Procurando pelo em ovo?

Procurando pelo em ovo?

Alguns estudiosos dizem que um ovo por dia não prejudica ninguém. Já quem tem diabetes, risco de doenças cardíacas ou histórico de problemas cardiovasculares, 3 ovos na semana, no máximo, seria o recomendado.

A verdade é que a pergunta 'quantos ovos eu posso comer por dia' fica sem uma resposta tão generalizada: cada pessoa é diferente da outra. Por isso essa recomendação acima não deve ser levada tão a ferro e fogo. Se você me falar que se preocupa com o colesterol, eu já te adianto de maneira bem breve: o ovo não é capaz de tamanho estrago.

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A nutricionista gorda

A nutricionista gorda

Desde que me formei eu escuto coisas do tipo "Ah, nutricionista! Por isso você é magrinha!" ou "Nutricionista tem que ser magra né?" e até "Não dá pra confiar em nutricionista gorda. Se ela não consegue ser magra, como vai querer que eu seja?".

Talvez você já tenha escutado ou pensado isso. E não, seu pensamento não faz sentido. Não entendeu? Senta aqui que vou te contar uma historinha...

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E os nutrientes?

E os nutrientes?

E eu amo cozinhar. Cozinho quase todos os dias. Mas é claro, tenho meus momentos de preguiça. E é nesse dia que abro o congelador ou a gelsdeira, porque sempre tem algo por ali. Pode ser de uma fruta congelada para preparar um suco ou aquele restinho de banquete do final de semana. Eu costumo cozinhar mandioca e deixar na geladeira, para esquentar rapidinho no micro e comer no café da manhã com manteiga e uma pitada de sal.

Dia desses postei essa idéia da mandioca no instagram, e a Camilla Estima, minha colega de profissão lá do Rio de Janeiro havia mostrado como ela faz pra garantir o consumo de suco natural: preparar o suco de maracujá e deixar na geladeira, para ir tomando durante a semana.

MAS E OS NUTRIENTES?

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Kibe Vegetariano e Nutricionismo

Eu já li umas 3x o livro 'em defesa da comida' do Michael Pollan. E uma das partes que mais gosto é quando ele explica, lá no início do livro, sobre o Nutricionismo.

 "O primeiro ponto a entender sobre nutricionismo é que este não é um sinônimo de nutrição. Como o "ismo" sugerem não se trata de um assunto científico, mas sim de uma ideologia. Ideologias são formadas de organizar grandes faixas de vida e experiências sob um conjunto de suposições compartilhadas mas não examinadas" (...) No caso do nutricionismo, a suposição amplamente compartilhada, mas não examinada, é que a chave para se entender o alimento é de fato o nutriente. Em outros termos: os alimentos são, em essência, a soma dos seus nutrientes. Dessa premissa básica decorrem várias outras."

- mas será que é assim? - 

"Partindo do princípio de que o alimento serve principalmente para promover a saúde física, os nutrientes dos alimentos deveriam ser divididos em saudáveis e insalubres - bons e maus nutrientes. Essa tem sido uma marca do pensamento nutricionista desde os dias de Liebig, para quem não bastava identificar os nutrientes; era preciso também escolher favoritos, e os nutricionistas andam fazendo isso desde então. Liebig afirmava que a proteína era "o principal nutriente" na nutrição animal, porque lhe parecia estimular o crescimento (...) A promoção que Liebig fez da proteína dominou o pensamento nutricionista por décadas"

- e ainda não domina muita gente? -

Parece ser uma regra do nutricionismo que para cada bom nutriente deve haver um mau, para servir de contraste, este é um foco para nossos medos e o primeiro para nossos entusiasmos (...) Desde então, a história do nutricionismo moderno tem sido a história dos macronutrientes em guerra: proteínas contra carboidratos; carboidratos contra proteínas; e depois gorduras, gorduras contra carboidratos.

