alimentação e a preguiça não deixa o corpo se movimentar.

Obstáculos irão aparecer e influenciar: pessoas vão partir, o trabalho ficará mais estressante, você vai brigar com amigos e parceiros, seu chefe vai pegar no seu pé, sua mãe vai brigar com você, um amigo querido vai adoecer - ou até você mesmo vai! ... Não existe vida perfeita e em alguns momentos - até por motivos nada aparentes ou óbvios - a gente desanima. E desanimar não é 'falta de vergonha na cara' ou 'falta de foco', como algumas pessoas insistem em dizer: Desanimar de vez em quando tem outro nome: vida real.

Tem gente que não perde as estribeiras e vê no esporte uma possibilidade de canalizar todo o stress ou reenergizar durante épocas conturbadas. Eu não sou essa pessoa! Me deixo levar pela preguiça, e minha maneira de me reenergizar é respeitando meus momentos. Hoje eu faço isso sem encanar tanto, porque sei que a vontade de voltar vai bater na minha porta.

Dessa vez eu tive minhas razões para desacelerar na corrida. 50% foram razões escolhidas por mim, e outros 50% simplesmente aconteceram. Por um lado quis aproveitar tudo que o carnaval tinha para oferecer e descansar um pouco logo depois da Pampulha. Por outro lado tive que lidar com fatores que não estão sob o meu controle, e que me colocaram um pouco em segundo plano para poder cuidar mais de pessoas e coisas que precisavam do que de mim mesma.

E agora vou retomar a corrida com meus objetivos e a lembrança de uma época tão boa quantos os resultados que ela me proporcionou.

Se você está aí pensando se volta ou não na nutricionista para retomar sua alimentação, ou se volta a praticar algum esporte, espero que isso tenha servido de incentivo! E se você ainda não começou, comece!

Como diz a música de Mick Jagger: 'Old habits die hard, hard enough to feel the pain'

Beijos, até a próxima!

Desafio Pampulha

Nem sei por onde começar a escrever!

Domingo fiz a prova do ano, que eu venho falado aqui desde o começo de 2015: a Volta Internacional da Pampulha. Foi o meu #desafiopampulha.

Como todo mundo sabe, comecei a correr esse ano. Em janeiro entrei na assessoria de corrida e na época eu não conseguia dar uma volta de 1 km sem querer colocar o coração e os pulmões pra fora do corpo.

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Sempre fui muito preguiçosa pra atividades físicas, mas esse ano fiz 30 anos e pensei que era hora de fazer alguma coisa!

Enfim...

Apesar de saber todos os benefícios da atividade física, fiquei com medo de deixar a animação de lado e logo depois da primeira prova de corrida que fiz (8 km) fiz a inscrição na Volta internacional da Pampulha. Ela acontece em BH, minha cidade Natal, todo ano no mês de  dezembro. São 18 km que conheço desde pequena e uma distância que jamais imaginei percorrer. Fazendo a inscrição e lançando o desafio no blog, teria a obrigação de treinar até o fim do ano e não deixar de lado com desculpas esfarrapadas, como a gente sempre faz. Tinha que ter muita disciplina pra chegar nos 18km.

Foi desafiador, mas deu super certo! Inclusive recomendo a todos que querem 'fincar o pé' na corrida: façam provas! É MUITO bom.

E então chegou a prova, e estou aqui pra contar como foi (o que passou vocês já viram nos outros posts!).

Antes da prova

Uns dois meses antes me apareceu uma tendinite no tornozelo que me deixou duas semanas sem treinar. Fiquei apavorada, com medo de perder todo o esforço. Mas a minha treinadora (maravilhosa!) me tranquilizou. Voltei aos treinos ainda com um pouco de dor, mas continuei firme e forte.

Nessa época eu tinha deixado uma fase introspectiva de lado, e tive que equilibrar a vida social com os treinos. Não foi fácil... Ao mesmo tempo que queria aproveitar, sair, tomar minha cervejinha e me divertir, também queria também correr com afinco. Mas consegui achar um balanço legal entre essas duas coisas. Eu sou super a favor da atividade física, mas não acredito na exclusividade dela na minha vida. Correr é uma delícia, mas ter minha vida social ativa faz parte da minha idéia de felicidade... não dá pra ficar sem os dois, então tive que aprender a conciliar.

