Desafio Pampulha - Guimarães Rosa e Corrida Vênus

Menos de 3 meses para os 18km da Pampulha!

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Os treinos continuam indo bem, consigo ver o quanto evoluí desde o começo. Hoje a corrida está totalmente inserida na minha vida (não só ela, mas a prática de exercícios físicos em geral). Passei por aquele momento de querer convencer todo mundo a correr, como se esse esporte fosse o único legal da vida, hehehehe. Mas passou essa fase de 'evangelização'. Mas continuo cada dia mais certa de que a vida sem um exercício física não é tão legal. E acreditem em mim: se eu estou falando isso, qualquer um é capaz de se apaixonar pelos esportes.

Eu já falei aqui no blog no mínimo umas 29483202 vezes que eu sempre fui muito preguiçosa e que a corrida me fez quebrar essa barreira. Colocar um objetivo 'final' (que foi a Pampulha) foi uma excelente estratégia. Por isso se você não pratica atividades físicas e quer levar a sério, construa um objetivo.

Nesse domingo corri 15km na prova Vênus, aqui em São Paulo. Com a pampulha chegando, achei interessante fazer uma de asfalto, já que havia feito apenas uma bem no começo e duas de montanha no meio do caminho. Confesso que me inscrevi sem pensar muito, nos 15 km. Fiquei meio tensa, afinal, é uma experiência incial... Mas na semana que antecedeu a prova adotei a técnica de não pensar muito naquilo, deixar para o dia, pra não sofrer por antecipação. Foi a hora de esfriar, sossegar e afrouxar.

Mas no sábado, antes de dormir, estava bem ansiosa. Eu não pensei em fazer tempo, mas não queria andar nem por 1 minuto durante a prova. Queria completar tudo correndo o tempo todo! Minha treinadora, com uma simples mensagem me colocou no meu lugar: "Sem chance nenhuma de você andar. Agora você é outra mulher, você é uma corredora... Confia e vai!". 

Pode parecer besteira para algumas pessoas, mas para mim não é: a cabeça comanda muito, principalmente na hora do esporte. E isso tudo que ela me disse (e diz sempre) foi MUITO importante.

Talvez para quem já corra há um tempo não faça tanto sentido, ou vai ter gente achando que é filosofia barata. Mas realmente eu sou assim. Me questiono, discuto comigo mesma. Filosofo até não poder mais - devo ter herdado isso do meu pai (ou dizem que é do signo, vai saber!).

E fui fazer a prova!

Uma coisa que havia me incomodado nas provas anteriores foi o meu nervosismo, minha cabeça trabalhando muito, a dificuldade de concentrar - principalmente no início. Já havia passado por isso na primeira prova de montanha - que contei aqui nesse post. Inclusive fiz um paralelo entre a prova e a minha maneira de ser, e me propus a transferir o aprendizado da corrida para coisas do dia a dia. Então essa prova se tornou um desafio não só físico - completar os 15km sem andar - como também um desafio mental - tentar me desconectar ao máximo, e ao mesmo tempo manter a concentração.

Não fiquei nervosa e consegui começar num ritmo bom, tranquilo, sem desespero de fazer tempo. Corri sem música - o que eu achei muito bom, pois fez eu me concentrar mais! Em alguns momentos eu estava com mais pique e então apertava um pouco o ritmo, aumentava a passada. Quando ficava mais cansada, diminuía o ritmo... Mas não parei. Confesso que em algum momento eu pensei 'o que eu estou fazendo aqui nesse calor?'. Mas ao mesmo tempo estava feliz de realizar algo que nunca tinha feito. Eu sabia que uma hora a prova ia acabar, e ao invés de querer acompanhar a velocidade de quem passava por mim, respeitei a minha maneira de correr, prestando atenção na passada, no braço, na postura, na respiração. Eu curti! E então me veio na cabeça aquele verso lindo do Guimarães Rosa.

