Eu li: Por que você deveria parar (de uma vez por todas!) de comer só o que quer

Li um texto no site/blog do jornalista Rafael Tonon sobre sazonalidade. O texto é excelente, e vale muito a leitura para repensar nossa idéia de comer sempre a mesma fruta, o ano todo, sem respeitar a sazonalidade dos alimentos. Esse ano coloquei como meta conhecer mais sobre a cadeia de produção do que eu como, e esse texto caiu como uma luva. Abriu minha cabeça em vários sentidos.

Inclusive para a questão do consumo de orgânicos, que tento sempre que possível, optar por estes. Não tenho ainda a pretensão de fazer a minha vida uma bolha orgânica, mas a idéia de descobrir mais produtores orgânicos/pequenos produtores depende muito de entender mais sobre a sazonalidade dos alimentos.

Porque quando o alimento é cultivado e colhido na época certa, a garantia de um bom produto aumenta muito - daí o preço do orgânico praticamente empata com o não orgânico.

Sem mais palavras, deixo aqui o texto. O link é: http://www.whatthefork.com.br/ e o texto se chama " Por que você deveria parar (de uma vez por todas!) de comer só o que quer".

Boa leitura!

Até a próxima...!

Orgânicos, economia solidária e Instituto Chão

Há umas duas semanas fui caminhando até a Vila Madalena e acabei passando na frente do Instituto Chão. Já sabia da existência deles mas nunca tinha ido conhecer. Sabe quando você acha que o lugar é legal mas depois que conhece é bem melhor? Foi assim. Eu já sabia que eles comercializavam alimentos orgânicos a preços bem mais acessíveis que um supermercado, mas não entendia bem como isso funcionava. Como a produção do produto orgânico é menor, o volume reduzido e afeta a distribuição e o preço final: orgânicos então são mais caros. É difícil manter uma alimentação totalmente orgânica, seria algo até meio utópico... mas com iniciativas como o instituto chão, introduzir mais alimentos orgânicos na alimentação é possível. 

A vantagem do alimento orgânico não é só a ausência de agrotóxicos ou adubos químicos. A produção orgânica vai além da não utilização desses produtos. O cultivo deve respeitar outros aspectos ambientais, sociais, culturais e econômicos. Quando você compra um produto orgânico, está valorizando o produtor - muitas vezes local; consumindo um alimento mais rico em vitaminas, minerais e antioxidantes e fortalecendo toda a cadeia alimentar.

Obs: Sou contra a condenação de alimentos não orgânicos. Vivemos num país onde a maior parte da população não está comendo o básico arroz e feijão, imagina produto orgânico. Mas iniciativas como o instituto Chão são muito, muito, muito interessantes! 

Produtos industrializados também podem ser orgânicos.Para isso, o produto deve ser composto por no mínimo 95% de ingredientes orgânicos. Aqueles que tem entre 70 e 95% dos ingredientes orgânicos são considerados 'produtos com ingredientes orgânicos'.

Chegando no instituto chão, vi várias caixas distribuídas bem na entrada de uma espécie de loja/galpão, com várias frutas e legumes. Eu comprei morango, tomate, limão siciliano, tomilho e erva doce.

Na parte de dentro eles tem um balcão com bebidas - meu namorado tomou um café super gostoso, também orgânico - e outros alimentos, que vão desde grãos (tem arroz, feijão, castanhas, etc) até ovos, queijos e conservas. Comprei um pote de ricota de búfala, uma burrata (amo!), ovos e geléia de jabuticaba. Até que chegou a hora de pagar a conta: a maior parte da surpresa.

Lá no Chao, eles vendem o produto pelo mesmo preço que compram do produtor. As outras taxas que geralmente vem embutidas no preço do produto que compramos no supermercado (lucro, transporte, impostos, etc) estão expostas numa lousa bem grande que fica atrás do caixa interno.

Mas voltando ao pagamento: minha compra - que está descrita abaixo na figura - deu R$45,60. Na hora do pagamento, eles sugerem uma contribuição de 30% do valor da compra para manter o instituto e arcar com  todos os gastos. Somando os 30%, minha compra ficou em aproximadamente 60 reais.

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60 reais é uma parte do que eu gasto para fazer a feira semanal para a minha casa. Mas sem produtos orgânicos, sem geléia, sem burrata e outros produtos mais caros e indulgentes como esses. Então resolvi comprar o preço dos produtos do Chão + 30% com uma compra simulada em uma grande rede de supermercado. Vejam a diferença...

Os alimentos marcados com o coração verde são orgânicos. Aqueles que não foram marcados com o símbolo, são produtos convencionais. Ou seja: mesmo comprando alguns alimentos não orgânicos e colaborando com os 30%, a compra do supermercado ficou BEM mais cara. Vale pagar a diferença no Uber que te leva até a Vila Madalena e aproveitar o instituto. Eu certamente voltarei e tenho planos de começar a fazer mais compras por lá. É muito boa a sensação de colaborar com esse tipo de economia solidária!

O instituto fica na Rua Harmonia, 123. Vale entrar no site ou na fanpage do facebook para verificar horários e forma de funcionamento! Ah, e o pagamento preferencialmente deve ser feito em dinheiro ou débito!

https://www.facebook.com/institutochao/

Quem já foi, gostou? E quem vai?

Beijos!

Em tempo: eles não estão mais funcionando aos sábados :( Mas parece que alguns produtores ainda estão expondo seus produtos por lá nesses dias!

