Emagrecer e ficar magro

Emagrecer e ficar magro

 O IMC é o índice de Massa Corporal que pode determinar o estado de saúde através do peso. O cálculo do IMC é feito através do peso dividido pela altura ao quadrado, e o resultado indica alguns estados como magreza, eutrofia, sobrepeso e obesidade.

Esse índice é muito utilizado em estudos populacionais e em consultórios médicos e nutricionais. Mas muitas vezes seu manejo não é muito bom e pode se tornar o início de uma vida de prisões alimentares e luta contra a balança. Quem nunca ouviu um médico/nutricionista "você TEM que emagrecer!" e ficou apavorado querendo perder peso a todo custo, ou conhece alguém que depois dessa ordem ficou achando que estar magro era essencial pra uma boa saúde? Mas nem sempre magreza é garantia de saúde!

Como assim?

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Dia Mundial do Diabetes

Imagine que você comeu algum alimento fonte de carboidrato: doces, massas, pães, frutas, etc... Ao chegar no seu intestino, esse alimento é degradado e fornece glicose (que é uma fonte de energia importantíssima para o corpo). Essa glicose é absorvida e cai na corrente sanguínea, onde começa a circular... Para a glicose fornecer energia ao nosso corpo, ela precisa entrar nas nossas células, e quem faz esse serviço é a insulina - produzida no pâncreas.

Ou seja: a insulina é o 'caminhão' que carrega a glicose do sangue para a célula. Quando temos uma queda na produção insulínica (que pode ocorrer por 'n' motivos), a glicose não consegue entrar na célula, fica circulando no nosso sangue e nos prejudica em vários aspectos.

Existem dois tipos mais conhecidos de diabetes: a diabetes tipo I e a diabetes tipo II. Elas são comumente conhecidas como 'a diabetes que precisa tomar insulina - tipo I' e 'a diabetes que não precisa tomar insulina - tipo II'. A tipo I ocorre por uma falha grave na produção de insulina pelo pâncreas, ao passo que a tipo II ocorre quando a insulina é produzida de forma insuficiente - ou não é 'processada' da maneira correta.

A diabetes tipo I é provocada por uma ausência/falha grave na produção da insulina - que é o hormônio responsável por levar a glicose do sangue para as células. Ela pode acontecer em qualquer idade, mas é mais frequente em crianças e jovens.

A diabetes tipo II é conhecida como 'a diabetes que não precisa tomar insulina'. Isso porque o corpo falha menos na produção do hormônio, e muitas vezes um controle alimentar - e do peso - consegue estabilizar.

Ambos tipos causam a elevação da glicose sanguínea (porque a insulina não consegue 'carregar' para as células) e as consequências disso são várias para a saúde!

Eu vejo uma grande preocupação das pessoas quanto a diabetes, porém existem muitos mitos que circundam essa doença. Escolhi 3 para apresentar a vocês:

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Tomar insulina não é o fim do mundo! Esse é um estigma criado que deve ser derrubado. Como eu citei acima, a ocorrência da diabetes tipo I está relacionada com causas que fogem do nosso controle. Pacientes com diabetes tipo I que tem um controle alimentar/insulinico correto tem uma vida pra lá de normal, e com muita qualidade! As terapias insulinas, os aparelhos de controle glicêmicos e tratamentos como a contagem de carboidratos são formas interessantes e eficientes de dar qualidade a vida de quem tem diabetes! Quando alguém precisa fazer o uso regular da insulina, todos os familiares, amigos, ambiente de trabalho, escola, etc... devem estar envolvidos no processo.

- Claro que os serviços públicos de saúde ainda tem que melhorar o fornecimento da insulina, aplicadores, entre outros...

Pensando nisso, peço para que assinem essa petição! -

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Essa afirmação é um super mito! Pessoas com diabetes - tipo 1 e tipo 2 - podem sim comer carboidratos (e até doces!) desde que maneira equilibrada. Para isso é importante procurar uma nutricionista, que traça estratégias para equilibrar o consumo. Quantidade e tipos de carboidrato devem ser considerados, além da maneira que eles são consumidos! Não vale sair comendo tudo que vê pela frente, mas também não adianta se restringir de maneira extrema. Procurar ajuda profissional é a melhor saída para alcançar um controle gilcêmico interessante!