Em outros posts eu já havia feito o paralelo da corrida e da vida, e dessa vez, tudo continuou fazendo muito sentido. Hoje eu procuro me desconectar mais das coisas que não posso resolver, tento não viver momentos que não me pertencem. É um exercício diário, assim como os treinos físicos. Aproveito mais a jornada do que me preocupo em cruzar a linha de chegada com pressa, afoita, cansada, em um ritmo que não me pertence. Seja na vida ou na corrida, agora sei que tudo passa, que é só ter um pouquinho de paciência e perseverança e que a mesma dor que te incomoda é aquela que te realiza.

E assim como na corrida, tenho procurado evitar a pressa para realizar minhas vontades, mas sem perder o ritmo, sem acomodar. Estou respeitando mais a minha velocidade, a minha passada, prestando mais atenção nos movimentos.

As vezes a gente cansa e pensa em parar, é inevitável. Desistir nem sempre é uma fraqueza, muitas vezes é uma necessidade. Mas isso sem antes tentar da melhor maneira possível. Se eu tivesse que parar na prova porque não estava aguentando mais, não seria um problema. Mas acreditei na minha capacidade, adotei as melhores estratégias que pude e no final cruzei a linha muito feliz!

Entendo quem corre por tempo, entendo quem corre pra vida. Acho válido, desde que todo mundo curta a jornada, seja ela qual for. As vezes ficamos tão preocupados com um ponto, que esquecemos que o caminho até chegar lá é a melhor parte! Sabe aquela frase: o melhor da festa é esperar por ela? Então...

Não sei se é a vida que está me ensinando a correr, ou se a corrida está me ensinando a viver. Mas fiquei feliz porque consegui curtir essa prova mais do que as outras. Com mais calma, menos ansiedade, pensando nas partes chatas com calma (dores, calor, sede) e como disse minha treinadora 'com o peito aberto e com a alma gigenta'. Ainda falta MUITO para eu melhorar em vários quesitos durante as provas (e durante a vida). Citando Guimarães, 'Eu quase que nada sei, mas desconfio de muita coisa'. Inclusive sobre o poder da coragem de seguir, de correr. E ainda sobre o mesmo autor, ele tem razão também quando diz que "O real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia."

Até a próxima prova, até o próximo post :)

Obrigada por todo mundo que tem torcido, vocês são demais! <3

Projeto Pampulha - K21 series

Já me perdi nas semanas do Projeto Pampulha. Mas ele continua acontecendo!

Estou sem regularidade nos posts do projeto porque as semanas vem acontecendo naturalmente: treinos de corrida e fortalecimento.Mas nesse intervalo rolou a K21 Maresias e vou contar certinho como foi!

Dia 18 de julho fiz minha primeira prova de montanha. A k21 series! Já havia comentado aqui sobre, e estava super ansiosa para chegar! E chegou (e já passou, buáááá!). Gente, foi MUITO, MUITO, MUITO legal. Uma verdadeira aventura em todos os sentidos.

Como já havia contado, comecei numa assessoria que é forte nas provas de montanha. Quando fui apresentada a essa modalidade (antes mesmo de começar a correr) eu imaginava: "corrida de aventura? No meio do mato? Não dá pra correr o tempo todo? hmmm... sei não hein, vou ficar no asfalto"

Que bom que a gente muda nossa cabeça, e como diria Raul Seixas, eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo!

E para quem  duvidou de si mesma quando começou a correr, não é tão estranha essa mudança de perspectiva sobre o assunto.

Pois bem... após ser gentilmente pressionada  influenciada a fazer a prova de Maresias pela minha treinadora (Ma<3), comecei a procurar sobre essas provas - e fazer os treinamentos aos sábados, alguns em montanha. A minha treinadora falava "você vai entrar pro mundo das montanhas e não vai sair", e eu pensava "hahahaha ah vá! Essas provas loucas em montanha, não sei quantos km, atravessando rio, asfalto, barro, terra, mato, subida e descida?".