- Quem já fez dieta restritiva sabe: sempre um macronutriente vira foco. Ou você corta o carboidrato, ou aumenta o consumo de gorduras, e por aí vai...-

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Como tantas ideologias, o nutricionismo no fundo depende de uma forma de dualismo, de modo que sempre precisa haver um nutriente mau para os partidários condenarem e um salvador para beatificarem.

Michael ainda cita Gygorgy Scrinis, professor de política alimentar e escritor no livro 'Nutritionism: The science and Politics of Dietary Advice'. Segundo Gygorgy, "quando a ênfase está na quantificação dos nutrientes contidos nos alimentos (ou, para ser preciso, dos nutrientes reconhecidos nos alimentos), qualquer distinção qualitativa entre alimentos naturais e processados tende a desaparecer."E completa "Se os alimentos forem entendidos somente em termosdas várias quantidades de nutrientes que contem, mesmo os alimentos processados poderão ser considerados 'mais saudáveis'para você do que aos alimentos naturais se contiverem as quantidades apropriadas de alguns nutrientes"

O nutricionismo e a idéia de que existe comida do mal e comida do bem, ficamos com medo do alimento - e começamos a nos preocupar com calorias e nutrientes específicos, esquecendo de outros contextos que o alimento está inserido: cultura, prazer, e a presença até de outros quesitos nutritivos ignorados.

Por isso resolvi colocar uma receita de um quibe vegetariano que preparei esses dias. Geralmente, quando pegamos um quibe de carne, pensamos que ele é fonte de proteína - e ignoramos que ele contém trigo, uma excelente fonte de fibras e carboidratos. Se fazemos um quibe vegetariano, pensamos apenas que o quibe é cheio de carboidratos (e geralmente corremos ao contrário desse macronutriente maligno e engordativo).

Mas o quibe vegetariano não é só fonte de carboidrato: ele também tem proteína e pode ser considerado rico em fibras. Mas além disso tudo ele envolve o ato de cozinhar e o contato com alimentos in natura. Além de fácil e leve, é delicioso e uma excelente idéia para quem quer levar comida para o trabalho!

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QUIBE VEGETARIANO

1 Berinjela

1/2 xícara de trigo para quibe

1 xícara de abóbora japonesa em cubos

1 colher (chá) de manteiga

2 colheres (sopa) de azeite

3 dentes de alho

-  Ligue o forno convencional na temperatura média ou um forno elétrico na temperatura máxima. Deixe pré aquecendo.

- Lave e corte uma berinjela ao meio, no sentido horizontal. Salpique sal em cada superfície e deixe descansar por 15 minutos. Depois lave com água. Faça pequenos cortes com a faca na superfície de cada berinjela cortada e adicione 1 colher (sopa) de azeite em cada. Coloque em uma assadeira com os dentes de alho com casca, e depois leve ao forno. A berinjela deve assar até que seu 'recheio' fique bem assado e você consiga raspar com uma colher.

Enquanto isso, em uma panela com 2 xícaras de água, no fogo baixo, cozinhe a abóbora até ela ficar bem macia. Assim que estiver cozida, retire a abóbora e use a água quente para hidratar o trigo: ou seja, adicione a água ao trigo até que ele 'inche'.

Quando a berinjela estiver pronta, retire do forno - não precisa desligar! Tire o alho das cascas e amasse junto com a abóbora, formando um purê. Reserve.

Raspe o 'recheio' da berinjela e misture ao purê de abóbora, com a ajuda de um garfo ou amassador de batatas. Depois, com o garfo, misture ao trigo já hidratado. Tempere com sal e pimenta do reino a gosto.

Unte uma assadeira com a manteiga e coloque novamente no forno. Deixe assar até que fique dourado! Sirva com brócolis cozido e depois refogado rapidamente com alho!

Preparem, experimentem e me contem como ficou! Ah, lembrem-se de usar a hashtag #naocontocalorias

Beijos!!!