Logo na semana da prova, eu estava bem pilhada, ansiosa, meio nervosa. Primeiro foi medo de não conseguir fazer algo que me preparei tanto. Mas me tranquilizei porque vi que não havia motivos para isso: eu estava fisicamente preparada - o que é o mais difícil. Seguir a recomendação das treinadoras e conversar com elas foi super importante. Elas dizem que é só mérito meu, mas não é! É mérito delas também! - Beijos especiais pra Cris e Alic <3. Tive que ser CORAJOSA.

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Fui para BH na véspera, sexta feira. E comprei o livro do Dráuzio Varella sobre corrida para ir me inspirando. Sugiro que todo mundo que adora correr leia. Você termina o livro certo de que um dia fará uma maratona.

obs: eu sempre achei maratona uma coisa exagerada, mas depois que li o livro pensei que um dia quero também fazer uma maratona. Não sei quando será e nem como, e muito menos onde... Mas é inevitável querer fazer uma prova dessas depois de ler os relatos dele! Além disso, me tranquilizou muito, pois pensei: 'Se do Dráuzio começou a correr com 50 anos e fez várias maratonas, porque eu não faria 18km depois de quase um ano de treino?'.

Outra coisa que ajudou foi a torcida! Comecei a receber apoio de MUITAS pessoas queridas. Pessoas que acompanham há muito ou pouco tempo. Amigos, amigas, primos, primas, leitores do blog, pacientes, etc. Isso ajudou muito! Agradeço a cada pessoa que acompanhou todo o processo, que torceu por mim, com palavras ou apenas com pensamentos positivos.

No dia anterior eu estava surpreendentemente calma e querendo que chegasse logo! Eu sou bem ansiosa e quando antecede algo de grande importância eu fico agitada, overthinking, não durmo tão bem, etc. Mas eu estava tãoooo tranquila! Fui buscar meu kit, preparei as coisas da prova, conversei com meus pais, visitei uma amiga a noite e dormi como um anjo, a noite inteira. Estava feliz, plena e agradecida por aquele momento.

Durante a prova

Na hora da prova eu estava EM PAZ. Era aquele meu lugar, eu estava realizada, a vontade, confortável. Fui com mais dois amigos e demos muita risada. Fred e Goiano, vocês foram companhias nota mil, fizeram toda diferença!

Como todo começo de prova, eu sinto uma raiva de mim...  fico pensando 'meu Deussss, o que eu tô fazendo aqui, ainda tem 17, 16, 15 km pela frente... que idéia errada! Nunca mais eu corro' e blábláblá. Muito drama. Mas depois que o corpo aquece e acostuma com aquela situação, eu relaxo e curto.

Minha técnica foi dividir a prova mentalmente em 3 partes e não se preocupar muito com o tempo de prova.

Os 6 primeiros km foram os mais chatos.  Sabia que ia sentir dor por causa da tendinite, mas como sei que não ia sentir logo, a tendência era correr mais rápido... Mas depois ficaria mais cansada e seria mais difícil. Então tive que controlar o ritmo, pra dar conta de terminar a prova bem - esse era o objetivo. Além disso tem o quesito 'o que eu tô fazendo aqui??' que deixa minha cabeça a mil. Mas sabia que no final dos 6km eu estaria tranquilona.

Os 6 km do meio passaram voando! Foi a hora que mais curti super a prova! Fui observando a paisagem e tive lembranças gostosas: as manhãs de domingo na AABB com meu primo e minha madrinha, das festinhas da Pampulha que ia na adolescência com minha prima Tatá, do passeio de bike que fiz esse ano com a minha amiga Lígia, dos jogos do Mineirão que sempre ia ver meu Cruzeiro (que saudades!), dos showsvda Xuxa que fui quando criança no Mineirinho com meu amigo Hugo e meus pais ... das fotos da minha mãe grávida de mim na igrejinha da Pampulha. Foi uma delícia, e quando dei por mim já estava no km 12!

Os 6 últimos km foram de emoção! Como havia feito o último treino de 13, pensei 'já fiz um treino de 13 e uma prova de 15. Só posso ficar cansada depois disso!'. Mas já estava tão a vontade com meu ritmo e minha respiração que não precisei me preocupar com físico. Aproveitei para agradecer muito por estar ali, por ter começado a correr, pra mandar o máximo de vibrações que podia para minha treinadora Cris, para pensar em como a vida surpreende a gente e um ano que começou conturbado e difícil terminou leve e feliz, cheio de coisas boas!