Spoiler: continuo achando meio louco, mas realmente comecei a querer fazer parte dessa maluquice toda

E então chegou o dia, que estava LINDO, o céu azul, tudo perfeito. Até a hora da largada... E então eu comecei a ficar daquele jeito: MUITO nervosa.

Minutos antes meu batimento cardíaco estava explodindo e mil coisas passaram na minha cabeça: todos os motivos que me levaram a correr, nos treinos, em como eu queria estar ali e tudo era uma grande novidade, em coisas pessoais, em como queria terminar aquela prova, nas lições da treinadora, nas pessoas que queriam me ver cruzando a linha, nos meus aprendizados, enfim... foram aqueles minutos de tensão eternos provocados pelo nervosismo pré corrida e pensamentos aleatórios. E esse momento se estendeu até os 30 primeiros minutos de prova.

Tenso!

Tudo isso somado medo de não conseguir, da vontade querer de terminar a prova dentro do combinado com a treinadora (2 horas de prova!)... olha, foi uma novela na minha cabeça, pelo menos nos 20 primeiros minutos. Era a briga do medo contra a vontade única e exclusiva de voltar inteira e feliz. Mas hora NENHUMA pensei em desistir.

Até que fui ficando calma. O relevo logo de cara era bem irregular, muitas subidas, muita gente, muita caminhada... quando comecei a conseguir correr com ritmo fiquei calma. Coloquei a cabeça no lugar, atravessei riachos (muita aventura pra mim, hahaha) e fui focando na prova. Até que chegou uma subida que juro, eu só pensava "%$#%@!#$%, ferrou! Mas vamos lá!". Nessa altura do campeonato eu já via muita gente voltando, passando por mim e eu pensava "ok, vou ser uma das últimas, mas tudo bem, tenho que completar".

Mas como diria Atticus Finch no livro 'O sol é para todos': coragem é entrar numa batalha mesmo sabendo que você pode perder.

Eu subi gente... eu subi sem olhar pra trás. Me senti corajosa e subi, subi, subi, na maior animação... E olha... era subida viu? Hehehehe. Até que cheguei ao topo e hora de dar a volta para retomar o caminho até a linha de chegada. Então quando comecei a descer e ver MUITA gente ainda subindo. Nossa... vocês tinham que ver a minha cara de alegria! Eu só pensava "eu não vou ser a última!" e quando olhei no relógio vi que ia dar tempo de chegar no tempo que combinei. Eu desci tipo sem medo!

Aí foi a melhor parte, só alegria, sem nervosismo, muita empolgação! Até ultrapassei algumas pessoas, me senti importante, hahahahaha. E quando vi a linha de chegada lá na frente, ufa, foi libertador! Eu nem pensava em nada, só fiquei muito feliz - meio abestalhada, mas feliz! Se eu tivesse focado um pouco mais na prova e não no meu nervosismo, logo no começo, eu teria ido ainda melhor. Mas isso fica de aprendizado para próximas experiências.

Terminei a prova em 2:05 minutos e não dava para acreditar! Fiquei até meio lesada depois. Sei lá, eu tava meio boba, muita adrenalina, muita informação pra lidar, não caiu a ficha, fiquei meio tantan... Não estava cansada, não senti dor, parecia que meu corpo estava mais leve, porém meio anestesiado. Era uma mistura de sentimentos que olha, nem dá para tentar explicar.

Passada a euforia e a sensação de não entender nada, depois de lidar com todos os fatos, de digerir tudo que estava acontecendo ali, retomei meu estado normal. Mas confesso que só na segunda feira eu realmente tive noção do que tinha acontecido naquele dia. E que em Dezembro sentiria aquilo tudo de novo na minha cidade natal, mas sem a parte do nervosismo descontrolado, só aquela ansiedade gostosa.

Foi  muito intenso e realizador para mim, porque nunca me vi fazendo aquilo tudo, muito menos naquele tempo estimado, sentindo aquilo tudo. A primeira experiência é sempre inesquecível. E foram vários aprendizados!