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Falso!!! Para evitar a diabetes (no caso, a tipo II), é necessário ter um controle alimentar geral, um peso adequado e fugir do sedentarismo. Se você consegue uma alimentação equilibrada, se mantém no peso e pratica atividades físicas regulares (e nem precisa morar na academia hein? 20 a 30 minutos diários já são interessantes!) diminui MUITO o risco da diabetes!

Mas o melhor a se fazer é prevenir. E para isso, o controle alimentar, exames periódicos e atividade física são a base de tudo. Principalmente se você tem (um ou mais desses fatores):

- casos de diabetes na família;

- obesidade ou sobrepeso (principalmente acompanhado de acúmulo de gordura abdominal);

- hipertensão arterial;

- muita fome, muita sede e alta freqüência de idas ao banheiro (xixi);

- dificuldade de cicatrizarão de feridas;

- oscilações importantes de peso

- cansaço

- falta de concentração

- visão turva

Procure o médico já!

E se você não tem nada disso mas quer evitar ao máximo os sintomas procure também manter uma alimentação adequada e praticar atividades físicas, além de fazer exames periodicamente!

Até a próxima,

Beijos!

Adoçantes e Diabetes

Todo dia aqui no consultório tem a 'hora da merenda', as 16:00 horas. Eu, as meninas da secretaria e a esteticista nos reunimos para lanchar. A esteticista daqui é uma peça rara gente, não conseguiria explicar (beijo, Leila). E ela é suuuuper conectada em tudo que envolve dieta, emagrecimento e etc. Não que ela precise, mas vocês sabem muito bem como todo mundo anda de antena ligada a todo momento pra captar a última novidade sobre esse assunto. E na hora da merenda, dá-lhe adoçante no café. E eu sempre falei que aquilo era uma grande bobeira, que era melhor ela aprender a adoçar com pouco açúcar e etc... Ela nunca me deu muita bola.

Mas ontem, na hora que sentei na mesa, a vi colocando AÇÚCAR no café. Não deu para acreditar. Fiquei com uma cara tão espantada que ela falou 'não vou tomar adoçante, porque adoçante engorda e dá diabetes. Passou no jornal Hoje'.

"Passou no jornal, foi? Vamos ver como explicaram isso!".

Vim ver o que havia passado no Jornal. E essa é a reportagem (clica pra ver!) :

http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2014/09/estudo-cientifico-diz-que-adocantes-artificiais-podem-causar-diabetes.html

E nada melhor do que tentar explicar o que realmente é esse estudo.

Vamos aos fatos:

Estudiosos do Instituto de Ciências Weizmann, em Israel, revelaram um efeito inesperado dos adoçantes artificiais nas bactérias intestinais (vulgarmente chamada de flora), que pode promover intolerância a glicose (a chamada 'pré diabetes).

Nesse estudo os pesquisadores utilizaram sacarina, sucralose e aspartame, e eles perceberam que aqueles ratinhos que receberam os adoçantes tiveram modificações na composição da microbiota, além de uma baixa tolerância a glicose e níveis aumentados de glicemia sanguínea e hemoglobina glicada, quando comparados a aqueles que receberam açúcar ou não receberam nada. A sacarina apresentou os piores resultados.

Um estudo similar também encontrou essas modificações em humanos. 381 voluntários não diabéticos que consumiam adoçantes regularmente apresentaram altos níveis de glicemia sanguínea e menor tolerância a glicose paralelamente a mudanças nas bactérias intestinais daqueles que não consumiam adoçantes.

Além disso, 7 voluntários que não consumiam adoçantes foram expostos a ingestão destes por uma semana (consumiam o máximo tolerado pelo FDA!): 4 dos 7 voluntários apresentaram uma resposta glicêmica baixa e, claro, apresentaram modificação na microbiota intestinal.

"O extenso trabalho feito com a microbiota [no estudo] continua a apontar para a importância potencial dos nossos hábitos alimentares sobre esta variável anteriormente subestimada em nosso metabolismo", disse Christopher Gardner, estudioso da Universidade de Stanford.