Na reta final ver as batendo palma, aquela energia deliciosa... me fez pensar 'agora não tem jeito, de fato eu sou uma corredora!'. Lembrei novamente da Cris falando que agora eu era uma nova mulher, uma corredora, e que a vida é isso aí: uma troca de energias. Pensei que no final tudo sempre dá certo, é só a gente se dedicar, perder o medo e saber lidar com as adversidades do caminho.

Depois da prova

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Fisicamente falando, fiquei muito satisfeita. Terminei a prova com um cansaço normal, nada que me inabilitasse. Tive a comprovação que fisicamente me preparei super bem.

Emocionalmente falando, fiquei mais satisfeita ainda.

Aquela prova teve um significado muito maior do que romper uma barreira física. A prova materializou o encerramento de mais um ciclo da minha vida. Desde que me mudei para São Paulo em 2012, com 27 anos, passei por grandes transformações.  A palavra 'mudança' não se refere somente a cidade, mas também a mim mesma.  E depois de tantas mudanças que a vida me apresentou nesses últimos 3 anos, senti que um ciclo se encerrava. Essas mudanças aconteceram, me colocaram numa montanha de sentimentos intensos e verdadeiros... me ensinaram! E agora é hora de começar um novo ciclo, levando toda a bagagem e coragem que conquistei nesses últimos tempos para novas mudanças que certamente virão. Um ciclo se fecha, outro se abre.

E a Pampulha foi a maneira de celebrar. Como se cada quilômetro fosse uma etapa que vivi e a linha de chegada fosse o 'pronto, agora vamos começar outra fase!'.

Agora estou planejando minha meia maratona e não pretendo parar de correr tão cedo. A prova me trouxe a certeza de que a corrida está inserida na minha vida de vez, não tem como a gente se separar mais.

O que a corrida me ensinou

Fui premiada com professores e companheiros de corrida MUITO legais. Mas principalmente com uma treinadora que é um verdadeiro exemplo de vida, e que me ensinou muito não só com as palavras dela, mas também com a maneira que ela lida com os obstáculos que a vida insiste em nos apresentar. A Cris não é só uma pessoa de uma energia que transcende, como tem uma das características que mais admiro nas pessoas: sabe rir de si mesma, tem humor e uma vontade de viver que dá inveja em qualquer um.

Correr tem me ensinado a lidar com a paciência, que sempre me faltou. Hoje entendo mais que pra se chegar no quilômetro 18 preciso passar pelo 10, 15, 17 e que eventualmente falhas irão ocorrer - mas elas não podem ser suficientes para me fazer desistir.

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Correr tem me tornado uma pessoa menos medrosa, característica que sempre carreguei comigo e nunca tinha feito muito pra mudar. Agora eu penso 'se eu sou capaz de correr 18 km, porque eu não conseguiria tantas outras coisas que não dependem nem de esforço físico?'.

Correr tem me transformado numa pessoa mais competitiva e menos preguiçosa. Eu quero melhorar meu tempo, meu ritmo, minha passada, meu foco. Nada melhor do que apostar consigo mesma de que é capaz de mudar algo.

Correr também tem sido uma ótima forma de meditação. Eu penso muito e tenho um déficit de atenção que nem eu acredito as vezes! Ainda tenho MUITO o que aprender, mas tem me ajudado muito.

Não vou ser hipócrita e falar que é fácil. Não é todo dia que é maravilhoso, não é todo dia que ensina. Tem dias que acordo com ódio do parque, do tênis, do despertador, das pessoas... Só quero dormir e ser feliz assim. As vezes cedo a tentação e fico dormindo, mas na maior parte do tempo eu vou. Muitas vezes me surpreendo e agradeço por não ter deixado de ir, mas as vezes volto mais puta ainda, hahahaha! Bem cansada mas com aquele mantra 'pelo menos eu já fiz minha parte agora'.

Se você pretende começar a correr, lembre-se que não vai ser esse conto de fadas que as pessoas contam no instagram. Não é. A gente sente dor, preguiça, frio, vontade de desistir e questionar a própria sanidade mental... Mas também ficamos animados, felizes, damos risada, agradecemos ao olhar no espelho, presenteamos nosso corpo com uma boa dose de saúde  e dormimos bem. Além disso fazer provas é delicioso: uma energia legal de todo mundo reunido com o único atravessar a linha de chegada feliz!

