Gravidez, alimentação e expectativas

Gravidez, alimentação e expectativas

“Tudo bem se você virar uma comedora de Club Social”, foi o que a médica me falou na minha primeira consulta pré natal. Com 4 semanas de gravidez e ainda sem nenhum sintoma, saí do consultório pra casa tranquila e pensando sobre minha organização alimentar nos próximos meses.

Então começaram as minhas reflexões sobre esse período que gera tanta fantasia no imaginário das mulheres. Passada a fase difícil, decidi escrever sobre isso, considerando minha experiência no consultório com outras gestantes, a observação do meu próprio corpo e minhas percepções sobre as informações divulgadas acerca desse assunto.

Read More

PAZ(coa)

PAZ(coa)

Domingo, 21 de abril de 2019, celebra-se o domingo de páscoa. Os ovos de chocolate, símbolo maior dessa data, já estão nos supermercados antes do carnaval. Produtores de ovos caseiros já estão a todo vapor, e a preocupação com o chocolate consumido também.

Algumas pessoas se negam a comer chocolate: “eu prefiro nem comer, porque se eu como, eu não paro mais", é o que a maioria diz. Se a afirmação não é essa, a justificativa é a seguinte: “o meu problema é que eu gosto de chocolate, sabe?”. Eu costumo lembrar que gostar de chocolate, algo tão gostoso, não é um problema, e sim uma questão de paladar - ainda brinco dizendo que problema é quando você gosta de substâncias estranhas, como shampoo, sabonete, pedra…

E acho sempre importante explicar que ficar sem comer chocolate não é a solução para não abrir essa 'porta’ para o excesso. Muito pelo contrário: restringir só aumenta o consumo na hora da permissão.

E com a páscoa chegando daqui 30 dias, muita gente opta por não comer chocolate até lá, já que quando a data chegar, haja chocolate! Outras procuram soluções supostamente mais saudáveis, como ovos sem lactose, sem glúten e sem açúcar.

Read More

Balança é equilíbrio?

Balança é equilíbrio?

Fiz uma enquete outro dia. Perguntei quem tinha balança em casa, desde quando se pesavam com frequência e com quem haviam aprendido. 60% respondeu que tem balança em casa. Desses 60%, 27% disseram que se pesam desde a infância, e 54% das pessoas que se pesam desde a infância disseram que aprenderam o hábito vendo os pais se pesando.

Se pesar pode ser bom ou ruim: há quem se beneficie do ato de subir ba balança de tempos em tempos, porque isso pode auxiliar a se manter num peso que elas julgam interessante, na ausência de restrições e dietas. Sabe aquela pessoa que tem uma boa relação com a comida, não vive de dieta, nunca tem alterações grandes de peso e vive uma relação de neutralidade com o próprio corpo? Se você é essa pessoa - ou seja, não sofre pra se pesar, não se escraviza pelo número e mantém um peso sem grandes oscilações de número e comportamento - siga no seu hábito.

Read More

Eu acho que nunca vou conseguir emagrecer

Eu acho que nunca vou conseguir emagrecer

Muita gente quer estabelecer uma boa relação com a comida. Só que, na maioria das vezes, esse desejo vem com frases do tipo: “Mas tem como fazer isso e emagrecer? Dá pra diminuir minhas compulsões e perder peso? Porque eu preciso muito emagrecer. Questão de estética, mas também de saúde, sabe?”.

Bem, eu não posso afirmar. Porque não sei o dia de amanhã, depende muito do protagonismo e da entrega do paciente no tratamento (nada fácil, mas super possível) e, sobretudo, depende do metabolismo de cada um.

Se eu fosse chutar um número, diria que 95% das pessoas que tem uma queixa similar a essa aí em cima, passaram por várias dietas. Várias. Tomaram remédios e fizeram as restrições mais absurdas, as vezes até as duas coisas juntas. Por isso eu nunca sei dizer se vai rolar um emagrecimento no processo de ‘fazer as pazes com a comida'. Porque o vai e vem do peso causado por restrições e permissões podem causar danos irreparáveis ao metabolismo.

Read More

Desafio

Desafio

Quando decidi escrever sobre esse tema, joguei no google “Desafio sem doce", e lá estavam vários links para reportagens diversas sobre o tema. A primeira delas me chamou a atenção; a autora escreveu: “O que aconteceu quando topei o desafio de ficar uma semana sem ingerir açúcar”. Fui lá ver o que havia acontecido com ela e tudo o que eu li foi o suficiente para me inspirar nesse texto.

Eu não sei de onde surgiu a idéia de fazer um ‘desafio’ de ficar sem comer algo. 30 dias sem açúcar, 30 dias sem carne, 30 dias sem refrigerante. Mas isso me remete a idéia da quaresma, período litúrgico de 40 dias que antecede a Páscoa cristã, onde, atualmente, os devotos fazem o sacrifício através da carne, excluindo esta da alimentação diária. Judeus também fazem jejum no dia do Yom Kipur e os muçulmanos do Ramadã. O jejum, independente da crença, marca um período de reflexão, e termina com uma bela refeição.

Além da reflexão, pessoas de várias crenças acreditam que cumprir essas privações fazem parte do perdão, o alívio da eternidade do divino. Cumprir um jejum dá a sensação de estar mais pertinho da garantia do paraíso, de ser uma pessoa mais iluminada e capaz.

Claro que ficar 30 dias sem açúcar, sem carne, sem álcool ou seja lá o que for, na intenção de perda de peso, não nos coloca mais próximo do divino. Mas, em tese, nos deixa longe da tentação. E tentação, tem relação com o pecado - nesse caso, da gula. Esse processo já põe o desafio em xeque: alimentos se tornam anjos e demônios, reforçando a dicotomia da mentalidade de dieta.

Read More