Idade de Dieta

Na minha ‘pesquisa’ realizada semana passada, perguntei com quantos anos as pessoas haviam feito a primeira dieta - ou visitado, pela primeira vez, algum profissional que a recomendasse. Os resultados foram esses.

No consultório percebemos que a história é realmente essa: crianças, cada vez mais novas, são submetidas a restrições alimentares. O peso de ‘ter que emagrecer’ - ou melhor, ‘ter que ficar magra(o)’ - começa muito cedo.

Entendemos que a obesidade infantil é um problema, e uma boa educação alimentar infantil é a base sólida para bons comportamentos tardios. Porém, creio que ainda há muito o que se trabalhar quando pensamos na forma de comunicar sobre o assunto.

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De onde vem essa balança?

Há alguns dias fiz uma enquete nos stories do instagram com 3 perguntas. Elas eram:

Com qual idade você fez a primeira dieta ou visitou o nutricionista/endocrino? -

Quem foi a pessoa determinante para que você fizesse uma dieta (ex: “pai”, “mãe”, “eu mesma” etc)? -

Hoje, olhando para a época que você começou a tentar emagrecer, você acha que precisava (em relação ao peso, corpo, etc)? -

Pensei em fazer essa enquete porque escuto as histórias se repetindo no consultório: “A primeira vez que me falaram pra fazer dieta eu tinha uns 12 ou 13 anos”, “minha mãe/avó/pai que me levou até o médico/nutricionista, dizia que eu precisava emagrecer”, “eu pedi para ir porque via minha mãe indo” e “hoje, olhando para trás, vi que não precisava fazer dieta ou podia se abordado de outra maneira”.

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Agenda

Montar uma agenda de consultório não é tarefa fácil. Assim que começamos a atender, esperamos ansiosos pelos pacientes. Disponibilizamos uma variada gama de horário, caímos (ou quase) em tentações de chamadas do tipo ‘como lotar sua agenda em poucos passos’, sofremos ao ver um dia desocupado. Todo mundo passa por isso.

Com o tempo, percebemos que essa ansiedade é por algo que não conseguimos controlar e que, por mais que a gente se esforça, as coisas não fluem na velocidade que gostaríamos. Portanto, algumas coisas que aprendi - e venho aprendendo! - são muito importantes. Vou pontuá-las aqui nesse post:

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Viagem: NY

Decidi refazer esse post que havia feito em julho de 2018, acrescentando outras dicas!

Nova York é uma cidade muito louca. E imperdível. A primeira vez que fui (em 2011) fiquei encantada com seu tamanho, sua magnitude. Fiz todos os pontos turísticos possíveis e algumas compras (saudades dólar 2:1!). Na segunda vez, adorei conhecê-la de uma maneira diferente, não turística, com pessoas que vivem lá. Mas não sei porque, senti uma opressão da cidade. Pensei que já tinha dado de NY por um bom tempo,  e em seguida veio Tokyo roubando meu coração. Achei que a paixonite por NY ia acabar de vez... Mas voltei outras vezes e mudei minha cabeça novamente: NY is always a good idea.

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Começando o Consultório

Me lembro até hoje quando fui atender meu primeiro paciente. Antes mesmo de tem um consultório, fui até a casa dele. Em BH, na Rua do Ouro. Um amigo me recomendou e lá fui eu, com balança, fita métrica, papel e caneta embaixo do braço. Tinha 23 anos e nunca tinha atendido ninguém - com exceção dos estágios obrigatórios.

Estava com medo? Claro. Me preparei pro momento? Muito! Fiz uma extensa ficha de anamnese. Também não tinha receituário, então fiz um no computador, imprimi e fui.

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Viagem: Portugal

Em Junho desse ano fui conhecer Portugal. Eu e minha mãe embarcamos rumo a Lisboa para passar uma semana conhecendo mais do país de onde saiu Dom João- ou fugiu, segundo o livro 1808 de Laurentino Gomes.

Em algumas horas estávamos em terras Portuguesas, prontas para experimentar os famosos doces e animadíssimas para comer muito bacalhau.

Aqui nesse post eu reuni alguns lugares que visitei, minhas impressões e dicas para quem está indo.

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Quando não vou mais pensar em comida?

“Quando vai chegar o dia que eu nunca mais vou precisar pensar em comida?”

Nunca. Eu espero que esse dia demore a chegar, pois quando ele chegar, você não estará mais viva.

Essa idéia de que estabelecer uma boa relação com a alimentação significa não pensar a respeito dela é uma expectativa muito comum de quem não quer mais fazer restrições. Como se a boa relação com o alimento fosse um ponto final, e não um caminho.

E é justamente esse o detalhe: depois de tanto tempo de dieta, fica difícil tornar as escolhas tão intuitivas e automáticas. Se desesperar porque está pensando muito em comida é comum, mas costumo dizer para os pacientes que pra pensar pouco em comida, você precisa pensar muito nela antes!