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Obrigada a todo mundo que acompanhou meu #desafiopampulha. Obrigada a todo mundo que esteve ao meu lado esse ano. Aproveito para pedir desculpas pelo sumiço do blog, e faz parte do novo ciclo retomar os posts com a frequência habitual!

Mil beijos da (oficialmente) Nutricionista e Corredora

Marina

Desafio Pampulha - Guimarães Rosa e Corrida Vênus

Menos de 3 meses para os 18km da Pampulha!

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Os treinos continuam indo bem, consigo ver o quanto evoluí desde o começo. Hoje a corrida está totalmente inserida na minha vida (não só ela, mas a prática de exercícios físicos em geral). Passei por aquele momento de querer convencer todo mundo a correr, como se esse esporte fosse o único legal da vida, hehehehe. Mas passou essa fase de 'evangelização'. Mas continuo cada dia mais certa de que a vida sem um exercício física não é tão legal. E acreditem em mim: se eu estou falando isso, qualquer um é capaz de se apaixonar pelos esportes.

Eu já falei aqui no blog no mínimo umas 29483202 vezes que eu sempre fui muito preguiçosa e que a corrida me fez quebrar essa barreira. Colocar um objetivo 'final' (que foi a Pampulha) foi uma excelente estratégia. Por isso se você não pratica atividades físicas e quer levar a sério, construa um objetivo.

Nesse domingo corri 15km na prova Vênus, aqui em São Paulo. Com a pampulha chegando, achei interessante fazer uma de asfalto, já que havia feito apenas uma bem no começo e duas de montanha no meio do caminho. Confesso que me inscrevi sem pensar muito, nos 15 km. Fiquei meio tensa, afinal, é uma experiência incial... Mas na semana que antecedeu a prova adotei a técnica de não pensar muito naquilo, deixar para o dia, pra não sofrer por antecipação. Foi a hora de esfriar, sossegar e afrouxar.

Mas no sábado, antes de dormir, estava bem ansiosa. Eu não pensei em fazer tempo, mas não queria andar nem por 1 minuto durante a prova. Queria completar tudo correndo o tempo todo! Minha treinadora, com uma simples mensagem me colocou no meu lugar: "Sem chance nenhuma de você andar. Agora você é outra mulher, você é uma corredora... Confia e vai!". 

Pode parecer besteira para algumas pessoas, mas para mim não é: a cabeça comanda muito, principalmente na hora do esporte. E isso tudo que ela me disse (e diz sempre) foi MUITO importante.

Talvez para quem já corra há um tempo não faça tanto sentido, ou vai ter gente achando que é filosofia barata. Mas realmente eu sou assim. Me questiono, discuto comigo mesma. Filosofo até não poder mais - devo ter herdado isso do meu pai (ou dizem que é do signo, vai saber!).

E fui fazer a prova!

Uma coisa que havia me incomodado nas provas anteriores foi o meu nervosismo, minha cabeça trabalhando muito, a dificuldade de concentrar - principalmente no início. Já havia passado por isso na primeira prova de montanha - que contei aqui nesse post. Inclusive fiz um paralelo entre a prova e a minha maneira de ser, e me propus a transferir o aprendizado da corrida para coisas do dia a dia. Então essa prova se tornou um desafio não só físico - completar os 15km sem andar - como também um desafio mental - tentar me desconectar ao máximo, e ao mesmo tempo manter a concentração.

Não fiquei nervosa e consegui começar num ritmo bom, tranquilo, sem desespero de fazer tempo. Corri sem música - o que eu achei muito bom, pois fez eu me concentrar mais! Em alguns momentos eu estava com mais pique e então apertava um pouco o ritmo, aumentava a passada. Quando ficava mais cansada, diminuía o ritmo... Mas não parei. Confesso que em algum momento eu pensei 'o que eu estou fazendo aqui nesse calor?'. Mas ao mesmo tempo estava feliz de realizar algo que nunca tinha feito. Eu sabia que uma hora a prova ia acabar, e ao invés de querer acompanhar a velocidade de quem passava por mim, respeitei a minha maneira de correr, prestando atenção na passada, no braço, na postura, na respiração. Eu curti! E então me veio na cabeça aquele verso lindo do Guimarães Rosa.