Marina

ps: Liebig*foi um dos maiores responsáveis pelo progresso da química orgânica no séc XIX

Comida do Bem e Comida do Mal

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"Parabéns por ter colocado salada na sua rotina alimentar. Mas peito de peru é a maior porcaria! Estragou a salada" ou "Vontade de comer um chocolate depois do almoço... E almocei tão bem! Vou estragar com uma porcaria?". Quem nunca ouviu ou ler a palavra porcaria inserida nesse contexto: alimentos/nutrientes que não são classificados saudáveis. Eu tô cansada de ouvir, e confesso que sigo em constante vigilância par não repetir esse termo. Porque porcaria é comida de porco, e nós somos pessoas, não porcos. É igual o tal do dia 'lixo'...

Mas não vim aqui pra discutir a etimologia ou o emprego das palavras, isso é uma questão de consciência sobre como tratamos a comida. Eu vim discutir sobre a categorização dos alimentos entre bons ou ruins (ou 'porcaria' e 'saudável').

Categorizamos tudo: pessoas, objetos e comida. Aprendemos no colégio, bem pequenininhos, a colocar várias palavras numa mesma categoria - e depois a nomeá-las. Categorizar permite organizar o mundo e até nos defender: quando categorizamos algo como 'venenoso' ou 'perigoso', por exemplo, estamos eliminando ou reduzindo riscos. Atualmente separamos alimentos ou nutrientes em duas categorias: do bem' ou 'do mal', saudáveis ou porcarias.

E porque não é certo categorizar assim? 

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Olhar o açúcar isoladamente vai torná-lo um vilão, e não é para menos: a população brasileira excede 50% no consumo limite - que é 10% das calorias totais ingeridas. Ou seja: se você tem uma alimentação que totaliza mais ou menos 1800 kcal, 180 kcal podem vir do açúcar (equivalente a 45 gramas diárias). O brasileiro está comendo o dobro de açúcar indicado para manter um bom estado de saúde. E não só o açúcar em forma de doces, mas também o açúcar oculto nos alimentos!

Mas se você tem uma alimentação com uma quantidade controlada de alimentos industrializados, dá preferência as preparações in natura e não é sedentário? Será mesmo que precisa tratar o açúcar como 'porcaria'? Será que assim você vai  jogar sua saúde no lixo e conseguir uma diabetes por consumir uma porção pequena e dentro dos limites permitidos?

Muita gente chega no consultório muito disposto a melhorar a saúde, e fica procurando qual o vilão causador do excesso de peso. Em 99,9% das vezes o problema não é de um alimento/nutriente, mas sim a alimentação total. Esforços são necessários para emagrecer, e obviamente o EXCESSO de açúcar atrapalha muito... Mas será que dentro de uma dieta equilibrada uma pequena e esperada porção de açúcar é mesmo tão vilã?

O mesmo acontece com as carnes processadas: ano passado a OMS publicou um relatório sobre o consumo de carnes processadas. Esse relatório mostrou que existem estudos suficientes para associar o consumo EXCESSIVO de carne processada ao câncer - principalmente colorretal. Salsichas, bacon, presuntos e peito de peru foram colocados como Joana D'arc na inquisição.

Em alguns lugares você podia até ler: "Carne processada mata tanto quanto cigarro". Mas isso não deve ser divulgado dessa maneira! Essa afirmação existe pois o IARC (International Agency for Research on Cancer) agrupam substâncias em categorias diferentes, de acordo com o nível de certeza que cada substância está relacionada a incidência do câncer. A categoria que abriga o tabaco também abriga determinadas substâncias encontradas na carne processada, e sim, ambas substâncias podem causar câncer. Mas isso não quer dizer que se você comer um hot dog no final de semana ou uma fatia de peito de peru diariamente vai te colocar no mesmo patamar de saúde e risco de um fumante.