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Fisicamente foi muito bom! Como eu disse algumas linhas acima, antes eu achava loucura e pensava 'jamais conseguirei!'. Agora eu tenho noção total de que tudo é uma questão de disciplina e treinamento.

Mentalmente foi melhor ainda. Eu fiquei muito ansiosa no começo e depois da prova. Depois eu vi o quanto é essencial digerir o nervosismo e que a graça está em relaxar e curtir - ao invés de ficar criando expectativa, tentando adivinhar o que vem depois. Eu tendo a ser assim em coisas da vida, trabalho, etc...

Depois daquele dia, estou usando essa experiência como um aprendizado, uma forma de melhorar em todas as esferas da vida. Não é fácil, mas aproveitar muito mais o agora, pensando no momento, sendo plena, sem preocupar tanto com o amanhã, é bem menos estressante . Obviamente não dá para ser assim o tempo todo, a gente se frustra sempre, mas as frustrações também fazem parte do aprendizado.

Meu pai sempre me diz para fazer a minha parte, confiar em mim e desconfiar do acaso. E é mais ou menos isso que concluí:

" Confie em você, faça sua parte e deixe o acaso colaborar também!"

Profissionalmente, mudei MUITO a minha visão sobre esportes, competições e atletas. Vi que nossa cabeça comanda nosso corpo mais do que a gente imagina, o quão trabalhoso é ser ou estar atleta, que disciplina é essencial e o quanto devemos admirar essas pessoas que se dedicam! Seja a prova de corrida de rua, de montanha, o Iron Man, as Olimpíadas ou outro esporte... não importa!

Quem se coloca sob um treinamento físico merece muita compreensão e respeito. Eu jamais entendia como podia passar na cabeça de um ser humano fazer um Iron Man ou qualquer outra prova maior (maratonas, ultramaratonas, por exemplo). Hoje eu não só compreendo essa motivação, como apóio e coloquei outras provas (que jamais achei que faria) na minha 'lista de coisas para realizar em vida'. Se elas vão acontecer, eu não sei.. Vou confiando em mim e fazendo minha parte, o acaso se encarrega da parte dele. Quando eu fizer, farei questão de descrever minhas experiências.

E a prova me fez aumentar um dia de treino. Quero melhorar meu ritmo e velocidade: antes fazia quarta/sexta e alguns sábados - todos de manhã - e agora adicionei um treino de tiro na segunda. Além de continuar firme e forte na musculação.

Me sinto bem escrevendo isso tudo. Reforço a idéia de que a atividade física é mais uma oportunidade de auto conhecimento e disciplina, e isso é EXCELENTE. Outro dia uma paciente querida me disse que ficou muito entusiasmada com meus posts sobre o assunto, e que até comentou com o treinador que queria correr mais! Fico muito feliz de incentivar de uma maneira tão positiva. Eu realmente estou adorando a corrida e faço com muito prazer e disciplina, porque o resultado final é impagável!

Espero que tenham gostado!

Mil beijos!

Os 12 pinos e as responsabilidades da internet

Já tem um tempo que algumas polêmicas tomam conta da internet. Dentre elas estão a 'campanha' #EuTenhoCref e "Mayra Cardi Seca você". Existem milhões de outras coisas sem noção por aí, mas essas duas foram as grandes 'polêmicas' dos últimos tempos. Ontem vi uma reportagem compartilhada por várias pessoas da área de nutrição, sobre uma menina que teve uma fratura na coluna (e teve que colocar 12 pinos!) após tentar imitar um exercício visto na internet. Semana passada tive contato com uma pessoa que está fazendo tratamento para bulimia e anorexia e afirma que a internet e a 'fitness mania' fez parte na evolução do seu problema.