Em outros posts eu já havia feito o paralelo da corrida e da vida, e dessa vez, tudo continuou fazendo muito sentido. Hoje eu procuro me desconectar mais das coisas que não posso resolver, tento não viver momentos que não me pertencem. É um exercício diário, assim como os treinos físicos. Aproveito mais a jornada do que me preocupo em cruzar a linha de chegada com pressa, afoita, cansada, em um ritmo que não me pertence. Seja na vida ou na corrida, agora sei que tudo passa, que é só ter um pouquinho de paciência e perseverança e que a mesma dor que te incomoda é aquela que te realiza.

E assim como na corrida, tenho procurado evitar a pressa para realizar minhas vontades, mas sem perder o ritmo, sem acomodar. Estou respeitando mais a minha velocidade, a minha passada, prestando mais atenção nos movimentos.

As vezes a gente cansa e pensa em parar, é inevitável. Desistir nem sempre é uma fraqueza, muitas vezes é uma necessidade. Mas isso sem antes tentar da melhor maneira possível. Se eu tivesse que parar na prova porque não estava aguentando mais, não seria um problema. Mas acreditei na minha capacidade, adotei as melhores estratégias que pude e no final cruzei a linha muito feliz!

Entendo quem corre por tempo, entendo quem corre pra vida. Acho válido, desde que todo mundo curta a jornada, seja ela qual for. As vezes ficamos tão preocupados com um ponto, que esquecemos que o caminho até chegar lá é a melhor parte! Sabe aquela frase: o melhor da festa é esperar por ela? Então...

Não sei se é a vida que está me ensinando a correr, ou se a corrida está me ensinando a viver. Mas fiquei feliz porque consegui curtir essa prova mais do que as outras. Com mais calma, menos ansiedade, pensando nas partes chatas com calma (dores, calor, sede) e como disse minha treinadora 'com o peito aberto e com a alma gigenta'. Ainda falta MUITO para eu melhorar em vários quesitos durante as provas (e durante a vida). Citando Guimarães, 'Eu quase que nada sei, mas desconfio de muita coisa'. Inclusive sobre o poder da coragem de seguir, de correr. E ainda sobre o mesmo autor, ele tem razão também quando diz que "O real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia."

Até a próxima prova, até o próximo post :)

Obrigada por todo mundo que tem torcido, vocês são demais! <3

Projeto Pampulha - K21 series

Já me perdi nas semanas do Projeto Pampulha. Mas ele continua acontecendo!

Estou sem regularidade nos posts do projeto porque as semanas vem acontecendo naturalmente: treinos de corrida e fortalecimento.Mas nesse intervalo rolou a K21 Maresias e vou contar certinho como foi!

Dia 18 de julho fiz minha primeira prova de montanha. A k21 series! Já havia comentado aqui sobre, e estava super ansiosa para chegar! E chegou (e já passou, buáááá!). Gente, foi MUITO, MUITO, MUITO legal. Uma verdadeira aventura em todos os sentidos.

Como já havia contado, comecei numa assessoria que é forte nas provas de montanha. Quando fui apresentada a essa modalidade (antes mesmo de começar a correr) eu imaginava: "corrida de aventura? No meio do mato? Não dá pra correr o tempo todo? hmmm... sei não hein, vou ficar no asfalto"

Que bom que a gente muda nossa cabeça, e como diria Raul Seixas, eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo!

E para quem  duvidou de si mesma quando começou a correr, não é tão estranha essa mudança de perspectiva sobre o assunto.

Pois bem... após ser gentilmente pressionada  influenciada a fazer a prova de Maresias pela minha treinadora (Ma<3), comecei a procurar sobre essas provas - e fazer os treinamentos aos sábados, alguns em montanha. A minha treinadora falava "você vai entrar pro mundo das montanhas e não vai sair", e eu pensava "hahahaha ah vá! Essas provas loucas em montanha, não sei quantos km, atravessando rio, asfalto, barro, terra, mato, subida e descida?".

Spoiler: continuo achando meio louco, mas realmente comecei a querer fazer parte dessa maluquice toda

E então chegou o dia, que estava LINDO, o céu azul, tudo perfeito. Até a hora da largada... E então eu comecei a ficar daquele jeito: MUITO nervosa.