O alimento bom ou mau depende do contexto que ele está inserido: uma sobremesa diária ou aquele açúcar no único cafézinho do dia; o bacon do hambúrguer de sábado ou aquela fatia de presunto no café da manhã não matarão mais do que uma dieta baseada em alimentos que na sua totalidade estão nas prateleiras. Conversando outro dia com um médico, ele falou algo muito interessante: 'entramos no supermercado e só vemos prateleiras e embalagens, o espaço destinado aos alimentos in natura é o menor'. Já perceberam isso também?

Nós nos afastamos de uma alimentação mais natural, leve e equilibrada, mas não acho que temos que virar a Bela Gil e substituir o pão francês por linhaça. Mas um equilíbrio tanto no consumo quanto na categorização dos alimentos é mais que necessário.

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E existe outro detalhe: a manchete do jornal, serve para você?

A maioria dos relatórios são montados a partir diversos estudos científicos, ou de análises populacionais. No caso do Brasil, a nossa grande maioria não tem acesso aos snacks saudáveis, produtos orgânicos, almoços integrais. Isso tudo porque falta tempo, educação, dinheiro e colaboração necessárias para manter uma alimentação mais natural e equilibrada. Você que está aí na sua alimentação bacana e come um bombom depois do almoço ou um X-bacon no sábado, acha mesmo que esse relatório da OMS serve para você? Que você, um reles ser humano saudável e equilibrado precisa tirar o seu prazer eventual?

Esses relatórios são feitos para as grandes populações. Essas que vemos nos grandes centros comerciais, que tomam de café da manhã um café cheio de açúcar, refri e um salgado frito  T-O-D-O-S O-S D-I-A-S. Que almoça um pedação de carne frita num óleo de procedência duvidosa e a noite faz macarrão instantâneo - vulgo miojo. Ou até para aquelas pessoas que comem salada com grelhado no almoço e no jantar, mas passam o resto do dia comendo montes de barrinhas ou biscoitos 'integrais', iogurtes 'lights' e 'suco' de caixinha - todos cheios de açúcar!

E se servir...

Imagine que você seja desses que vive comendo um monte de frituras, nuggets, salsichas, carnes e etc e num determinado momento você resolve ir ao nutricionista para mudar seus hábitos.  Chegando lá ele faz um planejamento alimentar super legal para você, mas deixa uma fatia de peito de peru pela manhã - já que você disse que gosta, e fica mais gostoso na hora de comer o pão integral .

E imagine que além de ter uma alimentação não tão saudável, você vive comendo barras e barras de chocolate. Até o dia que você resolve mudar o seu comportamento alimentar e a nutricionista 'deixa' você comer um docinho depois do almoço.

Será que depois da mudança você precisa mesmo achar que esse 'açúcarzinho terapeutico' vai te tornar menos saudável?

Será que aquela única fatia de peito de peru vai te causar um câncer?

NÃAAAAAAAAAAAAAAO!

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Colocar o nutriente ou o alimento em categorias, sem levar em consideração o contexto geral não rola...  Ao passo que não podemos colocar os excessos consumidos como mocinhos (sim, a população está comendo mais em quantidade e menos em qualidade), não podemos também julgar o consumo eventual como causador de todos os males do mundo.

Tem que ter coerência!

Um problema de saúde pública como este que estamos vivendo - obesidade e sobrepeso tomando proporções cada vez maiores - não vai ser resolvido com discursos fit e shots de suco verde. Será resolvido com a aproximação da população ao ato de cozinhar, educação nutricional e mudanças nas indústrias de alimentos (o mais difícil).

O problema de categorização 'comida do bem e comida do mal' também não vai ser resolvido com uma festa na floresta regada de aperitivos glúten free. Será resolvido com desmistificação das dietas milagrosas, consciência alimentar dos profissionais de saúde e principalmente, uma separação bem feita entre prevenção e tratamento de saúde e obesidade - não dá pra colocar os dois no mesmo patamar.

Por isso, antes de categorizar um alimento ou nutriente, coloque-o num contexto geral e avalie se o consumo pende para o bem ou pro mal!

Até a próxima!