Para Vovó Íris

Para Vovó Íris

Eu puxei sua mexeriquice e fui fuçar no seu livro de receitas antigo. Não me lembro de muitas coisas que você preparava, mas lembro da comida da sua casa. Do intervalo de duas horas entre cada refeição e sua insistência para que a gente comesse. Da broa, do polvilho, e até de coisas que eu não gostava, como o salpicão misturado com 289 ingredientes. 

Read More

indo para 2018

Em 2017 eu cozinhei, mudei de consultório, montei móveis, prometi andar de bike mas a deixei encostada por 7 meses num muro. Vi as campeãs da Escola de Samba no Rio. Subi a Vista Chinesa pela segunda vez. Vi John Mayer pela segunda vez. Corri, parei, voltei a correr e fiz minha segunda meia maratona. Me apaixonei mais ainda pelo meu namorido. Fiz iogurte, granola e piquei muitos legumes e frutas. Tentei engatar no youtube, mas não rolou. Comi pastel de feira, contei passos, dei unfollow em pessoas nas redes sociais e no dia a dia. Não encontrei com meus amigos como gostaria. Vi a Juju deixar de ser uma filhotinha pra virar a cachorra adulta mais linda do mundo. Tentei plantar uma horta com uma sementeira: não vingou.

Comprei mudas já nascidas e cozinhei com todas. Vi a Daiana Garbin lançar um site e um livro. Treinei cozinheiras. Viajei para Paris e para a Itália. Conheci um dos restaurantes do Mássimo Bottura, bebi deliciosos vinhos e comi uma lagosta imensa sozinha. Bebi chopp e comi panini sentada numa calçada em firenze. Nadei em Santa Marinella. Vi uma audiência Papal. Entrei em dezenas de igreja e renovei, de alguma maneira, a minha fé. Vi a Última Ceia. De cara não gostei de Milão, saí apaixonada. Enchi a mala de azeite, queijo parmesão e trufa. Tive um vôo pavoroso pro Brasil.

Indo pra 2018 e pensando: Obrigada 2017, você foi demais!

Indo pra 2018 e pensando: Obrigada 2017, você foi demais!

Chorei e fiquei ansiosa porque decidi mudar de novo de consultório. Fiquei sem dormir direito, tive dor de estômago e dor de barriga. Fiz nhoque pra relaxar. Admirei pessoas admiráveis e detestáveis. Vi meu time ser campeão. Mudei o blog sozinha. Fiz uma live sobre dor de cabeça, um curso com a Ana Holanda e participei de uma mesa no Simpósio de Nutrição Comportamental. Vi meus seguidores aumentando e quis acreditar mais em mim. Dei adeus (de longe) a minha avó, visitei meus pais, casei minha prima-irmã-melhor amiga. Fui a Nova York e comi em um dos Momofuku. Vi as abóboras do reveillon, o Brooklin e o outono da Big Apple. Fui embora querendo voltar. Recebi críticas duras e elogios doces.

Fiz coaching. Pensei se saía da corrida, e saí. Pensei em fazer pilates. Pensei em fazer bike. Até que pensei em não fazer nada, e não fiz. Recebi meu melhor amigo em casa 2 vezes. Peguei chuva, queimei os dedos cozinhando. Quis escrever mais e não consegui. Pensei se não deveria pensar em outra profissão. Terminei o ano bem animada com o consultório e decidida a ser menos dura comigo. Casei. Fiz uma aula de Yoga e adorei. Decidi continuar. Vi a chuva cair no litoral nos últimos dias de dezembro. Vi o sol aparecer no último dia de 2017. Cheguei animada para 2018.