Minutos antes meu batimento cardíaco estava explodindo e mil coisas passaram na minha cabeça: todos os motivos que me levaram a correr, nos treinos, em como eu queria estar ali e tudo era uma grande novidade, em coisas pessoais, em como queria terminar aquela prova, nas lições da treinadora, nas pessoas que queriam me ver cruzando a linha, nos meus aprendizados, enfim... foram aqueles minutos de tensão eternos provocados pelo nervosismo pré corrida e pensamentos aleatórios. E esse momento se estendeu até os 30 primeiros minutos de prova.

Tenso!

Tudo isso somado medo de não conseguir, da vontade querer de terminar a prova dentro do combinado com a treinadora (2 horas de prova!)... olha, foi uma novela na minha cabeça, pelo menos nos 20 primeiros minutos. Era a briga do medo contra a vontade única e exclusiva de voltar inteira e feliz. Mas hora NENHUMA pensei em desistir.

Até que fui ficando calma. O relevo logo de cara era bem irregular, muitas subidas, muita gente, muita caminhada... quando comecei a conseguir correr com ritmo fiquei calma. Coloquei a cabeça no lugar, atravessei riachos (muita aventura pra mim, hahaha) e fui focando na prova. Até que chegou uma subida que juro, eu só pensava "%$#%@!#$%, ferrou! Mas vamos lá!". Nessa altura do campeonato eu já via muita gente voltando, passando por mim e eu pensava "ok, vou ser uma das últimas, mas tudo bem, tenho que completar".

Mas como diria Atticus Finch no livro 'O sol é para todos': coragem é entrar numa batalha mesmo sabendo que você pode perder.

Eu subi gente... eu subi sem olhar pra trás. Me senti corajosa e subi, subi, subi, na maior animação... E olha... era subida viu? Hehehehe. Até que cheguei ao topo e hora de dar a volta para retomar o caminho até a linha de chegada. Então quando comecei a descer e ver MUITA gente ainda subindo. Nossa... vocês tinham que ver a minha cara de alegria! Eu só pensava "eu não vou ser a última!" e quando olhei no relógio vi que ia dar tempo de chegar no tempo que combinei. Eu desci tipo sem medo!

Aí foi a melhor parte, só alegria, sem nervosismo, muita empolgação! Até ultrapassei algumas pessoas, me senti importante, hahahahaha. E quando vi a linha de chegada lá na frente, ufa, foi libertador! Eu nem pensava em nada, só fiquei muito feliz - meio abestalhada, mas feliz! Se eu tivesse focado um pouco mais na prova e não no meu nervosismo, logo no começo, eu teria ido ainda melhor. Mas isso fica de aprendizado para próximas experiências.

Terminei a prova em 2:05 minutos e não dava para acreditar! Fiquei até meio lesada depois. Sei lá, eu tava meio boba, muita adrenalina, muita informação pra lidar, não caiu a ficha, fiquei meio tantan... Não estava cansada, não senti dor, parecia que meu corpo estava mais leve, porém meio anestesiado. Era uma mistura de sentimentos que olha, nem dá para tentar explicar.

Passada a euforia e a sensação de não entender nada, depois de lidar com todos os fatos, de digerir tudo que estava acontecendo ali, retomei meu estado normal. Mas confesso que só na segunda feira eu realmente tive noção do que tinha acontecido naquele dia. E que em Dezembro sentiria aquilo tudo de novo na minha cidade natal, mas sem a parte do nervosismo descontrolado, só aquela ansiedade gostosa.

Foi  muito intenso e realizador para mim, porque nunca me vi fazendo aquilo tudo, muito menos naquele tempo estimado, sentindo aquilo tudo. A primeira experiência é sempre inesquecível. E foram vários aprendizados!

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Fisicamente foi muito bom! Como eu disse algumas linhas acima, antes eu achava loucura e pensava 'jamais conseguirei!'. Agora eu tenho noção total de que tudo é uma questão de disciplina e treinamento.

Mentalmente foi melhor ainda. Eu fiquei muito ansiosa no começo e depois da prova. Depois eu vi o quanto é essencial digerir o nervosismo e que a graça está em relaxar e curtir - ao invés de ficar criando expectativa, tentando adivinhar o que vem depois. Eu tendo a ser assim em coisas da vida, trabalho, etc...

Depois daquele dia, estou usando essa experiência como um aprendizado, uma forma de melhorar em todas as esferas da vida. Não é fácil, mas aproveitar muito mais o agora, pensando no momento, sendo plena, sem preocupar tanto com o amanhã, é bem menos estressante . Obviamente não dá para ser assim o tempo todo, a gente se frustra sempre, mas as frustrações também fazem parte do aprendizado.