Apesar da quantidade de adoçantes utilizada nos estudos ser dentro dos parâmetros aceitáveis do FDA (a 'anvisa' americana), esse estudo já nos dá mais um sinal de alerta sobre o uso indiscriminado dessa alternativa dietética. Mais estudos são necessários, mas tudo indica que o fato de ter um sabor doce sem calorias não é tão vantajoso assim!

Eu já escrevi uma vez sobre adoçante aqui nesse post.

Para vocês entenderem um pouquinho, a glicose é uma fonte energética muito importante. Falando da maneira mais simples possível: quando comemos, a glicose vai para nosso sangue e depois é capturada pela insulina, que leva a glicose para dentro da célula.

Quando fazemos o exame de glicose em jejum, é esperado que a glicemia sanguínea esteja baixa. Quando comemos, logo depois, nossa glicemia está alta. E depois de um tempo, ela está baixa de novo (já que saiu do sangue para ir abastecer nossas células).

A tolerância a glicose ocorre quando, mesmo em jejum (ou um tempo depois da refeição), nossos níveis de glicemia no sangue estão elevados. E glicose elevada no sangue definitivamente não é legal: pode causar problemas como hipertensão, doenças cardíacas, entre outros. Além disso, quando mantemos nossa glicemia elevada, de maneira crônica, a insulina começa a ter falhas graves de produção, evoluindo então para o quadro de Diabetes.

E todo mundo sabe que a Diabetes é uma doença que deve ser evitada: pacientes diabéticos tem entre 2 a 4 vezes mais chances de doenças cardíacas e AVC's que não diabéticos, e cerca de 65% das mortes entre diabéticos são devidos a estes problemas citados.

O fato é que somente o adoçante não é o responsável por desenvolver diabetes - ou problemas relacionados a glicose sanguínea - mas é bom ficar de olhos bem abertos.

As pesquisas existem (em grande número viu?) e não se assuste se daqui um tempo os adoçantes sejam mais ignorados do que consumidos.

Vocês já devem imaginar minha opinião: melhor do que tomar adoçante, é aprender a comer açúcar em pequenas doses e somente quando necessário.

O adoçante pode ser uma alternativa para determinados casos, mas hoje sabemos que com um controle glicêmico bem feito - ou seja, com acompanhamento de alguém bem especializado - até diabéticos podem consumir pequenas porções de doces! Então porque você, saudável, iria consumir o adoçante?

A solução da obesidade não está no adoçante, mas sim num contexto geral da alimentação :)

Espero que tenham gostado!

Beijos e bom final de semana!

Referências: http://www.nature.com/nature/journal/vaop/ncurrent/full/nature13793.html?utm_source=dlvr.it&utm_medium=tumblr

National Diabetes Information Clearinghouse (NDIC)

A vida é um doce

Um dos assuntos que geram muito fanatismo é o açúcar. E no caso desse post, pode ultrapassar o fanatismo chegando ao terrorismo: o consumo de açúcar das crianças!

Tem mãe que não deixa a criança nem saber o que é doce, já outras exageram no açúcar.

"Mas como saber se eu estou fazendo o correto com o meu filho?". O primeiro passo é conversar com um profissional de saúde. Cada criança tem um metabolismo, uma saúde, uma alimentação.

O segundo (e eterno) passo é ter equilíbrio. E esse, muitas vezes, é difícil de ser alcançado, muitas vezes porque ficamos perdidos no meio de tanta informação.

Por isso, vou escrever alguns detalhes sobre o consumo de açúcar pelo público infantil (mas que também se aplica aos adultos). E claro, essa é a minha opinião, minha maneira de trabalhar de trabalhar: baseada no equilíbrio e na educação alimentar.

Os açúcares são carboidratos que podem ser encontrados nas formas mais simples (monossacarídeos) até as formas mais complexas (polissacarídeos). O açúcar branco que consumimos (açúcar da cana) é a sacarose, um carboidrato formado por duas moléculas (glicose e frutose). Mas temos também vários outros açúcares: a frutose (açúcar das frutas), a lacose (do leite), os açúcares 'escondidos' nos rótulos alimentares: xarope de milho, xarope de glicose, dextrose, maltodextrina, xarope de glucose, etc e outros.