Vou contar sobre os agrotóxicos

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Você com certeza já se perguntou sobre os agrotóxicos, ou ficou temeroso em ingerir algum legume ou verdura por causa desta química. Mas o que precisamos e devemos saber sobre os agrotóxicos? Para começar, devemos saber agrotóxicos são 'produtos e agentes de processos físicos, químicos ou biológicos, destinados ao uso nos setores de produção, armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, a fim de preservar da ação danosa de seres vivos considerados nocivos'. Os agrotóxicos tem ingredientes ativos que interferem na atividade biológica normal dos plantios - e podem ser químicos, físicos ou biológicos.

O Brasil é o maior consumidor (ou seja, também o maior utilizador) de agrotóxicos. Talvez por ser o terceiro maior exportador agrícola do mundo - e sabemos que o mercado agrícola tem uma grande importância financeira no país. Pois bem, dentre os plantios que utilizam mais agrotóxicos estão a cana de açúcar, a soja em grão, o milho em grão, a mandioca, laranja e arroz (mas é importante lembrar que isso não está relacionado diretamente com a 'contaminação' por agrotóxico, mas sim a amplitude que esses alimentos são cultivados).

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retirada do pinterestEm 2011 a ANVISA fez uma pesquisa para demonstrar quais alimentos tinham maior nível de contaminação. Ela selecionou 18 tipos de alimentos e verificou se haviam agrotóxicos em excesso ou 'proibidos' por lei.

Um infográfico foi lançado na época. Veja baixo:

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Impressionante! Mas um detalhe: O infográfico mostra a porcentagem de alimentos (das amostras recolhidas) continham níveis equivocados ou alterados de agrotóxicos! Isso não quer dizer que 91,8% de um pimentão é agrotóxico, por ex! Se fosse assim, 8,2% somente seria pimentão! Hehehehe

Outro detalhe importante de relevar: a quantidade e tipo de agrotóxico depende também do local de produção, época do ano e ecossistema local. Ecossistemas mais desequilibrados provavelmente terão um maior (ou pior) número de pragas; temperaturas muito baixas ou elevadas irão interferir (bem ou mal) no crescimento de determinado alimento, e assim por diante. Isso tudo influencia na necessidade do uso de agrotóxicos.

Mas vamos considerar os números acima... É muito agrotóxico!

Os agrotóxicos fornecem riscos a saúde dos consumidores. Alguns tipos de câncer (principalmente relacionados ao sistema sanguíneo, linfático e endócrino) já foram relacionados ao consumo elevado e prolongado de alimentos 'contaminados'. Além disso, alguns estudos discutem a relação entre os agrotóxicos e problemas cognitivos ou mentais em crianças.

Hoje em dia a cultura orgânica ainda é muito cara e inacessível a maior parte das pessoas. Minha sugestão: já pensou em escolher os alimentos que contém ou podem conter mais agrotóxicos na parte orgânica, e outros na parte 'convencional' do supermercado?

O que são orgânicos?

São alimentos livres de agroquímicos e de substâncias tóxicas para a saúde humana e para o meio ambiente. Para ser considerado orgânico...

O produto deve ser produzido de acordo com as regras da agricultura orgânica (ou seja, nada de agrotóxicos);

A origem do produto deve ser rastreada;

Deve existir um controle dos impactos ambientais, Ex: os resíduos da cultura devem ser descartados corretamente, assim como efluentes devem ser tradados;

A empresa responsável deverá passar por auditorias específicas;

95% dos ingredientes ou matérias primas devem ser certificadas como orgânico. Com 70% o produto ganha selo de qualidade orgânica. Com 5% de produto natural.

Além disso, o transporte deve ser feito de maneira específica! Nada de transportar alimento 'contaminado' com agrotóxico com orgânico!

Para ser muito sincera, eu nunca vi nenhum selo sem ser o orgânico... E imagino o quão burocrático e caro deve ser sustentar uma cultura orgânica. Mas continuo torcendo para que esse mercado só aumente, e os preços diminuam. Se você ainda tem aquela avó no interior que planta sua horta e tem alfaces maravilhosas, aproveite! Procurar os produtores rurais mais próximos também é uma boa opção: comprando da fonte você adquire o produto fresquinho!

Outro detalhe: produtos orgânicos nem sempre são lindos e maravilhosos, muito pelo contrário! Como eles estão sujeitos a pequenas pragas ou insetos, podem ter um aspecto inferior aos tratados com agrotóxicos. Mas você deve consumir sem julgar o livro pela capa! Os benefícios desses alimentos vão muito além daquele rostinho de capa de revista, que os alimentos tratados com muito agrotóxico tem!

Não devemos desesperar e parar de comer os legumes e frutas, afinal, não dá pra viver sem eles! Mas faça boas escolhas! Já pensou em economizar nos produtos de dieta da moda para comprar um produto orgânico?

Afim de reduzir a quantidade de agrotóxicos, é importante lavar bem os alimentos e, quando possível, retirar a casca. Isso não faz o agrotóxico desaparecer (afinal, eles são absorvidos pelos alimentos), mas você já dá aquela ajuda extra.

O importante é conhecer o produto que você consome. Procure saber como é feito o cultivo, prefira os produtos de época (aqui nesse link tem um quadro super legal da Ceasa de São Paulo, a ceagesp) e verifique a rastreabilidade (hoje em dia quem tem smartphone consegue ver esses detalhes através do QER CODE de vários produtos!)

E você, o que faz para 'fugir' dos agrotóxicos?

Espero que tenham gostado!

Até a próxima!

Marina :)