Meu pai sempre me diz para fazer a minha parte, confiar em mim e desconfiar do acaso. E é mais ou menos isso que concluí:

" Confie em você, faça sua parte e deixe o acaso colaborar também!"

Profissionalmente, mudei MUITO a minha visão sobre esportes, competições e atletas. Vi que nossa cabeça comanda nosso corpo mais do que a gente imagina, o quão trabalhoso é ser ou estar atleta, que disciplina é essencial e o quanto devemos admirar essas pessoas que se dedicam! Seja a prova de corrida de rua, de montanha, o Iron Man, as Olimpíadas ou outro esporte... não importa!

Quem se coloca sob um treinamento físico merece muita compreensão e respeito. Eu jamais entendia como podia passar na cabeça de um ser humano fazer um Iron Man ou qualquer outra prova maior (maratonas, ultramaratonas, por exemplo). Hoje eu não só compreendo essa motivação, como apóio e coloquei outras provas (que jamais achei que faria) na minha 'lista de coisas para realizar em vida'. Se elas vão acontecer, eu não sei.. Vou confiando em mim e fazendo minha parte, o acaso se encarrega da parte dele. Quando eu fizer, farei questão de descrever minhas experiências.

E a prova me fez aumentar um dia de treino. Quero melhorar meu ritmo e velocidade: antes fazia quarta/sexta e alguns sábados - todos de manhã - e agora adicionei um treino de tiro na segunda. Além de continuar firme e forte na musculação.

Me sinto bem escrevendo isso tudo. Reforço a idéia de que a atividade física é mais uma oportunidade de auto conhecimento e disciplina, e isso é EXCELENTE. Outro dia uma paciente querida me disse que ficou muito entusiasmada com meus posts sobre o assunto, e que até comentou com o treinador que queria correr mais! Fico muito feliz de incentivar de uma maneira tão positiva. Eu realmente estou adorando a corrida e faço com muito prazer e disciplina, porque o resultado final é impagável!

Espero que tenham gostado!

Mil beijos!

Minha alimentação #desafiopampulha #naocontocalorias18km

 

Esse final de semana fiz um treino de 20 km em montanha! Isso mesmo, 20km! Lógico que não foram 20km na velocidade da luz (foram 3 horas de treino) e tiveram algumas caminhadas (segundo o app que estava usando, cerca de 4 km). Mas fiquei feliz em ver que é super possível fazer a Pampulha no final do ano! Algumas pessoas que treinam comigo já disseram que vou tirar de letra, mas só quando a gente se vê fazendo a quilometragem que acredita né?

Dia 18/7 vou fazer uma prova de montanha de 10km e estou MUITO animada! Adorei a experiência do treino e estou ansiosíssima para a prova. Já vi o vídeo da prova do ano passado dezenas de vezes, olhem só...

https://vimeo.com/131566265#at=12

Mas acredito que cheguei nesse ponto por dois motivos: O primeiro é a disciplina.O segundo é a musculação. No último mês, resolvi levar mais a sério. Antes eu treinava corrida segunda, quarta e sexta. Agora faço também musculação, 2x/semana, terças e quintas. No final de semana eu escolho um dia para treinar: ou corrida ou vou pedalar. No dia que sobra, descanso e faço uma sessão mais 'séria' de alongamento (sozinha, em casa).

Depois que comecei a musculação, fiquei muito feliz em ver como meu corpo reagiu bem a atividade, não só esteticamente: depois dos treinos, estava menos cansada, sem dores e mais ágil. No dia a dia, estou com uma postura melhor para andar e sentar. Há um mês havia feito um treino maior do que o habitual e depois senti algumas dores chatas. Já nesse último treino de sábado, que foi o maior de todos, eu senti menos dores, e somente no final. Acredito que seja resultado da musculação!

E com todas essas mudanças, tive que readaptar toda minha alimentação...

Para contar como está, achei legal dividir o post em 3 partes (3 episódios) - Como está a MINHA alimentação, proteínas na prática esportiva e carboidratos na prática esportiva. Hoje vou falar sobre a minha vida. Estou considerando que vocês me vejam não só como nutricionista, mas como uma pessoa normal, que gosta de comer, beber, etc etc etc.