A antiga recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) preconizava que 10% das calorias diárias fossem provenientes do açúcar, mas a OMS reduziu esse número para 5%. Supondo que a alimentação de uma criança tenha 1000 kcal (situação hipotética), isso equivale a 50kcal diárias de açúcar (ou seja, aproximadamente 12g - 1 colher de sopa). São 12g diários de açúcar de mesa (o mesmo encontrado nos produtos industrializados).

Será mesmo que esse radicalismo de não deixar a criança comer um pedaço de chocolate no final de semana funciona?

Provavelmente não.

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A criança pode estar deixando de aproveitar um momento de prazer, msa comendo açúcar em excesso de outras maneiras: nas bolachas recheadas, no refrigerante, nos 'inocentes' sucos de caixinha, no achocolatado, e até em alimentos salgados (ex: o ketchup).

Pregar o terrorismo ao açúcar mas encher a criança de produto industrializado é 'tirar a roupa de um santo para vestir outro'.

O correto é tornar a alimentação da criança bem natural, rica em grãos, cereais, frutas, legumes, verduras, carnes, leite, queijos, etc... EDUCAR!

Mas se você já faz isso e ainda acha que o açúcar é o bicho papão, é melhor ir mudando de idéia...

Quanto mais você proibir as eventuais sobremesas, colocar o açúcar como o verdadeiro vilão, mais compulsão essa criança terá por doces. Na hora da festa do coleguinha, será o primeiro a colocar quantos brigadeiros conseguir na boca - pelo simples fato de não entender que doce é algo normal, que a gente deve comer pouco (geralmente depois da refeição) e que não precisa comer todos os doces como se o mundo fosse acabar no minuto seguinte.

Além disso, para a formação do paladar infantil, é importantíssimo finalizar o almoço com algo adocicado (claro, frutas sempre são preferidas). Isso faz com que a criança perceba a diferença entre os sabores, além de demonstrar na prática as proporções entre comida salgada e sobremesa - ou seja: quer comer um pedacinho de doce? Que seja só um pouquinho, depois do prato de comida completo :)

Eu entendo que muitas mães morrem de medo que os filhos adoeçam, fiquem obesos (a obesidade infantil realmente é uma preocupação!)... Mas não é proibindo os filhos que eles estarão ilesos a esses problemas.

Se é para tornar algo vilão, que sejam as balas, chocolates, pirulitos, sucos industrializados e refrigerantes, comida pronta, fast food de maneira constante. Esses alimentos não podem e nem devem ser regra.

Não é o achocolatado com leite no café da manhã ou o sorvete do final de semana que vai fazer do seu filho uma estatística. Até porque, um dia ele vai começar a fazer escolhas, e a chance dele compensar toda aquela neurose comendo em dobro, é muito grande.

Não estou fazendo apologia ao uso indiscriminado do açúcar, mas sim ao equilíbrio!

Por isso, adoce a vida do seu filho! E faça da infância e do açúcar uma doce convivência :) <3

ERRATA! 2 LITROS DE COCA COLA TEM 210 G DE AÇÚCAR!

Beijos,

Marina

Açúcar oculto

Todo mundo já sabe que eu detesto radicalismo. Sim, isso é um fato. Mas eu me cuido, e claro, quero meus pacientes bem cuidados! Se isentar totalmente de açúcar está fora de questão, mas você sabe quanto açúcar 'escondido' existe nos alimentos, até aqueles salgados?

Esse infográfico adaptado por mim (yeyyy!) do site ilbureau mostra o açúcar oculto nos alimentos. Já falei aqui sobre a quantidade de açúcar nos refrigerantes e nos sucos industrializados também!

açúcaroculto.jpg

Ótimo para mostrar para as crianças, assim elas podem entender a importância de se saber o que comemos :)

Espero que gostem!

E não se esqueçam de curtir, usar a hashtag #naocontocalorias, compartilhar, e retuitar :)

Beijos,