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Até aí, muita gente que trabalha na área de saúde já viu muita coisa errada acontecendo. E acho que nem é meu mérito discutir sobre isso. De fato, algumas pessoas colhem informações de maneira autodidata e sim, converso de igual para igual com muitos pacientes que procuram saber sobre nutrição. A questão é que a minoria realmente se informa de maneira intensa, a maioria se mantém no nível superficial da informação, com interesses unica e exclusivamente financeiro.

 

 

Atenção! Todo mundo quer ganhar seu dinheirinho!!! Inclusive quem se forma para tal! Mas ética é bom, e todo mundo gosta!

Porém, o que me deixa mais impressionada são os comentários do tipo: "A culpa maior é de quem? Do irresponsável que 'orienta' ou do idiota que segue qualquer um?". "Segue quem quer! Isso tudo é recalque porque o cara está ganhando dinheiro e o profissional não!". "Acho que só quem é muito fraco psicologicamente, ou muito burro pra sair fazendo o que todos eles fazem à (sic) anos".

Primeiro que classificar alguém como 'idiota ou burro' é simplista demais para explicar o porque isso tudo está acontecendo. E querer ver quem é mais culpado... perda de tempo né? Afinal, a culpa não está somente no sujeito somente, mas também na maneira que situação é colocada. E não é apontando o dedo que as coisas vão se resolver...

O cara que quer vender a idéia de lifestyle saudável para ganhar dinheiro sem ser profissional da saúde está legalmente equivocado, sem dúvidas. A pessoa que quer seguir esse ideal está colaborando para que a situação ganhe mais e mais força, e prejudique mais pessoas e talvez as coisas só vão mudar quando algo sério ocorrer, ou alguém for punido. Fato.

Porém, a pessoa que segue e compra essa idéia vê aquele ali, que está vendendo o projeto seca barriga ou o exercício diferentíssimo como uma maneira de chegar onde quem vende está. Quem busca ser 'igual alguém' ou 'ter aquela barriga' se coloca em segundo plano, deixa de ser prioridade, deixa de ser o objeto central da sua felicidade, e transfere para o outro. Fazemos isso? O tempo todo. Só somos felizes se comprarmos aquilo, se tivermos aquela barriga, se namorarmos aquela pessoa, se calçarmos aquele sapato. E porque fazemos isso? Recomendo muitas horas de análise e de observação pessoal. E é aí que está o problema.

A responsabilidade de quem passa a informação errada não pode ser eximida. Mas entender o porque existe tanta platéia é essencial. Será que sua colega que passa o dia com o foco central em comer frango com batata doce porque ter a barriga da pessoa 'x' ou 'y' não seria muito mais auxiliada se, ao invés de você taxá-la de burra ou idiota, mostrasse a real situação da vida, de tudo?

Não sou a favor de pessoas inabilitadas (ou até habilitadas, que tem muitas) divulgarem informações equivocadas sem pensar na responsabilidade que elas carregam. Acho que punição (jurídica ou legal) deve existir... porque se depender do bom senso de quem faz isso, vamos ficar sentadinhos esperando!

Mas junto com a punição pela irresponsabilidade praticada por essas pessoas, sou a favor da reflexão sobre o julgamento do outro e a busca por algo que inexiste. Quem sabe assim, entendendo que aquele mundo cor de rosa do instagram fitness passa por momentos roxos, marrons e acizentados, o ibope dessas pessoas irresponsáveis não diminui?

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Porque não paramos de julgar quem caiu no conto da carochinha, e ao invés de procurar um profissional sério, buscou alternativas rápidas? Porque ao invés de acusar e punir essas pessoas - além de chamá-las de burras, estúpidas e idiotas - não tentamos, de alguma maneira, entender o que se passa, e focar também na solução disso tudo?

Porque não começamos a entender que, se sua vontade é ter um corpo sarado é uma prioridade, está ok, desde que não ultrapasse os limites da sua saúde e amor próprio? (Já escrevi inclusive nesse post aqui sobre isso). E também, porque não começamos a avaliar se realmente a gente quer ter um corpo legal pela gente, e não porque a menina do instagram que tem aquele corpão tem uma vida que parece ser super legal? Será mesmo que é tão legal assim? E será que o legal dela é o mesmo legal que o seu?