Minha preocupação fundamental não é contar calorias - não tenho noção de quantas calorias consumo por dia, de verdade. Minha preocupação é em fazer boas escolhas alimentares e ter bons resultados na corrida e claro, adequar a alimentação a minha rotina.

Eu tenho três regras básicas para a minha alimentação

Nos dias de treino pela manhã (quarta, sexta) eu acordo bem cedo, por volta das 05:50 ou 06:00. Eu prefiro consumir líquidos antes da atividade física, pois sinto que meu corpo reage melhor, me sinto menos pesada e não fico 'lembrando' da comida enquanto corro. Para conseguir fazer isso, tenho que garantir a minha refeição antes de dormir. Por isso essa história de 'não coma carboidrato a noite' não funciona para mim. Preferencialmente eu dou atenção para as fontes energéticas (carboidratos). Se eu comer pouco a noite, de manhã vou estar com a fome do cão, e somente meu shake de frutas e mel não vai dar conta do recado. Então o que chamo de pré treino não é somente logo antes da atividade, mas antes também de dormir.

Já na segunda feira, que treino a noite, garanto durante o dia. A tarde faço um lanche legal (iogurte com castanhas ou cereais, pão com queijo, etc) e um pouco antes como uma fruta que esteja bem madura (as frutas mais verdes costumam 'pesar', principalmente a banana). Hoje por exemplo, é aniversário da minha secretária querida (parabéns Mariiii) e aproveitei pra comer um pedaço de bolo agora a tarde como lanche! - Comi dois, de banana com canela, hmmmmm...

Os treinos de corrida são bem variados. Tem dias que são treinos de tiro e esses dias meu metabolismo fica a mil! Sinto uma fome do cão e geralmente aumenta minha vontade por doces. Nesses dias eu tenho que garantir alimentos que dêem mais saciedade e que cubram o gasto energético. Como o meu objetivo não é perder peso (pelo contrário, preciso aumentar minha massa magra), se eu comer menos que preciso, não vai dar certo. Portanto, eu dou uma enfatizada no arroz com feijão, na salada, em pães e grãos integrais e nas fontes de proteína. Se eu comer menos do que necessário, bate aquela vontade incontrolável de comer doces! Nos dias de musculação, o consumo é o padrão, sem nada muito específico. São dias que sinto menos fome.

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Agora no frio (e no tempo seco) estou me vigiando quanto a hidratação. Durante os treinos, bebo pouca água pois são treinos de 1 hora. É só o suficiente para molhar a boca. Não existe essa coisa de ficar uma hora na academia e matar aquela garrafa de 2 litros d'água não hein gente? Pelo amooooor! A hidratação durante o dia muitas vezes é tão ou até mais importante que a hidratação durante o treino. Já nas provas ou treinos mais longos, cada um vai ter uma demanda - que depende desde duração, intensidade e tipo de esforço até condições climáticas do local. No dia a dia, o meu termômetro é o 'xixi'. Quando vejo que estou indo menos ao banheiro, acende a luz vermelha e volto a tomar bastante líquido.

Outro detalhe são os bons drink. Quem me conhece sabe que não abro mão de um vinhozinho ou de uma cervejinha. Nos dias (noites) anteriores aos treinos, procuro não beber. No máximo, uma taça de vinho ou dois chopps, bebendo água, e isso não me atrapalha. Não estou abrindo mão de toda a minha vida social de maneira totalmente fanática... Estou fazendo escolhas melhores. Eu prezo muito a diversão, mas encontrei isso também na corrida. Então eu adaptei maneiras de fazer as duas coisas ao mesmo tempo! Marco meus 'agitos' em dias que não treino cedo no dia seguinte, ou troco o horário dos treinos. E dou MUITA importância para o sono. Se eu bebi umas 2 taças de vinho a mais mas dormi cedo, bebo bastante água antes de deitar, não durmo de barriga vazia e no outro dia tô pronta pro treino. Eu sei os meus limites porque escuto e observo meu corpo!

Além disso, estou avaliando a real necessidade de suplementar ou não. Preciso aumentar minha massa magra, e tenho uma dificuldade de adequar a quantidade proteica a ser ingerida. Não tenho absolutamente nada contra a suplementação, desde que ela seja bem feita, claro. Mas sou do time comida, e enquanto eu puder fazer através de alimentos eu farei. Mas isso é assunto para a parte 'proteína e exercícios físicos'.

Beijos!