Quando se está de dieta, o pensamento também existe e é constante. Ficar analisando se isso ou aquilo engorda/emagrece é algo que acontece o tempo todo. Não é apenas no momento da refeição, mas antes e depois, e de uma maneira muito desgastante.

Mas aí você decide que não quer mais viver numa prisão e procura ajuda. A nutricionista que te ajuda vai te usar várias estratégias ao longo do tempo: entender como funciona sua alimentação, estruturar sua alimentação, te questionar sobre seus sinais físicos de fome e saciedade, observar suas crenças e respeitar suas vontades e fragilidades. Te guiando, você segue o caminho.

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Máscara de Oxigênio

Ao entrar num avião, você provavelmente irá escutar (ou ler) as normas de segurança do vôo. E até quem nunca voou conhece a famosa frase ‘em caso de despressurização da cabine, máscaras de oxigênio cairão sobre as suas cabeças'. E logo depois desse anúncio, o aviso: ‘coloque a máscara primeiro em você, e depois em quem está do seu lado.’

Essa advertência é muito usada para mostrar o quão importante é se cuidar para depois cuidar do próximo. E na área da saúde (principalmente mental), essa afirmação faz total sentido.

Mas de alguma maneira, o mundo da nutrição parece se esquecer disso. Talvez porque nós nutricionistas ainda somos vistos como exemplo estético e o auto cuidado ainda está muito vinculado ao peso. Ou seja: se você estiver magro, sinal que está se cuidando e apto a cuidar de outro - ignorando o fato da nossa classe ser grupo de risco para o desenvolvimento de transtornos alimentares.

Nos dias atuais isso significa que se você é magra(o) - e faz questão de mostrar isso para o mundo e expõe sua alimentação perfeita e clean diariamente para o instagram, você está se cuidando (e prontíssima(o) para cuidar do outro).

Mas a verdade é outra…

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Antes e Depois

“Art. 58 É vedado ao nutricionista, mesmo com autorização concedida por escrito, divulgar imagem corporal de si ou de terceiros, atribuindo resultados a produtos, equipamentos, técnicas, protocolos, pois podem não apresentar o mesmo resultado para todos e oferecer risco à saúde.”

Esse é o artigo do Código de Ética do Conselho Federal de Nutrição (2018), que diz respeito ao famoso formato de foto “antes e depois”, amplamente divulgado nas redes sociais. O código de ética é direto: mesmo com autorização, você não pode fazer uma montagem do seu paciente tirando uma foto na frente do espelho comparando antes e depois - e nem usar a sua imagem para tal.

DIa 4 de julho a nutricionista Camilla Estima fez, no seu instagram, uma postagem sobre isso. E eu fui lá acompanhar os comentários. Só faltou a pipoca e o guaraná para ler o que li por ali.

Algumas pessoas sugeriram que isso não devia ser problema porque essas imagens forneciam motivação para quem precisa. Outras questionaram que já tem tanta gente de fora do mundo da nutrição fazendo isso, então qual o problema de nós nutricionistas seguirmos nesse caminho? E teve gente que falou que o mundo evoluiu, e que esse tipo de serviço é essencial para a divulgação do trabalho.

Mas será que essas justificativas são razoáveis? Coloco aqui minha análise sobre o assunto.

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Gravidez, alimentação e expectativas

“Tudo bem se você virar uma comedora de Club Social”, foi o que a médica me falou na minha primeira consulta pré natal. Com 4 semanas de gravidez e ainda sem nenhum sintoma, saí do consultório pra casa tranquila e pensando sobre minha organização alimentar nos próximos meses.

Então começaram as minhas reflexões sobre esse período que gera tanta fantasia no imaginário das mulheres. Passada a fase difícil, decidi escrever sobre isso, considerando minha experiência no consultório com outras gestantes, a observação do meu próprio corpo e minhas percepções sobre as informações divulgadas acerca desse assunto.

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No Netflix: Homecoming

Homecoming é o filme/documentário sobre o show de Beyonce no Coachella de 2018. Após um tempo fora de turnê, Beyoncé retornou como atração principal no palco do festival californiano. Como a primeira mulher negra a ocupar essa posição, Beyoncé preparou um verdadeiro show, que fez Khaled apelidar o evento de Beychella, tamanho o espetáculo.

O show não marca somente a volta da diva pop, mas também é uma grande oportunidade de reflexão sobre os negros. Beyoncé convidou estudantes negros de universidades historicamente negras para compor a grande banda universitária, que compartilhou o protagonismo com a cantora.

As mulheres também são lembradas nas letras apresentadas, como Me, myself and I, Run the World, Flawless, entre outras. É um show de cor, música, dança, e até quem não é fã da Beyoncé fica de boca aberta.

Mas em uma das cenas, Beyoncé entra num tema polêmico: dieta.

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