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Na luta pela magreza

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Saiu no caderno Equilíbrio e Saúde da Folha de São Paulo: “Repórter passa uma semana em spa radical e emagrece 4,5 kg – clica aqui pra ler a reportagem. Ela conta da experiência de uma repórter que se propôs a seguir uma dieta de 300 calorias em um spa. 300 CALORIAS!

Isso é só mais um exemplo bizarro da luta pela magreza. E é o que me preocupa sempre, e muito.

Nesse caso, fiquei boquiaberta com alguns detalhes.

1) Viver com 300 calorias por dia é surreal. Todo ser humano tem um metabolismo basal, que é um fornecimento mínimo de energia para viver (comer, dormir, tomar banho, atividades rotineiras do dia a dia). A nossa repórter (imaginando uma mulher saudável, com sobrepeso, na faixa dos 30 anos) deve ter um metabolismo basal de aproximadamente 1000 calorias!!!!!!  Se ela praticar exercícios, tiver uma vida ativa, esse número aumenta. Aí, as 300 calorias representam apenas uma das refeições de um indivíduo. No Spa, é o que eles comem durante o dia todo!

2) Quando a pessoa vai embora do Spa (depois de passar vários dias a base de pouquíssimas calorias), o médico diz “você é capaz de emagrecer com 4 vezes mais do que sua dieta do Spa”. Traduzindo: você é capaz de emagrecer comendo 1200 calorias. Sim, emagrece. O público do Spa é composto de várias pessoas bem acima do peso. Obesas, com sobrepeso. Pessoas que precisam perder 10, 20, 30, 40 kg. Elas logicamente irão emagrecer com uma dieta de apenas 1200 calorias. Mas vão ganhar o peso de volta. Manter uma dieta de 1200 calorias, para uma pessoa que está bem acima do peso, pro resto da vida, é inviável. Conheço casos de pessoas que já estiveram por lá mais de uma vez. O resultado é o mesmo: perdem 5 kg em 3 dias, ganham 8 kg 7 dias depois de sair do Spa.

3) O tratamento da obesidade não é apenas físico. É um tratamento psicológico e social. A repórter diz que há ‘tráfico’ de comida no Spa. Pessoas guardam doces em frascos de shampoo. Elas mentem pra si mesmas. Obesidade é uma doença que acomete não só a parte fisiológica, mas a parte psicológica também. Ninguém ganha 10 kg em 1 mês. Não queira perder seu excesso de peso em tempo recorde. Isso é dar um tiro no próprio pé. Na reportagem ela diz que o ônibus que transporta os pacientes é chamado de ‘transbanha’. Para mim isso é o cúmulo do desprezo e humilhação com pessoas que tem uma doença.

Como profissional, acredito em metas e objetivos reais. Algumas pessoas sairão desse tipo de tratamento com consciência? Sim. Existem obesos que emagreceram e mantêm o peso ideal? Sim. Dietas radicais, neurose por contagem de caloria, atropelar a saúde para ficar magro é legal? Não.

Depois de ver uma reportagem dessas, vejo que a solução sempre vai continuar sendo a boa e velha reeducação alimentar, o tratamento psicológico conjunto, o apoio social, e a educação sobre SAÚDE, e não sobre corpo perfeito.

Há quem concorde, há quem discorde. Mas contra fatos não há argumentos. O prazer de emagrecer comendo o que quer, mas com educação, não tem preço.

E você, o que acha disso?

Até a próxima,

Marina