Acho que toda essa discussão deve ir além dos riscos e perigos REAIS E EXISTENTES dos perfis e ideais fitness. Essas pessoas só continuarão tendo abertura enquanto houver platéia, e essa platéia não vai mudar de idéia de uma hora pra outra, e muito menos sob os julgamentos de 'burros' ou 'idiotas'. Que bom se você consegue enxergar que talvez a atitude de querer copiar o que o outro é ou faz é uma busca rasa e superficial. Mas já parou também para pensar que nem todo mundo é assim como você, e que apontar o dedo para essas pessoas não tem funcionado? Que tal se a gente procurar novas alternativas para mudar esse cenário?

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E claro, vale lembrar que muitas vezes, infelizmente, os próprios profissionais da saúde se mostram irresponsáveis na hora de divulgar informações e que sim, esses também devem ser colocados sob a punição legal e a vista grossa de quem gosta de saúde de verdade.

Espero que tenham gostado, e que reflitam :)

Beijos

Sua sala tem janelas?

Estive durante 1 ano e 6 meses numa sala sem janelas. E eu queria muito uma sala com janela, afinal, é bom ver o sol chegando e indo embora, a chuva, o frio e etc. Agora mudei para uma sala com janela - bem grandona, diga-se de passagem. (Obaaaaaaa!!!!!!!!!).

E junto com isso, melhorei mais a minha alimentação.

Mas qual a relação da janela com a comida? Uma relação imensa: um empurrão para 'comer'. É o que os estudos científicos chamam, na língua inglesa de 'drive to eat'.

A sala sem janela fazia com que eu saísse sempre, justamente pela sensação de desconforto que ficava lá dentro, sem ver o dia passar. E quem sai, sai pra fazer algo. Não via (e nem vejo!) sentido em sair da sala para nada e voltar. Você precisa sentir que está fazendo algo - eu e a maioria precisa.

Então, na sala sem janela, eu vivia querendo sair. E saía. Ia na secretaria falar com as meninas que trabalham lá, e acabava pegando umas bolachinhas - afinal, elas estavam ali mesmo! Saía para ir até o café da esquina tomar um capuccino. Saía para ir até a cozinha conversar com quem estivesse lanchando, e acabava beliscando alguma coisa. E assim por diante...

Logo que saí da sala sem janela, uma das meninas da secretaria disse que eu estava muito 'sumida', e perguntou se eu estava de romance com minha sala. Eu ri, claro, porque estou ainda em lua de mel com minha janela. Mas só daí percebi que deixei de beliscar e comer tantas coisas 'desnecessárias' por que não precisei mais de uma 'fuga'.

Então eu te pergunto: qual é a sua janela? Já percebeu que as vezes comemos simplesmente para preencher um 'buraco' vago?

Claro que esse drive to eat é influenciado por fatores fisiológicos, como hormônios relacionados ao apetite e a saciedade, fome, gasto de energia e etc. Mas o quesito comportamental também conta muito.

Se você descobriu qual a sua janela, agora é hora de descobrir como olhar pra ela. O meu caso era uma janela mesmo, física. Mas o seu pode ser aquela fuga de concentração que rola depois de algum tempo focado em algo e que precisamos, e você acaba levantando para comer alguma coisinha e distrair. Pode ser aquela hora que você chega em casa e precisa sentir que 'chegou': para definir essa divisão trabalho/casa, abre a geladeira, tira os sapatos e come uma besteirinha.

São várias situações 'janela', que podemos usar a comida como tapa buraco.

Por isso conversar com a nutricionista é tão importante. Esse profissional pode e deve estar apto a te ajudar na procura das suas janelas.

Afinal, janela é bom para ver o sol e a chuva, e não pra ficar com a cortina fechada, certo?

Até a próxima!

Beijos,

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